Com o propósito de testar tecnologias e fortalecer a articulação entre setores estratégicos, a Marinha do Brasil (MB) promoveu, nos dias 26 e 27 de agosto, o Exercício de Busca e Salvamento “SAREX Brasil 2025”. As atividades foram coordenadas pelo Comando de Operações Marítimas e Proteção da Amazônia Azul (COMPAAz), que exerce a função de SALVAMAR Brasil — estrutura central do Sistema de Busca e Salvamento Marítimo, responsável por coordenar operações de resgate em águas sob jurisdição brasileira.

O exercício contou com a participação de diversas Organizações Militares da MB, como o Comando da Força Aeronaval (ComForAerNav), o Centro de Hidrografia da Marinha (CHM), o Centro de Análises de Sistemas Navais (CASNAV), o Centro de Adestramento Almirante Marques de Leão (CAAML) e a Diretoria de Gestão de Programas da Marinha (DGePM). Também estiveram presentes representantes da Força Aérea Brasileira (FAB), da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e das empresas CLS, OceanPact e DefenSea.

Durante o exercício, o Comandante de Operações Marítimas e Proteção da Amazônia Azul, Contra-Almirante Alexandre Itiro Villela Assano, destacou os avanços proporcionados pela integração entre setores público, privado e acadêmico, ressaltando o papel estratégico do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz):

“O êxito do exercício ‘SAREX Brasil 2025’, que reuniu empresas e universidades em torno de um propósito comum, evidencia como a interação entre diferentes setores amplia horizontes e multiplica possibilidades. A convergência entre capacidades operativas, conhecimento acadêmico e inovação tecnológica mostrou-se capaz de gerar soluções além do campo estritamente militar, apontando para benefícios concretos à sociedade em áreas críticas.”

Para o Contra-Almirante Assano, o SisGAAz emerge como plataforma privilegiada, capaz de integrar sensores, processar dados em larga escala e difundir informações em tempo real, fortalecendo a segurança marítima e a segurança da navegação, ampliando a eficácia das operações de busca e salvamento (SAR), assegurando a salvaguarda da vida humana em ambientes marítimos.

Ao mesmo tempo, segundo o Contra-Almirante Assano, Comandante do COMPAAz, a plataforma projeta-se como instrumento de transformação em setores como monitoramento ambiental, proteção da biodiversidade, apoio à pesca sustentável e prospecção de recursos estratégicos — petróleo e gás, minerais críticos como as terras raras e recursos essenciais para a alimentação. “A participação ativa da iniciativa privada e das universidades é essencial, tanto para o desenvolvimento tecnológico e a geração de soluções inovadoras, quanto para a formação de capital humano altamente qualificado, assegurando que o SisGAAz atue como catalisador de pesquisa, inovação e desenvolvimento nacional”, completa.

O exercício empregou boias de deriva iSLDMB, cedidas pela empresa canadense DefenSea, lançadas por uma aeronave SH-16 “Seahawk”. Esses dispositivos simulam o deslocamento de uma pessoa à deriva no mar e têm suas posições transmitidas via satélite para o sistema de monitoramento. Foram integrados, ainda, dados meteoceanográficos fornecidos pelo Centro de Hidrografia da Marinha e informações captadas pelo radar de alta frequência CODAR, operado pela empresa OceanPact, que permite a medição de ondas e correntes e a detecção de embarcações na área de cobertura.

A atividade avaliou a alimentação do Sistema de Planejamento e Apoio à Decisão em Operações SAR (SPADSAR) com informações das boias de deriva e do radar CODAR, visando otimizar, em tempo real, os modelos de predição de deriva. Foi conduzida, ainda, prova de conceito do sistema CRONOS (OceanPact), originalmente voltado à deriva de óleo, para potencial emprego em Busca e Salvamento. Software que utiliza dados oceanográficos para sugerir áreas de busca, o SPADSAR, desenvolvido pela empresa CLS, já é utilizado pela MB e está integrado ao Sistema de Consciência Situacional Unificado por Aquisição de Informações Marítimas (SCUA).


 

O “SAREX Brasil 2025” reforçou o treinamento do Sistema SALVAMAR em todos os Distritos Navais e evidenciou o emprego dual do SisGAAz. O grande volume de dados gerado por sensores e sistemas integrados amplia as aplicações de interesse público, como a detecção, o monitoramento e a previsão de deriva de manchas de óleo, além de apoiar projetos conduzidos por universidades e institutos de pesquisa.

Os resultados consolidados do exercício serão apresentados a órgãos e instituições civis e militares, com o apoio da Secretaria da Coordenação Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM).

Vinculado às vertentes de Monitoramento e Proteção do SisGAAz, o COMPAAz tem como propósito consolidar a consciência situacional marítima e contribuir para o aprestamento e o emprego das Forças Navais, Aeronavais e de Fuzileiros Navais subordinadas ao Comandante de Operações Navais.


Assista ao vídeo:

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