O Navio de Assistência Hospitalar (NAsH) “Sargento Lima” realizou, entre os dias 2 e 12 de fevereiro, a Ação de Assistência Hospitalar (ASSHOP) I 2026, levando serviços de saúde a áreas de difícil acesso no Pará. A missão incluiu localidades nunca antes assistidas, o que foi possível graças ao baixo calado do navio. Os atendimentos contemplaram a comunidade quilombola de Santana do Arari, no município de Ponta de Pedras, a cidade de Abaetetuba e a Vila Maiauatá, em Igarapé-Miri.
A equipe de saúde, composta por 12 profissionais (incluindo médicos, dentistas, enfermeiros e farmacêuticos), realizou 300 atendimentos e distribuiu mais de 2.500 medicamentos. Foram oferecidas consultas de clínica geral, vacinação e atendimento odontológico, reduzindo a necessidade de deslocamento dos moradores aos centros urbanos.
Para o Comandante do navio, Capitão-Tenente Renan Rodrigues Machado, o sucesso da operação reside na capacidade de levar dignidade a comunidades anteriormente invisíveis ao sistema de saúde:
A ASHHOP I 2026 demonstrou, mais uma vez, a importância estratégica do Navio de Assistência Hospitalar 'Sargento Lima', para alcançar as comunidades onde o acesso se dá, quase que exclusivamente, pelos rios. Chegar a essas comunidades mais afastadas, que nunca haviam recebido esse tipo de atendimento, representa não apenas levar saúde, mas também reafirmar a presença do Estado e o compromisso da Marinha do Brasil com as populações ribeirinhas e quilombolas do Pará", avaliou.

Além do suporte à saúde, a missão promoveu a segurança da navegação fluvial. Em parceria com o Grupo Flores Ribeirinhas, foram realizadas palestras educativas focadas na prevenção do escalpelamento — grave acidente causado pelo contato com eixos expostos de motores de pequenas embarcações. A iniciativa orientou os moradores sobre a instalação gratuita de coberturas de eixos, medida essencial para a rotina de quem navega pelos rios Abaeté e Maratauira.

O cronograma de assistência à saúde da Marinha continuará nos próximos meses. Estão previstos atendimentos em comunidades do Rio Xingu, Baixo Tocantins e nas ilhas de Belém, reforçando a presença do Estado em regiões isoladas da Amazônia Oriental.

Ilha de Marajó
A Ilha de Marajó desempenha papel fundamental na economia regional, com destaque para a pesca artesanal, o turismo ecológico e a pecuária — sendo o maior polo de criação de búfalos do País. Entretanto, a dependência do transporte fluvial, condicionado às marés e ao clima, impõe desafios logísticos severos. Em comunidades mais isoladas, o deslocamento até Belém (PA) pode levar dias, o que torna a presença dos navios da Marinha vital para o acesso a serviços essenciais.

A relevância estratégica se estende ao município de Igarapé-Miri, conhecido como a 'capital mundial do açaí'. Líder na produção paraense, a cidade responde por cerca de 28% da safra nacional do fruto. Segundo dados do IBGE, somente em 2020, o setor movimentou mais de R$ 1,57 bilhão na economia local, alcançando uma produção superior a 1,5 milhão de toneladas.



Comentar