Com um briefing na Capitania dos Portos do Ceará e a ativação do Grupo-Tarefa “Terra da Luz”, teve início, na segunda-feira (10), o 2º Exercício de Proteção de Cabos Submarinos, coordenado pela Marinha do Brasil (MB), em Fortaleza (CE). Nesta fase do treinamento, são aperfeiçoadas as capacidades de resposta da Marinha para garantir a segurança de infraestruturas críticas. A reunião contou com a participação de representantes da MB, de órgãos de segurança pública, empresas privadas e da imprensa.
Atualmente, o Brasil conta com 17 sistemas de cabos submarinos, que interligam os estados do País entre si e ao restante do mundo. Essa infraestrutura é responsável por quase a totalidade da transmissão de dados, viabilizando a interconexão dos sistemas de telecomunicações e internet. Por meio dela, são realizados serviços governamentais, transações comerciais e financeiras, todos potenciais alvos de ações que comprometem a segurança nacional.

Essa etapa terrestre do exercício inclui a proteção de outras áreas de interesse, como o beach manhole — instalação na praia que abriga a junção entre os cabos submarinos e os cabos terrestres —, e a estação de aterrissagem de cabos, local para onde os dados são transferidos e depois distribuídos.

“Fortaleza é o segundo maior hub do mundo de cabos submarinos, então, basicamente passa por aqui mais de 90% das comunicações de dados do Brasil com a América do Norte, a América Central, a África, a Europa. Nesses cabos submarinos, [seja] um infortúnio do mar ou uma sabotagem, é muito importante (…) estar pronto para responder”, explica o Comandante do 3º Distrito Naval, Vice-Almirante Jorge José de Moraes Rulff, autoridade à frente dessa operação.

Foram mobilizados 385 militares e 23 meios, incluindo o Navio de Socorro Submarino “Guillobel” (K120), o Submarino “Humaitá” (S41) e o helicóptero SH-16 “Seahawk”, além do Avião de Patrulha P-95, da Força Aérea Brasileira (FAB). Também participarão do exercício, como parte desse esforço, 44 técnicos de diferentes empresas de cabos submarinos.
A operação conta com a participação de diversos órgãos públicos, como o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), a Polícia Federal, a Companhia Docas do Ceará (CDC), a Polícia Civil do Estado do Ceará, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), a Polícia Militar do Estado do Ceará (PM/CE), a Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC), a Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras), os Ministérios da Defesa e das Comunicações e a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL). Também integram o exercício empresas privadas do setor de telecomunicações e tecnologia, como Telxius, Azion, Claro, Sparkle, V.Tal-Globenet, Seaborn, Angola Cables, Blue Marine, Emgepron, Backbone, BRS Robótica, Tidewise e Tecto.

Esse grupo está trabalhando junto, trocando informações e experiências, permitindo que a gente entenda de que forma aplicar todas as capacidades da Marinha, com apoio da Força Aérea Brasileira e dos órgãos de segurança pública, para garantir ao Brasil essa proteção das infraestruturas críticas no mar e em terra”, esclarece o Comandante Naval de Operações Especiais, Contra-Almirante (Fuzileiro Naval) Stewart da Paixão Gomes.
Os cabos submarinos são um ativo não só estratégico, como são a base do sustento de apoio na economia, na defesa. Acredito que a colaboração da Angola Cables e das outras operadoras com a Marinha é muito importante para defender esses ativos. E isso, com certeza, contribui para a soberania digital do Brasil”, afirma o diretor de tecnologia da Angola Cables, Adriano Caldevillas, que acompanhou as atividades desse primeiro dia.

Próxima fase
Nos dias 12 e 13 de novembro, o exercício será realizado em alto-mar, com a participação de militares do Comando Naval de Operações Especiais, do Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais, do Grupamento de Mergulhadores de Combate e do Centro de Guerra Acústica e Eletrônica. Também integram a operação o Navio de Socorro Submarino (NSS) “Guillobel”, o Submarino “Humaitá” e a aeronave SH-16 “Seahawk”, da Marinha do Brasil, além de um P-95, da Força Aérea Brasileira (FAB).
Nessa fase, será simulada uma operação não autorizada de um navio na Zona Econômica Exclusiva do Brasil, envolvendo interferência nos cabos submarinos da região, por meio de um veículo operado remotamente (ROV, na sigla em inglês). Os meios navais realizarão ações de inteligência, vigilância, reconhecimento e interceptação, com o objetivo de interromper a atividade ilícita e assegurar a proteção e o funcionamento da infraestrutura submarina.
Imagem de capa: Capitão-Tenente Gustavo Nascimento



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