A Marinha do Brasil (MB), por meio da Banda Sinfônica do Corpo de Fuzileiros Navais, apresentou-se, na noite de quarta-feira (29), na Igreja de Nossa Senhora da Candelária, no Centro do Rio de Janeiro, durante a programação do XXI RioHarpFestival. O concerto gratuito reuniu repertório de música erudita e brasileira, com participação de harpista, coro, gaitas de fole e solistas.
A apresentação foi realizada em parceria com o projeto Música no Museu, idealizador do festival, e integrou a programação cultural aberta ao público.

Abertura do espetáculo
O concerto teve início com um solo da Terceiro-Sargento Giovana Santos. A harpista interpretou a obra “Fantasia sobre a Ária das Bachianas Brasileiras nº 5”, de Heitor Villa-Lobos na abertura da apresentação.
Para a militar, a oportunidade de atuar como solista representando os músicos da Marinha em um festival de projeção internacional traz um sentimento de missão cumprida. “É uma responsabilidade muito grande, como harpista, representar a Banda Sinfônica e tantos músicos da Marinha do Brasil. Mas temos tido êxito em levar a nossa cultura para a sociedade por meio da nossa habilidade técnica e mostrar um pouco do que fazemos ao longo do ano. Estar em contato com as pessoas, receber esse carinho e ver o reconhecimento do trabalho da nossa banda é motivo de uma satisfação imensa”, destacou a Sargento Giovana Santos.

A espectadora Cleudette Silva fez questão de chegar cedo para garantir um assento nas primeiras fileiras, destacando o sentimento de gratidão e acolhimento proporcionado pela apresentação. "O meu sentimento é de gratidão a todos que promoveram esse lindo encontro. Nós fomos acolhidos por todos que fazem a vida com a música ser melhor. Esse foi o evento mais grandioso, um momento em que me senti cercada de amor e de amigos.”
A identificação do público com as apresentações das Bandas dos Fuzileiros Navais também esteve presente na fala do espectador Marcos André Barroso, que fez questão de prestigiar o conjunto militar novamente após acompanhá-los em outro espaço cultural do Rio.
Ver a apresentação na Candelária foi maravilhoso, mas eu também me lembrei da apresentação no Palácio Capanema, que foi sensacional. Eu estava saindo de um evento no Ministério do Trabalho quando me deparei com os músicos. Gostei muito daquela tarde e de ter participado daquela apresentação, me senti muito leve, o que me motivou a estar aqui nesse momento. Gostaria de parabenizar a todos os envolvidos e à Marinha por esse trabalho maravilhoso, porque a música é o alimento da nossa essência e da nossa alma. Isso nos eleva e nos faz muito bem. Parabéns pelo trabalho”, celebrou Marcos André.
Sob a regência alternada de três maestros — o Capitão de Corveta Cardoso, a Capitão-Tenente Gizelle Rebouças e o Capitão de Corveta Nerias Morel —, o concerto conduziu os espectadores por uma rica jornada musical. O repertório foi desenhado para dialogar com o público, alternando obras eruditas mundiais com composições nacionais.
A Capitão-Tenente Gizelle Rebouças enfatizou a sinergia entre o templo secular e o programa musical preparado para a ocasião. “A Igreja da Candelária, com toda a sua beleza, tradição e atmosfera sublime, é um cenário extraordinário para receber este repertório, que reúne grandes obras da música clássica, sonoridades variadas e a delicadeza da harpa. Foi uma noite de muita emoção”, afirmou a regente.
Entre os destaques da noite, estiveram a peça sacra “Panis Angelicus”, de César Franck, com solo da Primeiro-Sargento Patrícia Monção; o clássico napolitano “Core ‘Ngrato”, entoado pelos tenores Samuel Alves e Felipe Neves; e composições brasileiras de destaque, como “Terra Brasilis” – Fantasia sobre o Hino Nacional Brasileiro”, de Clarice Assad, e “Suíte Marítima”, de autoria do militar da Marinha Sargento Gessé Souza. Outro ponto alto foi a entrada marcante das Gaitas de Fole do Corpo de Fuzileiros Navais, que se uniram ao coro nas peças “Ode à Alegria”, de Beethoven, e “YouRaise Me Up”.


Segundo o Diretor da Companhia de Bandas do Corpo de Fuzileiros Navais, Capitão de Corveta Wagner Cardoso, as apresentações musicais aproximam os militares do público em diferentes espaços culturais. “A Marinha está sempre ao lado da sociedade. Através da música, também nos colocamos junto à população. Todas as vezes que tocamos em espaços públicos, nos sentimos abraçados. Perceber a alegria do público mostra que cumprimos muito bem o nosso papel de estar ao lado da sociedade”, ressaltou o regente.
Público acompanha concerto na Igreja Candelária
O Vice-Provedor da Irmandade do Santíssimo Sacramento da Candelária, Luiz Bonfim, destacou a tradição da igreja em receber concertos e atividades culturais, lembrando que o Projeto Candelária promove apresentações musicais no templo há mais de três décadas.
O concerto da Banda Sinfônica foi excepcional, por conta de uma banda de músicos excelentes e disciplinados. Começou lindamente com o solo de harpa e terminou lindamente com ‘Cisne Branco’, esse hino que mexe com todos nós”, ressaltou o Vice-Provedor.
Para o idealizador e diretor do projeto Música no Museu, Sérgio Costa e Silva, a realização do concerto proporcionou um momento de encontro para o público, em um dia marcado pelos transtornos provocados pelos ventos de até 100 km/h que atingiram a capital fluminense nesta quarta-feira (29). Ao fim da apresentação, Sérgio anunciou a continuidade do RioHarpFestival, com a realização da edição latino-americana em setembro.
Ver a Candelária lotada com esse espetáculo nos dá uma alegria imensa. Esse espaço tornou-se um verdadeiro oásis de tranquilidade diante da rotina agitada e caótica da cidade. A música traz tranquilidade e esperança, além de aproximar as pessoas. Foi um momento para ficarmos extasiados com a grandeza da orquestra. E o nosso RioHarpFestival continua: em setembro teremos a versão latino-americana, com um mês inteiro dedicado à música no Rio, ocupando espaços como o Real Gabinete Português de Leitura e o Palácio do Catete”, anunciou.

Coroando a grande noite na Igreja da Candelária, a Banda Sinfônica encerrou o concerto com a execução da tradicional canção marinheira “Cisne Branco”, hino oficial da MB.
RioHarpFestival e a tradição no Rio de Janeiro
Consolidado como o maior evento do gênero no cenário internacional, o RioHarpFestival encerra sua 21ª edição no dia 31 de julho. Integrado ao projeto Música no Museu, o festival promoveu ao longo de um mês uma extensa maratona de apresentações gratuitas espalhadas por pontos turísticos e centros culturais da cidade, como o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB Rio) e o Jockey Club Brasileiro.
Em 2026, a edição reuniu cerca de 150 músicos e conjuntos vocais vindos de mais de 20 países das Américas, Europa, Ásia, África e Oriente Médio. O evento registrou um público acumulado superior a 7 mil pessoas.


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