Militares da Marinha do Brasil (MB) que comporão o Grupo-Base da Operação Antártica 2025/2026 participaram, no mês de agosto, de um treinamento promovido em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Petrobras. O objetivo foi preparar a equipe para prevenir e responder a emergências ambientais durante a missão de apoio à Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), localizada na Península Keller.
Além das ações de prevenção e pronta resposta a incidentes ambientais, o Grupo-Base terá a missão de zelar pela funcionalidade de todas as instalações da EACF, bem como operar e manter seus sistemas e equipamentos, garantindo o pleno funcionamento da estação.
A capacitação está em consonância com os requisitos do Protocolo de Madri e da legislação nacional, que estabelecem medidas rigorosas de proteção ambiental no continente. O Grupo de Avaliação Ambiental (GAAm) do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR) elaborou um Plano de Contingência para Derramamento de Óleo (PCDO), que orienta as ações do Grupo-Base em casos de incidentes envolvendo combustíveis.
Os militares participaram de aulas teóricas na Estação de Apoio Antártico (ESANTAR Rio), no Rio de Janeiro. As atividades práticas ocorreram na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), em parceria com o Centro de Defesa Ambiental (CDA) da Petrobras, e na Ilha de Paquetá. Nesses locais, foram empregados equipamentos e técnicas similares às empregadas no abastecimento da Estação Comandante Ferraz.
Durante os exercícios, os militares praticaram a identificação das condições adequadas para o emprego de barreiras de contenção, sua instalação por diferentes métodos, a montagem de ambientes destinados à descontaminação de pessoal e equipamentos, e o descarte de resíduos contaminados.

O Capitão de Fragata Felipe Cardoso de Araújo, que assumirá o comando do Grupo-Base 2026, destacou a relevância da preparação: “A distância de pontos que possam servir de apoio à Estação exige que todas as tarefas sejam minuciosamente planejadas e cuidadosamente executadas. Dessa forma, o aprendizado adquirido por meio do treinamento possibilita a prevenção de incidentes e a mitigação de danos em caso de sinistros.”
A capacitação contou com a participação do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo-Ibama), cuja experiência em ações de prevenção e resposta a emergências ambientais contribuiu para fortalecer a cultura de proteção em diferentes cenários.
Para o Capitão de Fragata Felipe Araújo, a missão tem também um aspecto pessoal: “A principal motivação é, sem dúvidas, a oportunidade de contribuir com o Programa Antártico Brasileiro e cooperar com a realização da pesquisa científica de grande relevância no continente antártico. Nesse contexto, a preservação do ambiente torna-se ainda mais importante, uma vez que sua deterioração comprometeria não apenas a qualidade e a continuidade dos trabalhos científicos, mas também representaria um contrassenso em relação à mentalidade que se pretende difundir na sociedade por meio dos resultados das pesquisas.”
Programa Antártico Brasileiro promove ciência com relevância global
O Programa Antártico Brasileiro busca promover a pesquisa científica diversificada e de alta qualidade na região antártica, com o intuito de compreender os fenômenos que ali ocorrem, que tenham repercussão global e, em particular, sobre o território brasileiro. Essas pesquisas também garantem ao País a condição de Membro Consultivo do Tratado da Antártica, que assegura a participação do Brasil nas decisões sobre o futuro do continente antártico.
Anualmente, o PROANTAR apoia, em média, cerca de 29 projetos de pesquisa em diversas áreas como oceanografia, biologia, glaciologia, geologia, meteorologia, entre outras. Os projetos são selecionados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
Além do Navio de Apoio Oceanográfico (NApOc) “Ary Rongel” e do Navio Polar (NPo) “Almirante Maximiano”, participam do planejamento, coordenação e execução da OPERANTAR, a Força Aérea Brasileira, os diversos Projetos de Pesquisa selecionados pelo CNPq; o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC); o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA); o Ministério das Relações Exteriores; as Estações de Apoio Antártico no Rio de Janeiro e em Rio Grande; e a Secretaria da Comissão.



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