A atuação coordenada do Serviço de Busca e Salvamento da Marinha do Brasil (SALVAMAR) garantiu o resgate seguro dos seis tripulantes da embarcação “Thor Noronha”, que naufragou na madrugada de domingo (14), a cerca de 40 milhas náuticas (74 quilômetros) de Baía Formosa, no litoral sul do Rio Grande do Norte. Todos os ocupantes foram encontrados em uma balsa salva-vidas e desembarcaram em segurança no Porto de Natal.

O alerta foi recebido após o acionamento de um equipamento de emergência do tipo EPIRB (Emergency Position Indicating Radio Beacon), dispositivo que transmite sinais de socorro via satélite em emergências no mar. A informação chegou inicialmente ao SALVAMAR BRASIL, que acionou o SALVAMAR NORDESTE para coordenar a operação de busca e salvamento.

Após verificar os dados da ocorrência, a equipe constatou que a embarcação havia partido do Porto de Cabedelo, na Paraíba, com destino ao Arquipélago de Fernando de Noronha. Em contato com a empresa responsável pela embarcação, foi informado que o comandante havia relatado uma avaria no eixo propulsor, deixando a embarcação sem capacidade de navegação e à deriva.

A empresa enviou a embarcação “Alro” para prestar apoio. No entanto, ao chegar à última posição conhecida da “Thor Noronha”, a tripulação não conseguiu localizá-la devido às condições de visibilidade na área e à falta de comunicação com a embarcação.

Busca coordenada

Diante da situação, o SALVAMAR NORDESTE iniciou a coordenação dos esforços de busca e acionou navios mercantes que navegavam nas proximidades da posição transmitida pelo EPIRB. Pouco depois, o navio mercante “Dolfingracht”, de bandeira holandesa, informou ter avistado uma balsa salva-vidas. Em seguida, o comandante da embarcação confirmou o resgate dos seis tripulantes da “Thor Noronha”, encontrados vivos e à deriva no mar.

A Capitania dos Portos do Rio Grande do Norte (CPRN) acompanhou a ocorrência desde o acionamento da operação e participou diretamente do resgate. O Ajudante da CPRN, Capitão de Corveta (Quadro Técnico) Darcy da Cunha Dalbon, explicou que a equipe de Busca e Salvamento (SAR) monitorou o deslocamento do navio mercante que havia resgatado os tripulantes e seguiu ao seu encontro para realizar a retirada dos náufragos, com o apoio de uma lancha da praticagem e conduzi-los em segurança para terra.

“Assim que a CPRN tomou conhecimento, foi acionada a equipe SAR, preparada a embarcação e informado ao Ajudante da Capitania. Ficamos aguardando as orientações do Comando do 3º Distrito Naval e monitorando a derrota do navio mercante. A equipe SAR da Capitania foi ao encontro do navio mercante, juntamente com a lancha da praticagem. Chegando no navio, a lancha da praticagem resgatou quatro tripulantes; contudo, estava com dificuldade para resgatar os outros dois, que eram mais velhos. Com isso, a embarcação da Capitania, que estava fazendo a segurança da operação, tomou a iniciativa de se aproximar do navio e fazer o resgate dos tripulantes que faltavam”, relatou.

Segundo o Oficial, o momento mais sensível da operação ocorreu durante a retirada dos dois últimos tripulantes do navio mercante, exigindo uma manobra rápida de aproximação da embarcação da Marinha.

O momento mais sensível da faina foi na aproximação da nossa lancha ao navio mercante para a retirada dos dois tripulantes. Haja vista que eram dois idosos e o navio mercante estava com segmento. Então, tive que encostar contrabordo. Isso é uma faina bem rápida para a passagem dos dois senhores para a nossa embarcação”, afirmou.

De acordo com as informações repassadas ao SALVAMAR NORDESTE, todos os náufragos estavam em boas condições de saúde. Os seis tripulantes chegaram em segurança e sem ferimentos.

Tecnologia e coordenação a serviço da vida

O Encarregado da Subseção de Patrulha Naval, de Socorro e Salvamento e de Tráfego Marítimo do Comando do 3º Distrito Naval, Capitão de Corveta Tarumã Granado Coimbra, destacou a importância do EPIRB (Emergency Position Indicating Radio Beacon) para o sucesso da operação. 

O EPIRB é um equipamento de grande importância e que auxilia a realização do socorro no mar porque elimina a incerteza da localização do incidente. Ao ser ativado, ele transmite automaticamente um sinal via satélite com a localização precisa e um código de identificação único da embarcação. Isso reduz o tempo de resposta por dois motivos: primeiro, reduz a área de incerteza do posicionamento da embarcação e seus tripulantes; segundo, o código nos permite saber exatamente qual embarcação está envolvida e assim seu histórico e características. Com esses dados em mãos, a equipe de resgate ganha minutos preciosos, sabendo exatamente quem procurar e qual a melhor estratégia e recursos para o plano de busca”, explicou.

Segundo o Comandante Granado, a coordenação da operação foi baseada em uma estrutura internacional consolidada para a salvaguarda da vida humana no mar. “A integração em uma operação dessa magnitude funciona com base em uma sólida estrutura internacional legal e operacional. O pilar fundamental são os tratados internacionais, como a Convenção SOLAS e a Convenção SAR, que impõem a obrigação legal e o compromisso humanitário de qualquer navegante prestar auxílio a quem estiver em perigo no mar. Na prática, o SALVAMAR atua como o cérebro: ele recebe o alerta, analisa o cenário através dos sistemas de monitoramento de tráfego marítimo e aciona as embarcações mais próximas. A partir daí, o SALVAMAR coordena as ações”, afirmou.

Para o Comandante, a estrutura de busca e salvamento permite ao Estado brasileiro cumprir compromissos internacionais, salvaguardar vidas e exercer sua presença no mar.

“A importância dessa estrutura reside na capacidade do Estado brasileiro de materializar três pilares. Primeiro, o cumprimento rigoroso dos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, honrando os tratados que nos delegam a responsabilidade de executar o socorro em uma área de dimensões proporcionais à dimensão do nosso País. Segundo, a execução do nosso dever humanitário, que é o de não poupar esforços para salvaguardar a vida humana em perigo no mar. E terceiro, a afirmação da nossa soberania: ao demonstrar prontidão, coordenação e controle em uma área tão vasta, a Marinha do Brasil ratifica, na prática, a autoridade, a presença e a capacidade do Estado nas nossas Águas Jurisdicionais”, concluiu.

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