Na manhã deste sábado (11), o Navio de Apoio Oceanográfico “Ary Rongel” e o Navio Polar “Almirante Maximiano” retornaram ao Brasil após seis meses na 44ª Operação Antártica (OPERANTAR), uma das mais complexas e extensas operações realizadas anualmente pela Marinha do Brasil (MB). A chegada dos chamados “navios vermelhos” na Base Naval da Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro (RJ), foi marcada por emoção, sorrisos e abraços dos militares e seus familiares que aguardavam o tão esperado retorno.

Após percorrerem cerca de 16 mil milhas náuticas, o equivalente a mais de 30 mil quilômetros em cerca de 160 dias de mar, o sentimento de dever cumprido é evidente entre os 122 militares que chegaram hoje à capital carioca. O orgulho também permeou o ambiente após a atracação dos navios, Pamella Coelho Lima Souza expressou o sentimento após o retorno do marido, o Primeiro-Tenente Ubiratan Ferreira Souza. 

Hoje é um dia muito especial em que existe um misto de emoções pelo tão esperado reencontro. Sabemos que essa é uma missão bem importante, mas também de grande esforço para a tripulação e para as famílias que ficam. Agora é só orgulho e gratidão por ter dado tudo certo e podermos celebrar com a família”, lembra.

Na parte logística, o Navio Polar “Almirante Maximiano” transportou 730 toneladas de material essencial para o funcionamento da Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), referência internacional em pesquisa científica e tecnológica. A Estação garante a presença permanente do Brasil na região, reunindo militares e pesquisadores que desenvolvem estudos científicos, no âmbito do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), gerido pela MB.

O Navio de Apoio Oceanográfico “Ary Rongel” levou 178,95 toneladas de materiais, além de 480 mil litros de óleo diesel antártico, fundamentais para a autonomia energética da EACF durante o extremo inverno antártico.

De acordo com o Comandante do Navio Polar “Almirante Maximiano”, Capitão de Mar e Guerra Carlos Eduardo Navazio de Oliveira da Silva, a 44ª OPERANTAR corroborou para o fortalecimento da presença brasileira na Antártica, o que é essencial para a manutenção do status consultivo no Tratado da Antártica. O documento assinado em 1959 é reconhecido por mais de 50 nações e vem garantindo, ao longo de todos esses anos, que a região continue a receber o título de continente da paz, voltado para o interesse científico e em favor do futuro da humanidade.

A missão ampliou a base de dados científicos, fundamentais para estudos climáticos e ambientais globais, além de aprimorar a capacidade logística e operacional no ambiente polar. Além disso, a operação contribuiu diretamente para a consolidação do Brasil como ator relevante na governança do oceano austral e na produção de conhecimento científico em ambientes extremos”, afirmou.

Para essa operação, que exige planejamento minucioso, ambos os navios ficaram encarregados também de desenvolver pesquisas científicas, implantar e retirar acampamentos isolados, bem como executar levantamentos hidrográficos previstos no Plano de Trabalho de Hidrografia 2024-2027, da Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN). O apoio às atividades logísticas é garantido pelo emprego de duas aeronaves do Primeiro Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-1), além da atuação de duas equipes de mergulhadores.

 
Apoio aos projetos científicos

Uma das principais atuações dos navios está no apoio aos projetos científicos embarcados. Nesta edição da OPERANTAR, foram 44 projetos científicos que contaram com a participação de 283 pesquisadores. Para o Comandante do “Ary Rongel”, Capitão de Mar e Guerra Maicon Jesus Domingues Luiz, esse programa possibilita a elaboração e divulgação científica de pesquisas brasileiras estratégicas de excelência.

Levamos universidades de renome nacional e internacional para o entendimento climático, geológico e de aspectos biológicos da Antártica e do Atlântico Sul, servindo para a manutenção do compromisso do Brasil no Tratado Antártico e com ações diplomáticas de cooperação internacional”, ressaltou.

Um dos destaques da missão foi a ampla atuação na região da Península Antártica, incluindo a navegação pelo Estreito de Bransfield e pelo Estreito de Gerlache, e a passagem pelo Círculo Polar Antártico, áreas de elevada relevância científica e operacional. Além disso, os navios atuam como verdadeiros laboratórios flutuantes, viabilizando estudos em diversas áreas.

Os projetos concentram-se em áreas estratégicas principalmente nas áreas de oceanografia, geologia, biologia marinha e climatologia. Essas pesquisas incluem estudos sobre mudanças climáticas globais, dinâmica das correntes oceânicas,  monitoramento ambiental antártico, entre outros temas.

 

Por que são “navios vermelhos”?

Os navios empregados no continente antártico são popularmente conhecidos assim devido à pintura em vermelho vivo, característica dos meios que operam no continente austral. Essa coloração tem finalidade prática: aumentar a visibilidade em ambientes com gelo, neve e baixa luminosidade, contribuindo para a segurança da navegação em condições extremas. Além disso, o termo também se consolidou como uma identidade simbólica, associada à presença brasileira contínua na Antártica.

 

O que é o PROANTAR? 

O Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR) promove pesquisas científicas diversificadas na região Antártica. Os projetos são selecionados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Além dos navios “Ary Rongel” e “Almirante Maximiano” e dos órgãos já mencionados, também integram o planejamento, a coordenação e a execução das OPERANTAR: a Força Aérea Brasileira (FAB); o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI); o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA); o Ministério das Relações Exteriores; e as Estações de Apoio Antártico localizadas no Rio de Janeiro (RJ) e em Rio Grande (RS).

Nesta edição da OPERANTAR, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) destinou recursos, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), que viabilizaram a participação do Navio Polar “Almirante Maximiano”. A preparação da embarcação, incluindo ações de manutenção, foi realizada pelo Grupamento de Navios Hidroceanográficos (GNHo), com esses recursos, por intermédio da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (FUNDEP), na condição de interveniente administrativa.

Comentários

Jose Silva Oliveira (não verificado) Dom, 12/04/2026 - 13:53

Bravo Zulu para todos nossos amigos de farda. Desse tipo de virgens longas já passei. Fragata Defensora e NE BRASIL. A saudade dos nossos familiares realmente é imensa.

Nelson Gomes d… (não verificado) Ter, 14/04/2026 - 16:17

Também compartilho um Bravo Zulu aos meus companheiros de farda. Só a família deses colegas entendem o sacrifício dessa ausência familiar, sem contar com as adversidades encontradas no decorrer dessa ausência. Sou marinheiro com muita honra e satisfação e também servi no saudoso Noc Almirante Saldanha onde cheguei a navegar por 22 dias de mar sem porto.
O desconhecimento e a desvalorização desse pessoal pelas autoridades é o que abala o sentimento marinheiro.
É necessário maior divulgação dos fatos reais.

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