A Marinha do Brasil, por meio da Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha (DGDNTM), participou, em 21 de outubro, das atividades dedicadas à energia nuclear promovidas pela Frente Parlamentar Mista de Tecnologia e Atividades Nucleares, realizadas na Câmara dos Deputados.
Pela manhã, a Sessão Solene no Plenário Ulysses Guimarães homenageou a contribuição histórica da tecnologia nuclear para a matriz elétrica, a indústria e a ciência do Brasil.
Em seu pronunciamento, o deputado federal Júlio Lopes destacou a importância da criação da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), elogiou a coragem dos empresários brasileiros que investem no segmento e destacou a atuação da Marinha no avanço da pesquisa e da inovação tecnológica.
Segundo o parlamentar, “a energia nuclear é uma das bases do desenvolvimento sustentável e soberano do Brasil. Trata-se de um passo decisivo para consolidar o País entre as nações que dominam, com responsabilidade e competência, o ciclo nuclear. São instituições como essas, aqui representadas, que demonstram na prática que o Brasil tem capacidade e talento para competir em igualdade com as nações mais desenvolvidas do mundo.”

O Diretor-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, Almirante de Esquadra Alexandre Rabello de Faria, ressaltou a honra da Marinha em participar da Sessão Solene dedicada à reflexão sobre a energia nuclear e seus benefícios para o progresso da humanidade.
“No âmbito do Programa Nuclear da Marinha, a construção do protótipo em terra do reator nuclear para a propulsão dos futuros submarinos brasileiros é outra conquista anunciada. O LABGENE é também produto do desenvolvimento científico, tecnológico e industrial brasileiro e demonstra a capacidade nacional de desenvolver reatores nucleares de potência para a produção de energia térmica e elétrica. O LABGENE, desde já, é uma referência inescapável ao desenvolvimento de pequenos reatores modulares que, aliás, segue o mesmo exemplo exitoso de países referenciais no uso da ciência nuclear para fins energéticos, como os EUA e a França”, afirmou o Almirante de Esquadra Rabello.

Logo após a solenidade, foi inaugurada, no Corredor Tereza de Benguela, a exposição “A História da Energia Nuclear no Brasil e suas Aplicações no Cotidiano da Sociedade Brasileira”. A mostra apresentou marcos, aplicações civis e perspectivas do setor, com ênfase em segurança, regulação e inovação. A Marinha participou com a exposição das maquetes do Submarino Nuclear Convencionalmente Armado (SNCA) e do Reator Nuclear desenvolvido no âmbito do Programa Nuclear da Marinha (PNM).
O SNCA representa o principal objetivo do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) e simboliza a consolidação da capacidade tecnológica brasileira no domínio da propulsão nuclear. Já o reator, fruto de décadas de pesquisa e desenvolvimento, evidencia o domínio nacional do ciclo do combustível nuclear e a aplicação segura dessa tecnologia para fins pacíficos.

O presidente da Âmbar Energia, Marcelo Zanatta, participou da Sessão Solene e visitou a exposição com a maquete do SNCA. Ele enfatizou a importância de integrar os principais atores da cadeia produtiva para demonstrar que a energia nuclear é uma fonte limpa, segura e sustentável, essencial à estabilidade do sistema elétrico nacional.
Zanatta acrescentou que os projetos apresentados pela Marinha possuem caráter estratégico, pois representam o domínio nacional de tecnologias de ponta e a capacidade do País de desenvolver soluções inovadoras e soberanas. “O Submarino Nuclear Convencionalmente Armado representará um salto inédito na capacidade tecnológica brasileira e refletirá o trabalho conjunto dos setores civil e militar em favor da inovação e da soberania nacional”, comentou.

O Corredor Tereza de Benguela também chamou a atenção dos visitantes. Durante um compromisso no Congresso Nacional, o engenheiro Fernando Souza Sabino aproveitou para conhecer a exposição e se disse surpreso com o avanço da Marinha na área nuclear. “Eu não sabia da existência dessa mostra, muito menos de todo esse desenvolvimento da Marinha nessa área. Fiquei impressionado com o empenho dos pesquisadores brasileiros. É algo que enche de orgulho e mostra a capacidade do País”, disse.

Ao final da programação no Congresso, a Comissão de Minas e Energia (CME) promoveu uma audiência pública extraordinária. Entre os temas debatidos estiveram os Small Modular Reactors (SMRs), reatores nucleares de pequeno porte desenvolvidos para oferecer maior flexibilidade operacional e menores custos de implantação.
O Diretor do Centro Industrial Nuclear de Aramar (CINA), Capitão de Mar e Guerra (Engenheiro Naval) Josmar Carreiro Freitas, destacou a contribuição histórica da Marinha no desenvolvimento da tecnologia nuclear e seus benefícios.
“A Marinha dedica-se há décadas ao avanço da tecnologia nuclear, integrando pesquisa científica, inovação industrial e capacitação técnica para fortalecer a autonomia estratégica do País. Essa trajetória, iniciada com a visão do Almirante Álvaro Alberto, consolidou-se no CINA, em Iperó (SP), onde o LABGENE testará os sistemas que impulsionarão o futuro submarino nuclear convencionalmente armado brasileiro. Além da Defesa Nacional, as contribuições tecnológicas e sociais do PNM tornam-se cada vez mais evidentes, reafirmando a capacidade nacional de promover o desenvolvimento e gerar benefícios concretos à sociedade”, afirmou o Comandante Josmar.

Para o presidente da Amazul, Vice-Almirante (Reserva) Newton de Almeida Costa Neto, eventos como esse são fundamentais para fortalecer a integração do setor nuclear.
“A Amazul foi criada para atuar nos três programas estratégicos da área nuclear: o Programa Nuclear Brasileiro, o Programa Nuclear da Marinha e o Programa de Desenvolvimento de Submarinos. Estamos presentes nos principais projetos do País, com uma equipe altamente qualificada e dedicada. Iniciativas como esta aproximam governo, indústria, academia e centros de pesquisa, reforçando a cooperação necessária para o avanço científico e tecnológico do Brasil”, afirmou.




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