O Centro de Operações de Paz e Humanitárias de Caráter Naval (COpPazNav) capacitou 86 mulheres, de 23 países, nos últimos cinco dias, para atuar em missões de paz da Organização das Nações Unidas (ONU). O Centro, localizado no Complexo Naval da Ilha do Governador (RJ), realizou o Curso de Operações de Paz para Mulheres, que recebeu civis e militares, brasileiras e estrangeiras, dos cinco continentes, além de estudantes de 10 universidades e jornalistas de quatro veículos de comunicação.
Para o Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Almirante de Esquadra (Fuzileiro Naval) Carlos Chagas Vianna Braga, que ministrou a aula inaugural, o curso é um projeto muito bem-sucedido.
“Começamos há alguns anos e estamos muito orgulhosos de conduzir mais uma edição desse curso no Centro de Operações de Paz e Humanitárias de Caráter Naval. Especialmente, estamos comemorando 25 anos da agenda Mulheres, Paz e Segurança, momento muito importante no Brasil, nas Nações Unidas e no mundo. Temos aqui reunidas mulheres de todos os continentes do planeta, o que demonstra claramente a contribuição desse Centro para a promoção da paz e a da segurança internacional”, afirmou o Almirante Carlos Chagas.
O Curso de Operações de Paz para Mulheres do COpPazNav é realizado anualmente, nas versões nacional e internacional. O curso conta com a parceria do Ministério da Defesa e da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores, para que nações em desenvolvimento tenham a oportunidade de realizar o treinamento. Em sua 14ª edição, o treinamento teve como propósito ampliar a capacitação de mulheres em Operações de Paz, destacar o impacto da presença feminina na busca de soluções pacíficas e sustentáveis e incentivar o networking internacional entre as alunas.
Um dos grandes destaques da programação foi a presença da Conselheira Militar para Operações de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU), General de Divisão Cheryl Pearce, da Austrália, que proferiu uma palestra para as alunas e acompanhou algumas das atividades. Em sua apresentação, a General Pearce destacou a importância da presença feminina nas missões de paz da ONU.
“Muitas das nossas missões têm um mandato explícito de proteção de civis. Para estarmos nas comunidades e interagirmos para entender os seus riscos de segurança, a sua saúde, todas as suas preocupações, precisamos dialogar com homens e mulheres. Muitas das mulheres não estão preparadas para falar com um grupo de homens. Elas querem poder falar com mulheres. Querem poder comunicar num local onde se sintam seguras e poder partilhar os seus pensamentos e preocupações”, afirmou a principal autoridade militar da ONU.

Para a líder de esquadrão da Força Aérea Nigeriana, Abigail Ologun, as palestras foram enriquecedoras: “É muito importante que as mulheres que participaram dessas missões nos falem de suas experiências. Ver colegas mulheres fazendo sucesso, mudando o mundo, é realmente algo encorajador. A General veio e nos fez entender que podemos fazer sucesso. Podemos conseguir mais do que os homens podem na operação de manutenção da paz. Aprendi muito sobre as diferentes missões das Nações Unidas e, tendo o conhecimento sobre aquelas que serviram e nos deram seus testemunhos, poderemos aplicá-lo em uma futura designação para esse tipo de missão”, disse.

De acordo com a Capitão (Médica) das Forças Armadas de Cabo Verde, Ana Cristina Mendonça, estar no curso é uma oportunidade única: “Há muito tempo já tinha ouvido falar dos ‘capacetes azuis’. Sempre tive essa curiosidade de servir. O meu objetivo é servir ao meu país no mais alto nível, em nível humanitário e em nível mundial. Essa oportunidade foi uma porta de entrada para mim. O curso foi muito proveitoso e enriquecedor. Aprender sempre para melhor servir”, garantiu a médica.

O curso também foi uma oportunidade inédita para a Suboficial da Marinha Inglesa Sarah Rushton: “É a minha primeira vez no Brasil e eu não participei de nada sobre as Operações de Paz da ONU antes. É muito interessante, especialmente sob uma perspectiva feminina, ouvir dessas mulheres, de diferentes países, o que elas fizeram e fazem”, relatou.
As práticas do curso de Operações de Paz para Mulheres envolveram situações de resgate, sobrevivência e tomada de decisões. Essas habilidades são necessárias para as mulheres atuarem em missões localizadas em países com instabilidades políticas, graves dificuldades sociais e de segurança.

A brasileira do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ), Capitão Ana Carolina Panza, considera que o curso contribuiu para a sua formação pessoal e profissional. “Eu recebi a indicação de outras militares do Corpo de Bombeiros que já fizeram esse curso em edições anteriores. Minha expectativa é aprender bastante sobre as missões. Fazer integração com outros povos e culturas de outros países. Fora do Corpo de Bombeiros, eu sou estudante de Geografia, então, para mim, esse curso foi de grande valia”, lembrou.


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