Neste sábado (11), o Navio Hidroceanográfico (NHo) “Garnier Sampaio”, da Marinha do Brasil (MB), conduziu a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, nas águas da Baía do Guajará, em Belém (PA), durante a 38ª edição da Romaria Fluvial. A procissão das águas é uma das 14 romarias oficiais que compõem o Círio de Nazaré, uma das maiores festividades religiosas do mundo.

A Romaria Fluvial teve início às 9h, no Trapiche do Distrito de Icoaraci, quando a Imagem foi recebida a bordo. De acordo com estimativas da Diretoria da Festa de Nazaré, da Paróquia de Nossa Senhora de Nazaré, cerca de 50 mil pessoas acompanharam a Romaria a bordo de embarcações e nas margens da Baía. O percurso, de 10 milhas náuticas (cerca de 18,5 quilômetros), encerrou-se na Escadinha do Cais do Porto, na Estação das Docas, centro da capital paraense. Neste local, a Imagem Peregrina foi retirada do NHo “Garnier Sampaio” e prosseguiu para a Moto Romaria.

Responsável pela garantia da segurança da navegação e pela proteção da vida humana durante o evento, a Capitania dos Portos da Amazônia Oriental recebeu as inscrições de 179 embarcações para a Romaria, desde motos aquáticas até ferryboats. Cada embarcação inscrita foi submetida à inspeção da Autoridade Marítima, que verificou documentação, equipamentos de salvatagem e demais requisitos de segurança. Não houve registro de incidentes.

Para compor o aparato logístico e prevenir acidentes durante o cortejo, a MB mobilizou 300 militares, que verificaram os limites de passageiros nas embarcações, o uso dos equipamentos obrigatórios, a idade mínima para tripular determinados tipos de embarcação, a presença de materiais explosivos e combustíveis, dentre outros fatores de risco.

“Durante o evento, é estabelecido um esquema de escolta do navio responsável por conduzir a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré e de controle do tráfego aquaviário de modo a manter as distâncias seguras entre as embarcações e garantir que a procissão fluvial transcorra com ordem e segurança”, avaliou o Comandante do NHo “Garnier Sampaio”, Capitão de Corveta Felipe Queiroz de Carvalho.

Além do NHo “Garnier Sampaio”, foram empregados na Romaria o Navio-Auxiliar “Pará”, os Navios-Patrulha “Bracuí”, “Bocaina”, “Guarujá” e “Pampeiro”, o Navio Balizador (NB) “Tenente Castelo”, os Avisos Hidroceanográficos Fluviais “Rio Xingu” e “Rio Tocantins”, a Lancha Balizadora “Vega”, motos aquáticas e lanchas de operações ribeirinhas.

A bordo do navio que transportou a Imagem Peregrina, estavam o Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen, o Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante de Esquadra Arthur Fernando Bettega Corrêa, o Diretor-Geral do Pessoal da Marinha, Almirante de Esquadra Renato Garcia Arruda, o Presidente da Caixa de Construções de Casas para o Pessoal da Marinha, Vice-Almirante Alexandrino Machado Neto, o Comandante do 4º Distrito Naval, Vice-Almirante Adriano Marcelino Batista, o Arcebispo Metropolitano de Belém, Dom Júlio Endi Akamine, o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Kassio Nunes Marques, dentre outras autoridades.

“Trabalhamos em duas vertentes: dar visibilidade, para que os fiéis pudessem ver a santa, e organizar todo o processo, para que todos pudessem ter acesso à imagem peregrina. Todas as embarcações foram previamente cadastradas, orientadas e inspecionadas para a garantia de que todos os participantes a bordo de qualquer embarcação estivessem seguros”, afirmou o Comandante do 4º Distrito Naval, Vice-Almirante Adriano Marcelino Batista.

 
Uma das maiores festas religiosas do mundo

A tradição católica paraense registra que, em outubro de 1700, o caboclo Plácido José de Souza encontrou, às margens do igarapé Murucutu, na cidade de Belém, uma imagem de 28 centímetros, feita em madeira, retratando Maria de Nazaré com o menino Jesus nos braços. O ribeirinho levou a imagem para casa, mas, por repetidas vezes, a imagem reaparecia às proximidades do igarapé. Ali, foi construída uma capela, marcando o início da devoção popular.

Desde 1793, Belém celebra o Círio de Nazaré durante o mês de outubro, com várias romarias, além de outras programações religiosas e artísticas. A maior procissão reúne dois milhões de fiéis pelas ruas da capital do Pará, no segundo domingo de outubro. O Círio é conhecido popularmente como o “Natal dos paraenses”, tamanha sua relevância cultural.

A imagem original, encontrada por Plácido, permanece guardada na Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré, igreja em estilo neoclássico inaugurada em 1909 e construída no local onde Plácido a encontrou.

NHo “Garnier Sampaio”

O NHo “Garnier Sampaio” participa da romaria fluvial do Círio de Nazaré desde 1999. Subordinado ao Centro de Hidrografia e Navegação do Norte, com sede em Belém, o Navio foi adquirido junto à Real Marinha Britânica em 1995, em função da necessidade da MB em possuir um Navio Balizador de Alto-Mar para emprego na manutenção de sinais flutuantes de grande porte.

O NHo "Garnier Sampaio" tem 47,6 metros de comprimento, 10,5 m de boca (largura) e 3,1 m de calado (distância entre a quilha e a linha d’água). Sua tripulação é composta por 35 militares. O nome é uma homenagem ao Submarinista Vice-Almirante Hélio Garnier Sampaio.

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Comentários

Isac do Nascim… (não verificado) Dom, 12/10/2025 - 18:38

queria saber como que esse curso acontece

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