Pelo segundo ano consecutivo, a Marinha do Brasil (MB) participa da Rio Innovation Week (RIW), realizada entre os dias 4 e 7 de agosto, no Píer Mauá (RJ), com uma programação voltada à inovação, ciência, tecnologia e defesa. Durante o evento, os visitantes puderam conhecer projetos estratégicos da Força, participar de atividades interativas e embarcar no maior navio de guerra da América Latina, o Navio-Aeródromo Multipropósito (NAM) "Atlântico". Em 2025, a embarcação recebeu mais de 52 mil visitantes durante a RIW.

Ao longo da programação, o navio recebe exposições e iniciativas voltadas ao desenvolvimento tecnológico, apresentação de equipamentos militares, simuladores, arena gamer, experiências de realidade virtual, robôs e projetos estratégicos. A participação da Marinha na RIW também reforça a aproximação da Força com os setores de ciência, tecnologia, empreendedorismo e indústria reunidos no evento.

De acordo com o Comandante do NAM “Atlântico”, Capitão de Mar e Guerra José Paulo, a participação da MB no evento representa uma oportunidade de apresentar à sociedade uma vertente da Força que vai além de sua atuação operacional: sua capacidade de desenvolver tecnologia, produzir conhecimento e fomentar a inovação em áreas estratégicas para o País. 

A presença da Instituição em um dos maiores eventos de tecnologia e inovação da América Latina permite demonstrar como os investimentos realizados nessas áreas contribuem não apenas para o fortalecimento do Poder Naval, mas também para o desenvolvimento científico e tecnológico nacional”, reforça. 

Um dos destaques é a realização de atividades práticas a bordo, que permitem aos visitantes vivenciar desafios tecnológicos e conhecer, de forma dinâmica, o emprego de soluções inovadoras em um ambiente militar. Nesta edição, o evento ganhou mais um espaço de conteúdo com curadoria da MB: o Navio de Pesquisa Hidroceanográfico “Vital de Oliveira”, que abriga o Vital de Oliveira Stage, dedicado a palestras e debates sobre ciência, saúde, tecnologia, desempenho humano em ambientes extremos, lições científicas da Antártica e inovações em pesquisas hidroceanográficas.

Entre as atividades realizadas no “Vital de Oliveira”, a palestra “Inovação Aberta na Marinha do Brasil: o Programa Conexão Marinha” apresentou o programa, que integra o CIEMB, e busca aproximar os desafios do Poder Naval das capacidades científicas, tecnológicas e empreendedoras existentes em Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs), universidades, startups e empresas da Base Industrial de Defesa. A apresentação abordou a inovação de uso dual e destacou o Programa Conexão Marinha como iniciativa voltada ao desenvolvimento de soluções tecnológicas para a Força.

O Comandante do “Vital de Oliveira”, Capitão de Fragata Phellipe de Araújo Magalhães, explicou que o navio dispõe de capacidade multidisciplinar para coletar dados da atmosfera, da superfície do mar, da coluna d’água, do leito e do subsolo marinhos.

Os visitantes tiveram a oportunidade de conhecer os laboratórios e os 28 equipamentos científicos embarcados, além de acompanhar palestras sobre temas ligados à ciência, tecnologia, inovação e ao ambiente marítimo. A visita também permitiu perceber, na prática, como o navio aproxima a Marinha do Brasil da comunidade científica e coloca à disposição da sociedade uma estrutura voltada à produção de conhecimento sobre o mar”, afirmou o Capitão de Fragata Phellipe.

A programação inclui ainda uma competição de robótica, que reúne participantes para disputar desafios e acompanhar os embates. Para o estudante de Automação Industrial do Instituto Federal, Campus Volta Redonda, Daniel Martins Portugal, que participa da competição, a experiência tem sido inesquecível.

“É a primeira vez que entro em um navio e estou achando simplesmente incrível. Tudo aqui é muito interessante. A experiência de estar a bordo é muito legal”, afirmou.

Entre as atrações também estão o robô expedicionário - utilizado em missões de reconhecimento e monitoramento de ameaças nucleares, biológicas, químicas e radiológicas (NBQR) - e o Simulador de Navegação de Paraquedas, desenvolvido pelo Centro de Análises de Sistemas Navais (CASNAV), que utiliza realidade virtual para reproduzir a experiência de um salto de paraquedas.

Outra atividade que desperta o interesse do público é a experiência imersiva proporcionada pelo Simulador Virtual de Estudo de Terreno (SVETT/SAGRES-N), que aproxima os visitantes do ambiente operacional da Marinha por meio de recursos tecnológicos. Também estavam em exposição o simulador de tiro com Blue Gun e maquetes do Submarino Nuclear Convencionalmente Armado (SNCA), do reator nuclear e da Fragata Classe Tamandaré. O espaço “Vem pra Marinha” completa o estande com informações sobre as formas de ingresso e as oportunidades de carreira na Força Naval.

“As experiências aqui são muito imersivas. No simulador, tive a sensação de estar realmente dentro de uma operação. É uma forma diferente de conhecer o trabalho da Marinha e perceber como a tecnologia faz parte das missões da Força”, afirmou a estudante de Engenharia Química da Universidade Federal Fluminense (UFF), Gabriela Moura.

Para o Diretor-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha (DGDNTM), Almirante de Esquadra Alexandre Rabello de Faria, a participação na Rio Innovation Week também amplia o intercâmbio da Marinha com o ecossistema de inovação e favorece a circulação de conhecimento entre instituições, empresas e pesquisadores.

Estar aqui é uma satisfação, porque esse evento conecta diferentes gerações em torno da tecnologia e da inovação. A partir desses contatos e dessas interações, podemos transmitir parte do conhecimento e da experiência que acumulamos ao longo de décadas e, ao mesmo tempo, receber novas soluções para os desafios do futuro”, afirmou o Almirante de Esquadra Rabello.

Já o representante da Federação do Estado do Rio de Janeiro de Esportes Eletrônicos, Celio Augusto Marques Filho, destacou a importância de aproximar a Marinha do universo dos esportes eletrônicos. “É importante criar esse elo entre a Marinha e os esportes eletrônicos, aproximando os jovens e mostrando que os games vão muito além do entretenimento. Eles também envolvem educação, formação e tecnologia. É uma forma de criar oportunidades para os jovens”, afirmou.

Para o estudante Guilherme Borges, de 20 anos, os navios da Marinha chamaram a atenção no evento, e a arena gamer a bordo do NAM “Atlântico” foi uma forma inteligente de aproximar os jovens da Força e mostrar sua relação com tecnologia e defesa. “Muita gente jovem hoje joga videogame, e encontrar uma arena com diferentes jogos e disputas dentro de um navio chama a atenção. É uma forma moderna de atrair os jovens e fazê-los conhecer um pouco mais sobre a tecnologia da Marinha”, explicou.

A estudante Maria Eduarda Bezerra, que se prepara para ingressar na carreira militar, destacou o caráter imersivo das atividades e a possibilidade de conhecer, na prática, aplicações tecnológicas desenvolvidas e utilizadas pelas Organizações Militares. “Gostei de poder interagir com os recursos apresentados e entender melhor como a tecnologia faz parte das atividades da Marinha. Isso torna a visita mais interessante e aproxima o público desse universo”, contou. 

Inteligência artificial (IA) e inovação em debate

Realizado no Armazém 4, Palco 19, o painel “O futuro chegou! A aplicação da IA na MB” foi moderado pelo Assessor de Ciência, Tecnologia e Inovação da DGDNTM, Vice-Almirante Alfredo Martins Muradas. Participaram o Assessor Técnico de Projetos Estratégicos de Defesa da DGDNTM, Capitão de Mar e Guerra Mauricio Pires Malburg da Silveira; o diretor e professor do Laboratório Nacional de Computação Científica, Fábio Borges de Oliveira; e o professor Roberto Schirru, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A discussão abordou o uso da inteligência artificial em sistemas de defesa e apoio à decisão, além dos desafios relacionados à transformação digital e à governança de dados. Para o Vice-Almirante Muradas, o avanço dessas tecnologias exige diálogo permanente com diferentes setores.

“Precisamos entender como a sociedade está vivenciando essa transformação provocada pela inteligência artificial e utilizar essas tecnologias da melhor forma possível. O diálogo com universidades, empresas e startups nos permite conhecer novas abordagens, fortalecer a cooperação e construir soluções que beneficiem tanto a defesa quanto a sociedade brasileira”, afirmou.

Ao tratar dos caminhos para ampliar a capacidade nacional em inteligência artificial, o professor Roberto Schirru destacou o recém-ativado Centro de Inovação Estratégico da Marinha do Brasil (CIEMB) como espaço voltado à integração entre a Marinha e o ecossistema de ciência, tecnologia e inovação.

O desenvolvimento de uma IA generativa nacional depende dessa integração. Essa união permite criar uma base tecnológica capaz de gerar diferentes aplicações e modelos voltados às necessidades do País. Vejo que o CIEMB segue uma direção promissora nesse sentido”, afirmou Schirru.

O potencial do CIEMB para ampliar pesquisas de aplicação dual também foi destacado pelo professor Renato Machado Cotta, consultor técnico da DGDNTM e servidor da Amazônia Azul Tecnologias de Defesa S.A. (AMAZUL). “O CIEMB possui uma interface evidente com a Rio Innovation Week. É nesse contato direto com a academia, empresas e Instituições de Ciência e Tecnologia que o novo Centro de Inovação atrai parceiros e amplia o potencial da Marinha em pesquisas com benefícios tanto para adefesa quanto para a área civil”, afirmou Cotta.

No Armazém Kobra, Palco 27, o Comandante de Operações Marítimas e Proteção da Amazônia Azul, Contra-Almirante Luciano Calixto de Almeida Junior, ministrou a palestra “Novas Tecnologias no Monitoramento da Amazônia Azul”. A apresentação abordou o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul e suas aplicações no monitoramento marítimo, no comando e controle, na proteção de infraestruturas críticas e no fortalecimento da governança marítima.

A participação da Marinha integrou a programação da sexta edição do evento, que reuniu representantes da academia, do setor produtivo, de instituições públicas e visitantes interessados em ciência, tecnologia e inovação.

A AMAZUL também participou da programação da Rio Innovation Week com um estande a bordo do “Atlântico”, em que apresentou suas áreas de atuação e projetos relacionados ao setor nuclear e de defesa. A bordo do “Vital de Oliveira”, promoveu as palestras “SMR e Microrreatores: a tecnologia nuclear que vai transformar a energia, a indústria e os negócios” e “Como a Irradiação de Alimentos pode apoiar o crescimento do Agro no Brasil”.

Ao avaliar a edição de 2026, o cofundador da Rio Innovation Week, Fábio Queiroz, destacou a ampliação do acesso à tecnologia e à inovação e a aproximação do evento com diferentes públicos. “Esta edição reforçou nosso propósito de levar a tecnologia para além dos palcos e aproximá-la de novos públicos. Mais do que apresentar tendências, buscamos mostrar que a inovação precisa estar associada ao desenvolvimento humano, social e ambiental”, afirmou.

A presença no evento integra o esforço da MB para estimular a cultura da inovação, incentivar a interação entre instituições públicas, academia e iniciativa privada e apresentar à sociedade projetos que unem ciência, tecnologia e soberania nacional.

. . .

Comentar

O conteúdo deste campo é privado e não será exibido ao público.

Plain text

  • Nenhuma tag HTML permitida.
  • Quebras de linhas e parágrafos são feitos automaticamente.
  • Endereços de página da web e endereços de e-mail se tornam links automaticamente.