A Marinha do Brasil (MB) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) estão no início da fase de construção da nova Estação Científica do Arquipélago de São Pedro e São Paulo (ASPSP) na costa de Natal, no Rio Grande do Norte. A obra é um marco na modernização das instalações de apoio à pesquisa científica realizada em uma das áreas mais remotas e estratégicas do território brasileiro. Serão investidos cerca de 7 milhões de reais do Fundo de Compensação Ambiental nesse projeto.

Esta será a terceira versão da Estação Científica instalada no arquipélago, que está há mais de 20 anos sob a gestão da Marinha. As obras tiveram início em dezembro de 2025 e nesse período foi instalada uma passarela ligando o ponto mais baixo ao mais alto da ilha Belmonte, onde serão construídas, no decorrer de 2026, as edificações que integram o projeto arquitetônico. A operação contou com o apoio do Navio Patrulha Oceânico “Araguari”, já que todo o transporte de pessoal e material envolvido no processo de construção é realizado pela Força.

A nova Estação incorpora soluções modernas de arquitetura, entre as quais se destaca o uso de materiais altamente resistentes à corrosão e um sistema de montagem por encaixe que reduz o uso de parafusos.

Com previsão de implantação até o final deste ano, a nova Estação surge a partir de um acordo de cooperação técnica envolvendo o ICMBio, a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), a Fundação Espírito-Santense de Tecnologia (FEST) e a Marinha, representada pela Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM), coordenadora do “PROARQUIPELAGO”, Programa de Pesquisas Científicas no ASPSP. 

 
Desafios

O Arquipélago é uma região que reúne condições singulares que dificultam o processo de construção. Além da distância da costa, a cerca de mil quilômetros do litoral brasileiro, o ASPSP é, de forma simplificada, um pequeno cume de cadeia de montanhas que se ergue de profundidades de cerca de 4.000 metros. A dimensão total equivale a aproximadamente um campo de futebol e o ponto mais elevado está a apenas 16 metros do nível do mar. Além disso, a topografia é extremamente irregular e fortes ondas assolam com frequência a região; sol forte e tremores de terra também são constantes.  

Diante disso, o desenvolvimento de trabalhos em um ambiente com as características do Arquipélago de São Pedro e São Paulo requer planejamento criterioso, de acordo com o Coordenador do Programa de Pesquisas Científicas em Ilhas Oceânicas (PROILHAS), o Capitão de Mar e Guerra (Quadro Técnico) Marco Antonio Carvalho de Souza.

Nesse cenário, deve-se ter atenção especial em cada movimento a ser executado, seja no transporte de pessoal e material entre o navio e o ASPSP, ou nas atividades conduzidas na Ilha. Tanto a tripulação do navio quanto a equipe técnica da Base Naval de Natal (RN) envolvida devem ser detentoras de perícia elevada. Além dos militares da Marinha, cabe também exaltar o alto grau de profissionalismo da equipe de engenheiros e arquitetos da UFES que, além do desenvolvimento do projeto, também atuam de forma ativa na obra”, ressalta.

Novas capacidades de apoio às pesquisas científicas

A nova estrutura otimizará significativamente a capacidade de apoio às pesquisas. Os pesquisadores passarão a contar com estrutura de apoio tanto na parte mais elevada quanto na parte mais baixa da ilha, ampliando consideravelmente os pontos para o trabalho de observação.

De acordo com o Coordenador do “PROILHAS”, a locomoção entre os pontos será feita por intermédio de uma passarela, proporcionando mais conforto e segurança.

Além disso, uma importante questão de ordem ambiental será atendida, uma vez que o trânsito por meio dessa passarela reduzirá brutalmente o contato entre os transeuntes e as colônias de aves que habitam a região. Vale lembrar também que o incremento da infraestrutura de apoio às atividades de mergulho, ferramenta essencial para o desenvolvimento de grande parte das pesquisas”, destaca. 

A organização da Estação Científica é complexa e envolve a operação de diversos sistemas adjacentes, como o de geração de energia, o de captação e dessalinização de água do mar e o de comunicações. A garantia da operacionalidade dessa estrutura envolve a necessidade de missões frequentes para o local.

O Arquipélago de São Pedro e São Paulo é considerado uma Área de Proteção Ambiental (APA) e também um Monumento Natural (MONA). Responsável com o ICMBio pela gestão desse conjunto de ilhas, a MB ocupa uma das cadeiras do Conselho Consultivo destas duas unidades federais de conservação. A Autoridade Marítima mantém no local um farol e uma estação científica, que já recebeu mais de 2 mil pesquisadores.

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Comentários

Jorge Ramos Gu… (não verificado) Sáb, 28/02/2026 - 19:23

Tive o prazer de ver de perto o arquipélago quando de regresso da Alemanha onde acompanhei a transformação do Navio Off Shore Header Sea em Navio Polar Almirante Maximiano. O comandante do Navio a época foi de bote inflável fazer uma visita protocolar ao pesquisador no arquipélago.

Leonardo Soare… (não verificado) Dom, 01/03/2026 - 09:46

Parabéns à Marinha, à Ufes e às outras instituições envolvidas. A maior presença no arquipélago vai aumentar nosso conhecimento sobre o Atlântico e o manto terrestre. As novas instalações vão permitir que isso seja feito em condições ainda mais adequadas.

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