A primeira edição do Open de Jiu-Jítsu da Marinha do Brasil (MB), marcada para os dias 18 e 19 de julho no Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (CEFAN), no Rio de Janeiro (RJ), alcançou um feito expressivo antes mesmo de sua realização: as 2 mil vagas disponibilizadas foram preenchidas em menos de 12 horas. O número de acessos ao sistema de inscrições ultrapassou 40 mil, evidenciando o interesse do público pela modalidade e pela iniciativa promovida pela MB.

O evento foi aberto para mil crianças e jovens entre 8 e 17 anos e outros mil atletas das categorias adulto e master. Além de reunir praticantes de diferentes faixas etárias, a competição busca aproximar militares e civis por meio do esporte.

Segundo o Chefe do Departamento de Educação Física e Chefe da Equipe de Jiu-Jítsu da Marinha, Capitão de Corveta (Quadro-Técnico) Rodrigo Di Blazio Santos, o torneio é resultado do fortalecimento da modalidade dentro da Força Naval.

A comunidade de Jiu-Jítsu na Marinha do Brasil está muito fortalecida. Atualmente, mais de 140 Organizações Militares possuem faixas pretas em suas tripulações e milhares de Oficiais e Praças têm a oportunidade de participar de treinos de jiu-jítsu como complemento ao programa de Treinamento Físico Militar (TFM). Essa inserção percorre navios, batalhões de Fuzileiros Navais, Capitanias dos Portos, Bases, Distritos Navais e hospitais”, destaca.

De acordo com o Oficial, o Open nasceu com o propósito de promover integração e ampliar os laços entre a instituição e a sociedade.

“O Open de Jiu-Jítsu MB visa aproximar a sociedade e possibilitar a integração de militares e civis em uma grande apoteose do esporte”, frisa.

Atletas de diferentes regiões do País estarão presentes na competição. Nas categorias destinadas a menores de 18 anos, mais de 50 projetos sociais do estado do Rio de Janeiro foram convidados. Já nas categorias adulto e master, há atletas de diversos estados brasileiros. A lista oficial será divulgada em breve.

Além das disputas, o evento prestará homenagem a mestres e referências da modalidade que contribuíram para a difusão do Jiu-Jítsu na Marinha. Os finalistas serão premiados com medalhas.

Para receber uma competição desse porte, o CEFAN mobilizou uma ampla estrutura organizacional. Segundo o Capitão de Corveta Di Blazio, a coordenação conta com o apoio do Mestre de Jiu-Jítsu e Suboficial (Reserva) Alexandre PH, além de uma equipe especializada na condução do evento.

O sucesso das inscrições também reflete uma ligação histórica entre a Marinha e a modalidade. Foi a bordo do Navio-Escola “Benjamin Constant”, em 1908, durante uma passagem pelo Japão, que dois instrutores japoneses embarcaram e passaram a ensinar a arte marcial aos militares brasileiros. O episódio é considerado um marco da chegada do Jiu-Jítsu ao Brasil, tradição que permanece viva nas fileiras navais mais de um século depois.

O incentivo à modalidade integra uma atuação mais ampla da Marinha de promoção do esporte como ferramenta de desenvolvimento humano, preparação de atletas de alto rendimento e inclusão social. Esse compromisso da Força se reflete tanto em projetos voltados para competições internacionais quanto em programas que transformam a realidade de jovens brasileiros.

Boxe de alto rendimento rumo aos Jogos Mundiais Militares

O apoio da Marinha ao esporte de alto rendimento vai além dos tatames. No boxe, a Força mantém, em parceria com a Empresa Gerencial de Projetos Navais (EMGEPRON), o Projeto Lutando com Energia, iniciativa desenvolvida por meio da Lei de Incentivo ao Esporte e voltada para a preparação de atletas de elite.

Criado em 2018 pela Associação Desportiva Almirante Adalberto Nunes (ADAAN), MB e CEFAN, o projeto reúne atualmente um grupo permanente de 25 atletas de alto rendimento, que já iniciou a preparação para os 8º Jogos Mundiais Militares de Verão, previstos para 2027.

O Superintendente Estratégico, Esportivo e Administrativo da Comissão de Desportos da Marinha (CDM) e Chefe da Equipe de Boxe da Marinha, Capitão de Mar e Guerra (Reserva-Fuzileiro Naval) Marcelo Christino Ferreira, explica que a equipe de Boxe da Força surgiu a partir de um processo de recrutamento de atletas de alto nível iniciado após os Jogos Pan-Americanos de 2007, quando a Marinha passou a estruturar sua participação nos Jogos Mundiais Militares.

A meta foi alcançada com o título de campeão por equipes no 5° Jogos Mundiais Militares (4 ouros e 2 bronzes). O Brasil foi o campeão geral no quadro de medalhas. O Programa deu certo e prossegue até hoje. Desde sua criação, a Equipe de Boxe da MB e do Brasil esteve entre as melhores equipes militares do mundo e contribui muito para a projeção do boxe brasileiro”, conta.

De acordo com o coordenador do projeto Lutando com Energia, Nemo Júdice, que também está à frente da preparação técnica dos atletas que integram a iniciativa, o projeto surgiu da necessidade de ampliar os investimentos na preparação da equipe após os resultados expressivos alcançados pela Marinha em competições nacionais e internacionais.

“O objetivo sempre foi dar condições de treinamento de excelência para a equipe buscar os melhores resultados tanto no cenário militar quanto no civil”, explica.

Os atletas treinam em regime integral no Centro de Boxe do CEFAN e contam com uma comissão técnica de nível internacional, composta por treinador, preparador físico, auxiliar técnico e fisioterapeuta especializado na modalidade. O projeto também oferece materiais específicos de alto desempenho, uniformes e apoio para participação em competições.

A infraestrutura do CEFAN é uma das melhores na América Latina, e possibilita o desenvolvimento dos atletas de forma multidisciplinar ao oferecer tudo que o atleta precisa para alcançar seus resultados”, reforça o comandante Marcelo Ferreira.

De acordo com o professor Nemo Júdice, a expectativa para os Jogos Mundiais Militares de 2027 é desafiadora. “A concorrência é muito grande, mas confiamos que faremos uma ótima preparação no CEFAN para alcançar a meta de três medalhas”, afirma.

A parceria entre a Marinha e a EMGEPRON é considerada fundamental para os resultados obtidos pela equipe e os resultados já aparecem dentro e fora do ambiente militar. Atualmente, a equipe da Marinha é bicampeã mundial de clubes de boxe e possui atletas medalhistas em campeonatos mundiais e copas do mundo da modalidade.

Mais do que formar campeões, o projeto busca desenvolver valores que acompanhem os atletas por toda a vida. “Nosso lema é formar bons atletas e cidadãos”, resume o coordenador.

O comandante Marcelo Ferreira também ressalta o impacto social do projeto na formação dos atletas militares e civis. “O apoio da Marinha oferece a estabilidade necessária para o foco total na performance. O projeto ainda promove ascensão social e cidadania, servindo de exemplo de que o esporte, aliado à disciplina militar, é um caminho sólido para um futuro promissor”, completa.

Do PROFESP ao topo da América do Sul

A transformação promovida pelo esporte também pode ser medida pela trajetória da jovem Samanta Souza. Aluna do Programa Forças no Esporte (PROFESP) do CEFAN desde 2021, quando ingressou aos 11 anos, ela acaba de conquistar o título de campeã sul-americana de karatê em Cartagena, na Colômbia.

Moradora da Comunidade Marcílio Dias, no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, Samanta conheceu a modalidade por meio do programa social da Marinha e iniciou sua trajetória esportiva sem qualquer experiência prévia.

Eu cheguei ao CEFAN aos 11 anos através do PROFESP, buscando uma oportunidade para ocupar meu tempo e não ficar ociosa na favela. Foi lá que conheci o karatê e encontrei um caminho para transformar minha vida”, conta.

Desde 2022, a atleta passou a se dedicar integralmente ao esporte, contando com o apoio da estrutura oferecida pela Marinha e do acompanhamento do técnico, Sargento Pereira.

No Campeonato Sul-Americano, enfrentou adversárias da Colômbia, Paraguai, Venezuela e Equador até conquistar a medalha de ouro.

“Foram lutas muito difíceis, contra atletas de alto nível. A diferença foi a preparação, a confiança e tudo que treinamos diariamente no CEFAN. Entrei focada, acreditando no meu trabalho e colocando em prática o que trabalhei com meu técnico”, afirma.

A conquista se soma ao ouro obtido nos Jogos Sul-Americanos da Juventude, realizados no Panamá, em abril, consolidando um momento especial na carreira da jovem atleta.

É uma felicidade enorme e uma sensação de dever cumprido. Quando lembro de onde comecei, aos 11 anos no PROFESP, vejo que todo esforço valeu a pena. Não sei o que seria de mim sem a Marinha na minha vida”, disse.

Para representar o Brasil no Sul-Americano, Samanta precisou conquistar os títulos das seletivas estadual e nacional. Agora, com o ouro na América do Sul, garantiu vaga para o Campeonato Pan-Americano de Karatê, que será disputado em agosto, na Costa Rica.

Ao refletir sobre sua trajetória, a atleta resume o impacto do programa social na vida de centenas de jovens brasileiros.

“O PROFESP salva vidas, muda histórias. De onde eu venho, muitos se perderam para o crime. Eu me sinto um exemplo de que uma oportunidade pode abrir novos caminhos. A Marinha oferece estrutura, disciplina e valores que ajudam jovens a sonharem mais alto. Hoje vivo um sonho que começou dentro do CEFAN”, finaliza.

 

Se no Open de Jiu-Jítsu a Marinha abre seus portões para aproximar a sociedade do esporte, no Projeto Lutando com Energia prepara atletas para desafios internacionais e, por meio do PROFESP, oferece a jovens como Samanta Souza a oportunidade de construir novos caminhos. Em diferentes modalidades, o esporte se consolida como uma ferramenta de integração, excelência e transformação social.

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