A Portaria nº 270/MB, divulgada na quarta-feira (1º) pela Marinha do Brasil (MB), reforça o compromisso da Força com a igualdade entre mulheres e homens em suas fileiras. Com a atualização das diretrizes publicadas em 2020, a MB se torna a primeira entre as Forças Armadas brasileiras a permitir a atuação plena de militares do sexo feminino em todos os setores, incluindo operação de submarinos, mergulho e Operações Especiais.
Essa mudança garante igualdade com os pares masculinos, permitindo que as militares atuem em funções de alta exigência física, psicológica e técnica, que representam alguns dos maiores desafios da carreira militar. Desde então, a Marinha vem se destacando como pioneira na integração feminina nas Forças Armadas, atuando nesse sentido desde 1980, quando criou o Corpo Auxiliar Feminino da Reserva da Marinha.
Desde aquele ano, a MB vem abrindo portas e derrubando barreiras: foi a primeira a promover uma mulher ao posto de Oficial-General (em 2012), criar a primeira turma de Aspirantes femininas na Escola Naval (2014) – a mais antiga instituição de Ensino Superior do País; e admitir alunas mulheres no Colégio Naval (2023) e, mais recentemente, permitir a atuação irrestrita das militares em todos os setores operativos da Força.

Em setembro de 2025, as Soldados Fuzileiros Navais Ana Beatriz Lugon Loureiro e Jennifer Alves Assunção foram as primeiras militares capacitadas, na MB, no Estágio de Qualificação Técnica Especial de Operação da Viatura Blindada Leve Sobre Rodas 4x4 JLTV (Joint Light Tactical Vehicle). Elas colocaram em prática os conhecimentos adquiridos durante a Operação “Atlas - Armas Combinadas”.
"A experiência na operação foi muito positiva e desafiadora. O contato direto com o veículo possibilitou aplicar na prática o conhecimento adquirido no curso", afirmou a Soldado Lugon. Segundo ela, foi possível exercitar desde a condução em diferentes tipos de terrenos até os procedimentos de segurança em situações reais. "A rotina da Operação exige atenção constante, trabalho em equipe e disciplina, o que contribui bastante para o desenvolvimento técnico e profissional. Sem dúvida, é uma oportunidade de aprendizado, que traz confiança e preparo para atuar em cenários que demandam o uso da JLTV", destacou a Soldado Lugon.

Primeira mulher do Corpo de Fuzileiros Navais a integrar uma missão de paz no exterior, a Capitão-Tenente (Auxiliar Fuzileiro Naval) Débora Ferreira de Freitas Sabino destacou a importância de iniciativas como essa para a evolução da Força. “A presença feminina no setor Operativo demonstra que a mulher determinada não se deixa abater pelas circunstâncias adversas e está plenamente apta a desempenhar, com excelência, as mais diversas funções na Marinha do Brasil. Esse processo de integração fortalece a instituição, enriquece a pluralidade das equipes e inspira novas gerações de militares. O êxito das pioneiras cria um legado de superação e abre caminho para que mais mulheres conquistem seu espaço, reafirmando que a competência e a dedicação são os verdadeiros critérios para atuar em qualquer área operacional.”

Ainda em 2025, a Marinha promoveu quatro médicas ao círculo mais alto da hierarquia militar naval: Contra-Almirante (Médica) Daniella Leitão Mendes; Contra-Almirante (Médica) Mônica Medeiros Luna; Contra-Almirante (Médica) Claudia Regina Amaral da Silva Fiorot; e a Contra-Almirante (Médica) Gisele Mendes de Souza Mello – esta última, de forma póstuma. A indicação simultânea de mulheres a Almirante também é inédita e reforça o pioneirismo da Força.
Mais do que um avanço normativo, a nova medida consolida uma trajetória consistente de inclusão estratégica e responsável, que fortalece a MB como instituição e inspira futuras gerações de militares a trilharem, com orgulho, disciplina e espírito de serviço, a carreira naval.

Preparada para tudo
A Soldado (Fuzileiro Naval) Stephany Victória da Silva, que serve no Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (CEFAN), aproveitará o novo cenário de inclusão proporcionado pela Marinha para seguir se especializando. Com vibração e garra, ela já concluiu o Pré-Teste de Aptidão Física e pleiteia uma vaga no Estágio de Qualificação Técnica Especial de Operações Especiais (E-QTEsp-OpEsp), que será conduzido pela Escola de Operações Especiais do Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo (CIASC), previsto para ocorrer de 2 de março a 17 de abril de 2026, no Rio de Janeiro (RJ).
O curso, que possui uma das mais altas exigências físicas e psicológicas do País, tem por finalidade habilitar Cabos e Soldados Fuzileiros Navais para auxiliarem os Comandos Anfíbios (ComAnf) – tropa de elite da Força – no planejamento e execução das operações de alta complexidade.
“Embora ainda não tenha uma referência direta de uma mulher que tenha realizado este curso, estou ciente de que ele exigirá grande preparo físico e psicológico. Reconheço as diferenças fisiológicas entre homens e mulheres, mas encaro isso como um desafio a ser superado, com esforço, dedicação e disciplina, a fim de cumprir todas as exigências previstas. Minha expectativa é superar meus próprios limites, crescer profissionalmente e mostrar que é possível manter o alto padrão do curso sem que minha presença comprometa sua mística, tradição ou nível de exigência”, afirmou a Soldado (Fuzileiro Naval) Stephany.
O conteúdo do estágio contempla instruções de preparação física de combate (com destaque para atividades aquáticas e marchas), primeiros socorros em ambiente tático, orientação e topografia, patrulhas de combate e reconhecimento, armamento e tiro (montagem, desmontagem e emprego de armas leves do Corpo de Fuzileiros Navais), além de nós e voltas, comunicações, equipamentos de visão noturna e técnicas de infiltração. Concluindo as seis semanas de instruções e práticas, os militares são movimentados para o Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais (BtlOpEspFuzNav).

Mulheres do ar
Duas Oficiais da Marinha, oriundas da Escola Naval, querem realizar o feito inédito de se tornarem aviadoras da Força. A Segundo-Tenente (Fuzileiro Naval) Helena de Souza Monteiro Moraes e a Segundo-Tenente Isabela Ferreira de Amorim foram as primeiras militares mulheres a iniciar o Curso de Aperfeiçoamento de Aviação para Oficiais (CAAvO), iniciado em 25 de fevereiro, no Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval Almirante José Maria do Amaral Oliveira (CIAAN), em São Pedro da Aldeia (RJ). A missão é intensa e, para iniciá-la, foi necessário ter tido uma graduação de destaque no ensino superior ofertado pela Marinha.

A parte teórica do curso é realizada no CIAAN e a prática no 1º Esquadrão de Helicópteros de Instrução (EsqdHI-1). A formação prevê estágios de manobras básicas (Alfa), manobras avançadas (Bravo), navegação por contato (Charlie), voo por instrumentos básico (Delta), rádio-instrumentos (Echo), navegação por instrumentos (Foxtrot), formatura (Golf), emprego de armamento (Hotel) e emprego geral (Índia). Ao concluir com sucesso a jornada, que também inclui dois voos solo (Alfa e Bravo), elas certamente servirão de inspiração para novas aviadoras.
“Antes de ingressar na Escola Naval, em 2019, tive contato com a aviação em uma atividade que participei na minha cidade de nascimento – Santa Cruz (RJ) –, que envolveu controladores de voo. Aquilo me chamou muito a atenção. Como fui a 17ª colocada de uma turma de mais de 120 militares, tive a oportunidade de me inscrever no curso, justamente por conta desta antiguidade. Após cumprir o teste físico, psicológico e os exames médicos, segui para as demais etapas. Já cumpri a Alfa e Bravo, e estou me preparando para a Charlie”, explicou a Segundo-Tenente Isabela Ferreira.
Segundo ela, a Marinha oferece infinitas oportunidades para os militares, independente de sexo ou origem. “Ela não faz distinção de classificação durante os cursos de formação, por exemplo, a mulher que quiser escolher qualquer caminho por aqui precisa se esforçar igualmente. Assim, realizará seu sonho. De todas essas oportunidades, o esforço é premiado com a possibilidade de escolher as que mais nos interessam”, completou.

Capa: Luis Carbo (Min. Defesa)



Comentários
Como eu faço pra entrar ,eu tenho 16 anos , e um sonho pra mim ir pra fuzileiro naval
Fique atento! As inscrições são realizadas na página do Comando-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, no menu em destaque 'Concursos para o CFN', ou pelo aplicativo 'Adsumus Sempre'.Acesse o portal da Agência Marinha de Notícias, o site de concursos da MB ou siga o perfil da Força nas mídias sociais para não perder nenhuma oportunidade. Vem pra Marinha!
Fonte: Agência Marinha de Notícias
Acesse: https://www.agencia.marinha.mil.br/
Boa sorte.
Mandou bem, Daniel, é isso mesmo!
Aqui também tem uma parte cheio de notícias de concurso, no meu navegador, já salvei nos favoritos: https://www.agencia.marinha.mil.br/vem-pra-marinha .
Precisando de qualquer coisa, contem com o Concurseiro Militar.
Abraço.
Fala, Maria Eduarda, beleza?
Você só pode ingressar com 18 anos, mas quer uma dica? A hora de se preparar é agora.
O concurso costuma abrir as inscrições em janeiro, se quiser, olha aí o link do último: https://www.agencia.marinha.mil.br/vem-pra-marinha/marinha-divulga-edit…
Valeu, Maria Eduarda! Sucesso!
Eu quero voce fazer uma guerreira na minha cidade são Ramuindo Nonato piaui voce chegar tirando gente na rua no enteriol
Dale, Marinha!
Como ficam os espaços privativos femininos a bordo de um submarino convencional diesel elétrico no que concerne a HIGIENE ALOJAMENTOS E BANHO? Somente submarinos nucleares lançadores de ICBM possuem ARRANJO com espaço para tripulante feminino em missões de TRÊS MESES SUBMERSOS. Dúvida de quem projetou e construiu 🤔
Com respeito e educação.
alguem sabe-me dizer se há possibilidade de uma mulher conseguir fazer o curso interno comanf?
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