O Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) participou da 6ª edição da Rio Innovation Week (RIW), realizada entre os dias 4 e 7 de agosto, no Píer Mauá, no Rio de Janeiro. A programação contou com a participação de militares em painéis sobre inovação, defesa do litoral e resposta a desastres, além da exposição de projetos, equipamentos e simuladores desenvolvidos ou empregados pela Marinha do Brasil (MB). Nos últimos dias do evento, as Bandas Sinfônica e Marcial dos Fuzileiros Navais também realizaram apresentações para o público.

Visão Estratégica na Abertura

A RIW começou na terça-feira (4) com a plenária de abertura, no Píer Mauá. Representando a MB, o Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Almirante de Esquadra (Fuzileiro Naval) Carlos Chagas, participou do painel inaugural ao lado de autoridades e representantes da organização do evento.

Durante a plenária de abertura, o Comandante-Geral abordou a relação entre inovação, desenvolvimento e defesa. 

Para qualquer nação que deseje ser grande, inovação, desenvolvimento e defesa têm que caminhar obrigatoriamente juntos. Essas coisas não podem existir isoladamente. Assim, esse evento tem tudo para dar cada vez mais certo!”, afirmou.

Inovação e Soberania

Ainda no primeiro dia do evento (4), o painel “Inovação e Soberania: Ciência, Financiamento e Defesa do Litoral Brasileiro” abordou a relação entre desenvolvimento tecnológico, soberania e proteção do litoral. Participou do debate o Comandante do Treinamento e do Desenvolvimento Doutrinário do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), Vice-Almirante Cláudio Lopes de Araujo Leite, ao lado de representantes de outras instituições.

Durante os debates, foram abordadas a integração entre ciência, inovação e Defesa e suas aplicações na proteção do litoral brasileiro. O Vice-Almirante Cláudio Leite destacou a articulação entre produção de conhecimento, financiamento, desenvolvimento tecnológico e emprego operacional, com foco na ampliação da consciência situacional, na proteção de infraestruturas críticas e na capacidade de pronta resposta do Estado.

O Comandante do Treinamento e do Desenvolvimento Doutrinário apresentou a atuação do CFN no desenvolvimento e na validação de soluções tecnológicas e citou iniciativas como os programas PEGASUS (Plataforma Estratégica de Geocoleta Autônoma em Sistema Unificado de Sensoriamento) e SIRADA (Sistema Integrado de Resposta a Alertas de Desastres Ambientais), desenvolvidos em cooperação com universidades, centros de pesquisa e instituições públicas.

O painel também abordou a integração das áreas científico-tecnológica, econômica e militar e sua aplicação na proteção dos interesses marítimos brasileiros, considerando a extensão do litoral e as dimensões econômica, energética e ambiental da Amazônia Azul.

Sistema Integrado Brasileiro de Pesquisa, Previsão, Alerta e Resposta Operacional

No dia 6 de agosto, em apresentação dedicada ao ciclo integrado de ciência e operação, o Contra-Almirante (Fuzileiro Naval) Reinaldo Reis de Medeiros, Comandante do Material de Fuzileiros Navais, percorreu a cadeia que vai do monitoramento científico ao socorro no terreno — previsão, alerta, mobilização e resposta — e detalhou a concepção do SIRADA, resultado da convergência entre instituições de competências bastante distintas.

O Almirante discorreu sobre a sistematização dessa articulação institucional e quais fatores foram decisivos para transformar necessidades operacionais em um programa estruturado de pesquisa, desenvolvimento e inovação.

Biossegurança, Bioproteção e Biodefesa

Na sequência, ainda a bordo do Navio de Pesquisa Hidroceanográfico “Vital de Oliveira”, o painel “Biossegurança, Bioproteção e Biodefesa: inovação, integração e soberania tecnológica para fortalecer a capacidade nacional de resposta às emergências biológicas”, mediado por Andréia Carneiro, abordou diferentes tipos de ameaças biológicas. Entre os temas discutidos estiveram novos patógenos, resistência antimicrobiana, impactos das mudanças ambientais sobre a saúde humana, animal e ambiental, avanços da biotecnologia e eventos de origem deliberada.

O Diretor-Presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Anderson Stevens Leônidas Gomes, abriu o debate abordando a importância da preparação prévia para o enfrentamento de emergências biológicas, com investimentos em infraestrutura, capacidade produtiva nacional e formação de profissionais.

Como exemplo brasileiro de inovação para a soberania, o professor destacou a parceria estratégica entre o Centro Tecnológico do Corpo de Fuzileiros Navais (CTecCFN) e a Fundação Oswaldo Cruz, que percorre todo o caminho do laboratório à resposta operacional — da coleta padronizada da amostra ao teste rápido desenvolvido em conjunto, do diagnóstico confiável à ação coordenada pelas autoridades competentes —, construindo capacidade nacional para detectar rapidamente ameaças biológicas e reduzir a dependência tecnológica externa.

O professor também apresentou a parceria entre o CTecCFN e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para o desenvolvimento de soluções voltadas à identificação de ameaças biológicas. A cooperação envolve etapas que vão da coleta padronizada de amostras ao desenvolvimento conjunto de testes rápidos, com aplicação no diagnóstico e no apoio à resposta das autoridades competentes.

Prevenção e Mitigação de Desastres

A prevenção de desastres e a resposta a emergências também integraram a programação da Marinha. Na quinta-feira (6), a palestra “Como iniciativas inovadoras podem contribuir na prevenção e mitigação dos impactos do El Niño” contou com a participação do Imediato do Comando-Geral do CFN, Capitão de Mar e Guerra (Fuzileiro Naval) Glaucio Rodrigues Junior, e de especialistas da área.

Durante sua explanação, o Capitão de Mar e Guerra (Fuzileiro Naval) Glaucio detalhou o que motivou a criação da Força de Resposta Imediata a Desastres Ambientais (FRIDA) e destacou a atuação desse contingente no recente terremoto ocorrido na Venezuela. O comandante evidenciou a capacidade de mobilização rápida das tropas em cenários críticos. “Fomos o primeiro país a estar com um hospital de campanha montado e operante na Venezuela. A calamidade do Rio Grande do Sul, em 2024, nos ensinou e mostrou a importância de estarmos prontos para esse tipo de situação”, afirmou.

Ciência e tecnologia a bordo

Essa integração entre desenvolvimento e defesa esteve materializada desde o primeiro dia nas águas da Baía de Guanabara. O Navio Aeródromo Multipropósito (NAM) “Atlântico”, o maior navio de guerra em atividade na América Latina, ganhou um espaço temático próprio. No local, os visitantes utilizaram óculos de realidade virtual 3D para diversas atividades, como salto de paraquedas, além de aproveitarem palestras, uma arena gamer, e até espaço para guerra de robôs. Também houve exposição das viaturas blindadas JLTV e Piranha e de um helicóptero no convoo do navio.

Entre os equipamentos apresentados estava o Robô Expedicionário, desenvolvido pelo CTecCFN para emprego em ambientes com risco nuclear, biológico, químico e radiológico (NBQR). Em áreas contaminadas, o equipamento pode ser empregado em ações de reconhecimento e inspeção antes da entrada das equipes, reduzindo a exposição do pessoal.

Já o Simulador Virtual para Estudo Topotático do Terreno (SVETT), ferramenta de realidade virtual empregada na formação e no planejamento dos Fuzileiros Navais, permite o estudo tático de qualquer região do globo em ambiente imersivo, com representação tridimensional detalhada do terreno antes de exercícios e operações. Com óculos de realidade virtual disponíveis para experimentação, o simulador formou filas no convés durante todo o evento.

Para a professora Alessandra Soares, 48 anos, a grandiosidade da embarcação foi a principal surpresa da visita. “É tão grande que a gente perde até a noção, nem parece que é um navio. Olhando de fora é uma coisa, mas circulando por aqui dentro é diferente, a estrutura é bem imponente. É muito legal colocar a população em contato com os meios, porque às vezes o pessoal de fora não conhece ou não tem acesso”, ressaltou.

Bandas dos Fuzileiros Navais participam do encerramento da RIW

Na reta final da programação, as Bandas dos Fuzileiros Navais realizaram apresentações no Píer Mauá. Na quinta-feira (6), a Banda Sinfônica apresentou um concerto com repertório que reuniu diferentes gêneros musicais, entre eles música italiana, pop e rock.

O concerto incluiu “O Sole Mio”, obras do repertório da banda Guns N’ Roses e de Roberto Carlos, com a participação de guitarra e gaitas de fole. A apresentação foi encerrada com “Viva La Vida”, do Coldplay, e a canção marinheira “Cisne Branco”.

Entre os espectadores estava o engenheiro de telecomunicações Thiago Demarco, que acompanhou pela primeira vez uma apresentação da Banda dos Fuzileiros Navais. 

As músicas foram muito bem executadas, com uma interação boa com o público, proporcionando um ambiente bem agradável, bem leve, bem condizente com todo o universo aqui do evento”, avaliou.

Na sexta-feira (7), a Banda Marcial dos Fuzileiros Navais participou do encerramento da Rio Innovation Week com uma apresentação em frente ao Navio-Aeródromo Multipropósito (NAM) “Atlântico”. Durante as evoluções, os militares formaram diferentes figuras, entre elas a sigla “RIW”, em referência ao evento.

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