O papel da tecnologia nuclear para a soberania nacional, a transição energética e aplicações de interesse social estiveram no centro da participação da Marinha do Brasil na terceira edição do "Nuclear Summit", realizada nos dias 23 e 24 de março, no Rio de Janeiro.
Realizado pela Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN), na Casa Firjan, o evento reuniu lideranças políticas, autoridades e especialistas para discutir o papel da energia nuclear. Entre os temas debatidos estiveram defesa, medicina nuclear, expansão da produção de urânio e soluções de energia limpa para o cenário energético atual.
A cerimônia de abertura contou com a participação do Presidente da ABDAN, Celso Cunha, e dos Deputados Federais Julio Lopes e Arnaldo Jardim, representantes da Frente Parlamentar Mista de Tecnologias e Atividades Nucleares.
Na ocasião, Celso Cunha destacou a necessidade de investimento contínuo no desenvolvimento nuclear para evitar que o País fique à margem das transformações em curso na matriz energética global.
O mundo voltou a olhar com seriedade para a energia nuclear. De coadjuvante, [ela] passa a ser um pilar estrutural. A própria Agência Internacional de Energia indica que, juntas, as energias renovável e nuclear corresponderão, até 2030, a 50% da matriz energética global", ressaltou.

Em seu discurso, o Deputado Julio Lopes afirmou que o Brasil precisa ser respeitado no cenário internacional e deve incentivar o desenvolvimento da energia nuclear. Reforçou que o País dispõe de todas as capacidades necessárias para avançar nesse setor e ponderou que não seria justo desconsiderar o legado construído por gerações anteriores.

O Diretor-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, Almirante de Esquadra Alexandre Rabello de Faria, participou do painel “A Energia Nuclear no Novo Cenário Geopolítico", moderado pelo Capitão de Mar e Guerra (Reserva) Leonardo Mattos de Faria, que reuniu ainda Júlio César Rodriguez, professor da Universidade Federal de Santa Maria, e Mayara Mota, Assessora de Integridade e Gestão de Risco em Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar).
O Almirante de Esquadra Rabello apresentou o papel da Marinha no âmbito do desenvolvimento da tecnologia nuclear e seus benefícios para a sociedade, com destaque para iniciativas estratégicas como o Programa Nuclear da Marinha (PNM) e o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB).
O domínio da tecnologia nuclear é um ativo indispensável para a soberania do País, com impactos que extrapolam o uso militar. Está em construção um reator multipropósito, com relevante dimensão social, especialmente no campo da medicina nuclear. São avanços que contribuem para ampliar a inserção do Brasil no cenário nuclear internacional. Trata-se de uma área que oferece benefícios que vão além da defesa, com aplicações na saúde, na preservação de alimentos e no desenvolvimento científico”, afirmou o Almirante de Esquadra Rabello.

O Secretário Naval de Segurança Nuclear e Qualidade, Almirante de Esquadra (Reserva) Petronio, atuou como moderador do painel “Estratégias para uma Indústria Petrolífera de Baixas Emissões”, conduzindo o debate entre representantes da Petrobras, EPE e Constellation.
Durante o painel, destacou-se o papel estratégico da energia nuclear para o Brasil, tanto na descarbonização quanto na segurança e independência energética. Estudos da EPE apontam sua viabilidade na matriz nacional, enquanto aplicações na indústria de óleo e gás — como o uso de SMRs em operações offshore e subsea — evidenciam ganhos de eficiência e competitividade. Também foram abordados desafios como a necessidade de definição estratégica do País e o aprimoramento do arcabouço regulatório.

Ao encerrar o painel, o Almirante Petronio (Reserva) destacou a importância do debate para o futuro do setor: “Saímos com esse debate fundamental: Saber qual a direção será tomada pelo Estado brasileiro quanto ao emprego da energia nuclear."
O público presente pôde conhecer ainda mais o papel da Marinha no âmbito do desenvolvimento da tecnologia nuclear e seus benefícios para a sociedade, com destaque para iniciativas estratégicas como o Programa Nuclear da Marinha (PNM) e o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB).



Comentários
Quando vai sair o nosso submarino nuclear,
Já faz anos de construção?
Quando que vai sair a ogiva nuclear Brasileria?
Essas desavenças militares entre Russia Ucrânia. Irã, Israel. USA mostram a importância do poder militar de uma nação.
A Marinha desenvolvendo a duras penas o nosso reator nuclear compacto está de parabéns. Que os políticos acordem para essa necessidade. O reator do submarino poderá ser o prototipo para outras aplicações militares ou civis.
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