A 16ª edição do Curso de Operações de Paz para Mulheres reúne 54 participantes de 20 países, entre os dias 10 e 14 de agosto, no Centro de Operações de Paz e Humanitárias de Caráter Naval (COpPazNav), no Rio de Janeiro. A capacitação combina atividades teóricas e práticas destinadas à preparação para a atuação em missões da Organização das Nações Unidas (ONU).

Participam desta edição alunas de 20 países: Bahamas, Bangladesh, Benin, Botsuana, Brasil, Colômbia, Costa do Marfim, Equador, Estados Unidos, Guiana, Guiné, Honduras, México, Moçambique, Paraguai, Peru, Senegal, Tailândia, Trinidad e Tobago e Vietnã. Das 54 participantes, 31 são brasileiras — 13 militares da Marinha do Brasil e 18 civis de instituições de ensino superior — e 23 são estrangeiras.

Para a Primeiro-Sargento Pawitra Meesonthi, das Forças Armadas Reais da Tailândia, o grande destaque do curso é a preparação oferecida para atuar em missões da ONU: “É muito importante esse treinamento porque quando algum país precisar das Nações Unidas, principalmente para auxílio a mulheres e crianças, que são o grupo mais vulnerável, poderemos ajudá-los com todo o conhecimento que adquirimos aqui”, afirmou.

A programação do curso combina conteúdos teóricos sobre o sistema das Nações Unidas com atividades práticas relacionadas à atuação em missões de paz. As atividades começaram na segunda-feira (10), com orientações iniciais e treinamentos sobre o sistema da ONU. Na abertura, o Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Almirante de Esquadra (Fuzileiro Naval) Carlos Chagas Vianna Braga, ministrou a aula inaugural e destacou a participação de representantes de diferentes países nesta edição.

Celebrar os 26 anos da agenda Mulheres, Paz e Segurança é reconhecer que o impacto dos conflitos é diferente para elas. O Plano Nacional de Ação do Brasil nos motivou a criar este curso em 2018 e temos muito orgulho de ver que os resultados vieram rápido, com ex-alunas sendo internacionalmente premiadas pela ONU. Hoje, alcançar essa integração com 20 países reafirma a contribuição do Corpo de Fuzileiros Navais e da Marinha do Brasil para a segurança global.”

A experiência brasileira em operações de manutenção da paz e a cooperação internacional também foram abordadas durante a programação. A Diretora-Adjunta da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), Embaixadora Maria Luiza Ribeiro Lopes da Silva, destacou a importância do intercâmbio de experiências entre os países participantes.

"Essa iniciativa é motivo de muito orgulho para nós, pois nos permite compartilhar nossa experiência em operações de manutenção da paz com todas vocês. O Brasil faz fronteira com dez países e nossos limites foram decididos pacificamente. Nós podemos e iremos solucionar nossos problemas através de negociações, não importa o tempo que leve, e é essa forte tradição de diplomacia e cooperação que estamos felizes em dividir aqui”, destacou a Embaixadora.

O período da tarde foi dedicado a palestras virtuais sobre a agenda “Mulheres, Paz e Segurança” (WPS), com Renata Giannini, e sobre o papel dos civis em operações de manutenção da paz, com Eduarda Hamann, da Rede Brasileira sobre Operações de Paz (REBRAPAZ).

A terça-feira (11) foi voltada para o estudo de casos e realidades operacionais. As alunas puderam absorver as lições aprendidas em missões reais, começando com a avaliação da Capacidade de Gênero na Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA). Na sequência, foram debatidos os desafios enfrentados por observadoras militares na Missão para o Referendo no Saara Ocidental (MINURSO).

No dia 12 de agosto, após o briefing dos exercícios e a divisão de grupos, as participantes deixaram as salas de aula para a primeira atividade de campo nas Instalações de Treinamento de Combate Urbano, onde vivenciaram a tensão de operar em ambientes hostis. À tarde, a programação seguiu com uma palestra sobre o papel da Junta Interamericana de Defesa (JID) na agenda WPS, seguida de uma apresentação sobre as lições aprendidas na Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL).

Para esta quinta-feira (13), a programação prevê atividades sobre violência sexual e violência sexual relacionada a conflitos (CRSV) no âmbito da MINUSCA, além de uma apresentação da Conselheira Militar de Gênero da missão. Também serão abordadas experiências da participação brasileira na Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH). A programação incluirá ainda a Pista de Liderança, atividade de campo voltada à tomada de decisão e ao trabalho em equipe.

A capacitação culminará na sexta-feira (14) com um breve exercício de campo, que consiste em uma simulação prática em escala reduzida, onde as alunas aplicarão todo o conhecimento tático, humanitário e de negociação absorvido durante a semana. Após o ensaio geral, o curso será oficialmente encerrado com a cerimônia de conclusão.

Entre as participantes brasileiras estão estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade Federal Fluminense (UFF), do Ibmec, da Estácio, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), além de representantes da Escola de Guerra Naval (EGN). A participação de civis e militares permite a troca de conhecimentos e experiências entre profissionais de diferentes áreas relacionadas às operações de paz.

Segundo Ana Beatriz Silva, aluna do curso de Relações Internacionais da UFF, vivenciar a rotina militar é o grande diferencial do curso. “Eu já realizei cursos nessa temática de defesa e segurança, mas nunca um curso de uma semana como esse, que agrega tanto conhecimento. Agora eu tenho mais noção do que é uma operação de paz em países que estão em guerra, lugares vulneráveis. Aprendi que nosso foco principal é trazer mais dignidade para as pessoas que são mais afetadas nesses conflitos”, frisou.

 

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