Terminou, nesta sexta-feira (14), o 2º Exercício de Proteção de Cabos Submarinos, coordenado pela Marinha do Brasil (MB), no litoral de Fortaleza (CE). A operação mobilizou 385 militares e 23 meios, incluindo o Navio de Socorro Submarino “Guillobel” (K120), o Submarino “Humaitá” (S41) e o helicóptero SH-16 “Seahawk”, além do Avião de Patrulha P-95, da Força Aérea Brasileira (FAB). Também participaram 44 técnicos de diferentes empresas responsáveis por cabos submarinos.
Esse exercício buscou contribuir para o estabelecimento de normas, rotinas e procedimentos. Convidamos as empresas, as instituições envolvidas e forças de segurança. É muito importante compartilhar dados, porque, ao final, o nosso propósito é o mesmo: proteger nossos cabos submarinos e contribuir para a soberania do nosso País”, avalia o Comandante do 3º Distrito Naval, Vice-Almirante Jorge José de Moraes Rulff, Comandante do Grupo Tarefa à frente da Operação Tridente.
Atualmente, o Brasil conta com 17 sistemas de cabos submarinos, que interligam os estados do País entre si e com o restante do mundo. Essa infraestrutura é responsável por quase a totalidade da transmissão de dados, viabilizando a interconexão dos sistemas de telecomunicações e internet. Por meio dela, são realizados serviços governamentais, transações comerciais e financeiras, todos potenciais alvos de ações que podem comprometer a segurança nacional.

Um navio de fora pode entrar nas águas brasileiras; ele tem a liberdade de fazer as passagens inocentes. Mas existem algumas atividades que não podem ser exercidas sem autorização da Marinha. Então, o que fizemos nesse exercício foi utilizar todos os nossos meios e capacidades para identificar o navio suspeito em posicionamento dinâmico e também a operação do ROV (do inglês, Remotely Operated Vehicle), fornecido pela empresa BRS Robótica Submarina, o que nos permitiu entender que temos uma embarcação dentro das águas jurisdicionais brasileiras realizando uma atividade não autorizada. Isso foi o grande ganho”, explicou o Comandante Naval de Operações Especiais, Contra-Almirante (Fuzileiro Naval) Stewart da Paixão Gomes.
A operação contou com a participação de diversos órgãos públicos, como o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), a Polícia Federal, a Companhia Docas do Ceará, a Polícia Civil do Estado do Ceará, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social, a Polícia Militar do Estado do Ceará, a Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania, a Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras), os Ministérios da Defesa e das Comunicações, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e a FAB.
Também integraram o exercício empresas privadas do setor de telecomunicações e tecnologia, como Telxius, Azion, Aquamar, SM Salvage, Sparkle, V.Tal-Globenet, Seaborn, Angola Cables, EMGEPRON, Backbone, BRS Robótica Submarina, Tidewise, Tecto, Google, Nic.br e Comitê Brasileiro de Proteção de Cabos Submarinos.
Veja, a seguir, os detalhes da operação de cada Grupo-Tarefa.
Submarino “Humaitá”
Dentre os meios utilizados na operação, o Submarino “Humaitá” (S41) é reconhecido por sua discrição e capacidade de ocultação. Com 50 tripulantes a bordo, o S41 chegou ao Ceará no dia 6 de novembro, para integrar o Grupo Tarefa da Operação. Durante a fase marítima do exercício, que ocorreu nos dias 12 e 13 de novembro, realizou atividade de inteligência, vigilância e reconhecimento, a 50 milhas náuticas (cerca de 90 quilômetros) do Porto de Mucuripe (CE).

Navio de Socorro Submarino (NSS) “Guillobel”
O NSS “Guillobel” recebeu a tarefa de comportar-se como um figurativo navio de pesquisa oceânica realizando atividades anômalas sobre o cabo submarino da empresa Angola Cable, utilizando ROV. Foi simulada uma intervenção intencional no cabo submarino, o que ocasionou um esforço integrado de defesa marítima com a participação de um helicóptero SH-16 “Seahawk”, do Submarino “Humaitá” e de um destacamento de Mergulhadores de Combate com apoio da Capitania dos Portos do Ceará.


Grupo-Tarefa de Operações Litorâneas
No dia 11 de novembro, foi realizado um adestramento que simulou uma situação de resgate de reféns e retomada de instalações no prédio da empresa Angola Cables. Durante o exercício, após um sequestrador fazer reféns, as Forças de Segurança foram acionadas e efetuaram o isolamento da área em crise, com a participação do 3º Batalhão de Operações Litorâneas. Em seguida, uma equipe iniciou as tentativas de negociação com o sequestrador.

Com o esgotamento de todas as possibilidades de solução pacífica, uma equipe de Comandos Anfíbios, do Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais, recebeu a ordem para retomar as instalações, neutralizar a ameaça, resgatar os reféns e permitir o reestabelecimento das condições normais de operação.
Grupamento de Mergulhadores de Combate
Para o Destacamento de Retomada e Resgate, formado por Mergulhadores de Combate, o envolvimento no planejamento estratégico e operacional, além do próprio exercício, permitiu aprimorar as capacidades como um único elemento coeso de operações especiais. Com apoio da Capitania dos Portos do Ceará e de seus inspetores navais, em suas tarefas afetas à segurança do tráfego aquaviário, e do Núcleo Especial de Polícia Marítima (NEPOM) da Polícia Federal, os militares abordaram o navio suspeito, simulado pelo NSS “Guillobel”, que navegava de forma anômala nas proximidades do cabo submarino da empresa de telecomunicações Angola Cables, próximo ao Porto de Mucuripe.

SH-16 “Seahawk”
A aeronave SH-16 “Seahawk” decolou do aeroporto de Fortaleza (CE), na manhã de 12 de novembro, para abordar o NSS “Guillobel”. Após a decolagem, rapidamente a aeronave obteve o contato de interesse no radar de busca de superfície e realizou uma aproximação discreta. Em seguida, identificou o navio com o auxílio de todos os seus sensores, o que oportunizou realizar uma abordagem efetiva dentro do propósito estabelecido.

Neste exercício, também foi utilizado o sistema sonar aerotransportado de profundidade variável (HELRAS), o que oportunizou ganho de experiência operacional em cenários desse tipo. A aeronave SH-16 teve oportunidade de demonstrar sua versatilidade, revelando características de um meio multiemprego, sem abandonar a sua missão principal de guerra antissubmarina. O objetivo foi detectar, localizar, identificar e, eventualmente, interrogar e apoiar a abordagem a navios com comportamento anômalo durante a navegação nas águas jurisdicionais brasileiras.

Assista ao vídeo:
youtube[https://www.youtube.com/embed/6dIV-a3ytTo?rel=0&]



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