A Marinha do Brasil incorporou, nesta sexta-feira (19), o Aviso Hidroceanográfico “Cananéia” (H-16), durante cerimônia de Mostra de Armamento realizada no Complexo Naval da Ponta da Armação, em Niterói (RJ). Doada pela Universidade de São Paulo (USP), a embarcação passa a reforçar as atividades de coleta de dados hidrográficos, oceanográficos, meteorológicos, geológicos e geofísicos, além de contribuir para a manutenção de auxílios à navegação.

Primeira embarcação oceanográfica inteiramente construída no Brasil, o navio entrou em operação em 2013 como Barco de Pesquisa “Alpha Delphini”, sendo incorporado à frota da USP para servir ao Instituto Oceanográfico (IO). Durante mais de dez anos, desempenhou papel fundamental em levantamentos batimétricos, monitoramentos costeiros e estudos sobre biodiversidade marinha e mudanças climáticas. Nesse período, passou a ser utilizado como laboratório embarcado, contribuindo para a formação prática de sucessivas gerações de oceanógrafos, geólogos, biólogos e outros especialistas ligados às ciências do mar.

“O navio revelou-se um meio de inestimável valor para o avanço da oceanografia nacional, atuando em projetos de monitoramento do litoral paulista, estudos da dinâmica de estuários e da plataforma continental, pesquisas sobre impactos ambientais e interações entre o oceano e a atmosfera. Sua versatilidade possibilitou integrar ciência e ensino, aproximando a Universidade da sociedade por intermédio de descobertas que fortaleceram a gestão ambiental e a sustentabilidade dos mares”, destacou o Chefe do Estado Maior da Armada, Almirante de Esquadra Arthur Fernando Bettega Corrêa.

Em agosto de 2025, a embarcação passou por um cronograma de adequações no Complexo Naval da Ponta da Armação. Foram realizadas inspeções técnicas, ajustes de padronização e a instalação de sistemas voltados à segurança, comunicações, salvatagem e controle de avarias. O navio também recebeu novos equipamentos e suprimentos de saúde, além da identidade visual da Marinha, com mudanças de nome, numeral e pintura.

“Essas adaptações permitem que o navio atenda integralmente às normas e padrões operativos da Força, ampliando sua autonomia para missões em diferentes áreas da costa brasileira”, explica o Comandante do Grupamento de Navios Hidroceanográficos (GNHo), Capitão de Mar e Guerra Luiz Ricardo Batista Ramalho. Segundo o Comandante Luiz Ricardo, “o ‘Cananéia’ chega para reforçar a capacidade da Marinha de realizar pesquisas científicas e assegurar a segurança da navegação em prol do desenvolvimento do País”, ressaltou.

Com a incorporação, o Aviso Hidroceanográfico terá a missão de ampliar o conhecimento sobre o ambiente marítimo, apoiar a atualização de cartas náuticas e contribuir para a sinalização náutica e o balizamento, com o objetivo de garantir a segurança da navegação e a proteção de portos e terminais. O navio poderá ainda atuar em cooperação com a Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM) e com universidades federais e estaduais, fortalecendo a integração entre pesquisa científica, políticas ambientais e defesa nacional.

O Diretor de Hidrografia e Navegação, Vice-Almirante Marco Antônio Linhares Soares, ressaltou a importância da contribuição da universidade para o fortalecimento das atividades da Marinha: "Gostaria de manifestar a gratidão da Marinha do Brasil à USP pela doação do navio, que chega em momento oportuno na DHN. Recentemente, tivemos a saída do Navio Hidroceanográfico ‘Amorim do Valle’ das atividades de hidrografia, e o ‘Cananéia’ vai contribuir para atendermos à crescente demanda por levantamentos hidrográficos.”

 

“Cananéia” homenageia cidade litorânea de São Paulo

Em maio de 1939, a Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN) imprimiu a carta náutica nº 1703, referente ao porto de Cananéia, sendo a primeira a ser totalmente produzida no Brasil. Até então, a elaboração ocorria em território nacional, mas a impressão era realizada nos Estados Unidos da América.

 
Quase 70 anos de parceria entre USP e MB

A doação também simboliza a continuidade de uma parceria histórica entre a USP e a Marinha. Desde 1956, quando a Força Naval decidiu que pesquisas em ciência e tecnologia deveriam ser conduzidas em colaboração com instituições civis, as duas organizações mantêm cooperação ativa. Dessa aliança surgiu o primeiro curso de Engenharia Naval do Brasil, na Escola Politécnica da USP, além de uma série de projetos que integram ciência, formação acadêmica e defesa.

Assista ao vídeo:

youtube[https://www.youtube.com/embed/5IXksC93-M0?rel=0&]

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Comentários

Jose Silva Oliveira (não verificado) Qui, 25/09/2025 - 17:01

Bravo Zulu para a USP.

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