A possibilidade de que futuros computadores quânticos — capazes de processar informações em velocidade muito superior à dos computadores atuais — comprometam métodos de criptografia hoje utilizados para proteger dados e comunicações tem mobilizado pesquisadores, empresas e instituições de Defesa em todo o mundo. Com esse foco, a Marinha do Brasil (MB) realizou, em 27 de maio, o 1º Simpósio de Criptografia Pós-Quântica de Defesa, no Centro Tecnológico da Marinha no Rio de Janeiro (CTMRJ), reunindo especialistas para discutir estratégias de proteção de dados e comunicações digitais diante dos avanços dessa tecnologia.

Durante a abertura, a Diretora do Centro Tecnológico da Marinha no Rio de Janeiro (CTMRJ), Contra-Almirante (Engenheiro Naval) Ana Valéria Greco de Sousa, destacou a relevância do evento para o fortalecimento da pesquisa, da inovação e da cooperação entre organizações voltadas ao desenvolvimento tecnológico e à segurança da informação.

A realização deste simpósio fortalece o diálogo e a integração entre instituições que atuam nas áreas de pesquisa, inovação e segurança da informação. Trata-se de um tema que impacta não apenas a área de Defesa, mas toda a sociedade, especialmente em um cenário cada vez mais digital e conectado. A computação quântica representa um importante avanço tecnológico, mas também impõe novos desafios à proteção de dados e das comunicações digitais”, afirmou a Diretora do CTMRJ.

Ao longo do simpósio, especialistas e pesquisadores presentes no evento destacaram que setores como Defesa e sistema financeiro estão entre os mais vulneráveis aos impactos da computação quântica sobre os métodos atuais de criptografia. 

Dentre os setores mais atingidos pela ameaça de quebra de criptografia estão o setor de Defesa e, principalmente, o setor financeiro, onde a segurança da informação é muito relevante, motivo pelo qual tanto no Brasil quanto ao redor do mundo, bancos e instituições financeiras lideram as buscas por pesquisas aplicadas em novas formas de criptografia resistentes à computação quântica”, destacou o palestrante Carlos Speglich, da Startup Dobslit.

Pesquisadores e instituições têm buscado desenvolver novas formas de proteção de dados, conhecidas como criptografia pós-quântica (algoritmos criptográficos projetados para resistir a possíveis ataques, fortalecendo a segurança de comunicações e sistemas digitais), capazes de resistir aos avanços dessa tecnologia.

A criptografia pós-quântica é fundamental porque protege a informação não só no presente, mas também no futuro. Um contrato assinado hoje, por exemplo, de um imóvel, precisa permanecer seguro por vários anos. O mesmo acontece com informações estratégicas e operações militares”, afirmou o Dr. Roberto Gallo, da empresa Kryptus.

O evento também contou com a participação do Vice-Almirante (Reserva) Alfredo Martins Muradas, Assessor-Chefe de CT&I da Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, do Sr. Eldues Oliveira Martins, da Petrobras, e demais palestrantes especialistas, entre eles, o Dr. Eduardo Mobilon, do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações; o Professor Doutor Raphael Machado e o Professor Doutor Luis Antonio Brasil Kowada, da Universidade Federal Fluminense; o Professor Doutor Demerson Nunes Gonçalves e o Tenente-Coronel Vítor Gouvêa Andrezo Carneiro, do Instituto Militar de Engenharia; o Professor Doutor Julio Lopez, da Universidade Estadual de Campinas e o Professor Doutor Thales Paiva, da Universidade de São Paulo; e demais convidados de instituições ligadas às áreas de tecnologia e inovação.

O tema, que envolve ciência, inovação e segurança cibernética, também possui importância estratégica para a proteção de informações sensíveis e infraestruturas críticas do País.

No encontro, foram apresentados e discutidos os desafios atuais relacionados à proteção criptográfica de longo prazo, reforçando a importância do investimento em pesquisa, inovação e cooperação entre instituições para o desenvolvimento de soluções tecnológicas capazes de acompanhar os desafios impostos pela evolução digital. 

Na área da tecnologia quântica, o avanço da computação apresenta-se como um dos grandes desafios da atualidade, principalmente no que diz respeito à proteção da informação, especialmente no contexto da Defesa, em que a segurança das comunicações e a preservação da soberania nacional possuem caráter inegavelmente estratégico”, destacou o Diretor do Centro de Análises de Sistemas Navais (CASNAV), Capitão de Mar e Guerra Hugo Leonardo Fernandes da Costa.

Ao promover o intercâmbio de conhecimentos e fortalecer a pesquisa em criptografia pós-quântica, o simpósio reforçou a importância da cooperação entre Defesa, meio acadêmico e setor tecnológico para o desenvolvimento de soluções voltadas à segurança digital do País diante dos desafios tecnológicos do futuro.

 

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