A Marinha do Brasil (MB) ativou, na sexta-feira (12), o Esquadrão de Drones Táticos de Esclarecimento e Ataque no Batalhão de Combate Aéreo, situado no Complexo Naval da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro (RJ). Com a medida, o Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) contribui para a ampliação do poder naval brasileiro e para a evolução tecnológica.

Esse salto, conceitual e tecnológico, tem foco na prontidão operativa e no preparo para o enfrentamento de novas ameaças, além de alinhar a MB à evolução das Forças Armadas mais modernas do mundo. Para o Comandante de Operações Navais, Almirante de Esquadra Claudio Henrique Mello de Almeida, os Fuzileiros Navais devem estar sempre na vanguarda. 

Não é apenas um ajuste interno na estrutura de uma organização militar. Nós estamos falando de galgar uma vanguarda tecnológica e doutrinária que deve atender às nossas demandas para o combate. Temos que dominar as técnicas e os procedimentos para combater e vencer. É para isso que nós somos preparados no dia a dia", ressaltou o Almirante Mello.

De acordo com o Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Almirante de Esquadra (Fuzileiro Naval) Carlos Chagas Vianna Braga, o componente inédito representa também um novo paradigma na forma como os militares devem lidar com as novas tecnologias. "O Esquadrão já nasce como unidade tecnologicamente avançada e com uma filosofia diferente. Por muito tempo, nós ensinamos os militares a operarem as máquinas. Atualmente, o mundo vive um novo paradigma, no qual os militares devem estar aptos a operar com máquinas, ou seja, lado a lado com máquinas, muitas vezes, autônomas. São ações inovadoras na essência, de simples implementação e baixo custo inicial, mas que trarão enormes vantagens no futuro", afirmou o Almirante Carlos Chagas.

Nesse contexto, o Comandante do Batalhão de Combate Aéreo, Capitão de Mar e Guerra (Fuzileiro Naval) Rodrigo Rodrigues Fonseca, ressaltou a importância de a Marinha ter avançado no estabelecimento do Esquadrão da unidade. 

A ativação do Esquadrão de Drones Táticos de Esclarecimento e Ataque do Corpo de Fuzileiros Navais representa um passo decisivo rumo à modernização da Força de Fuzileiros da Esquadra. Mais do que apresentar uma nova estrutura administrativa e um conjunto de equipamentos, esse evento simboliza a consolidação de um conceito operacional avançado, no qual tecnologia, informação e precisão convergem para ampliar significativamente a capacidade de proteger nosso território e antecipar ameaças, demonstrando o compromisso do Corpo de Fuzileiros Navais e da Marinha do Brasil com a inovação e o incremento do seu poder de combate", destacou o Comandante Rodrigo Rodrigues.

 

Importância do novo Esquadrão

O Esquadrão de Drones Táticos de Esclarecimento e Ataque não se define apenas pelo seu poder de fogo ou pelo alcance de seus sensores, mas pela filosofia que representa. Em primeiro lugar, evidencia-se a transição para uma força orientada por dados, capaz de extrair, analisar e empregar informações em tempo real. Os drones de esclarecimento desempenham papel essencial nessa dinâmica: seus sensores eletro-ópticos, infravermelhos e termais fornecem uma consciência situacional precisa, permitindo que decisões críticas sejam tomadas com agilidade, segurança e embasamento técnico.

Em segundo lugar, o novo componente reforça a capacidade de produzir efeitos táticos de maneira proporcional e calibrada. A presença de plataformas aptas a executar missões de ataque controlado significa o fortalecimento de uma postura dissuasória eficaz. Isso amplia o espectro de opções para neutralizar ameaças sem comprometer a integridade de tropas em solo ou produzir efeitos colaterais, seja em operações de guerra ou de apoio ao Estado.

 
Emprego dual

Do ponto de vista tático, a capacidade de esclarecer o terreno, monitorar movimentos hostis e, quando necessário, produzir efeitos precisos constitui uma clara vantagem decisiva. Contudo, em cenários de crise humanitária, a mesma tecnologia pode ser empregada para localizar pessoas desaparecidas, avaliar danos e orientar ações de resgate. Assim, o novo Esquadrão não apenas amplia a capacidade de causar danos a eventuais ameaças, mas também fortalece a proteção de vidas e a prevenção de incidentes.

 

Impacto na doutrina e no treinamento das tropas 

A ativação do Esquadrão terá impacto direto sobre a doutrina e o treinamento das tropas. O domínio dessas tecnologias exige profissionais altamente capacitados — operadores de sistemas remotos, analistas de dados, especialistas em integração de sensores e equipes de manutenção com formação técnica avançada. Isso implica um amplo processo de criação de competências. 

Nesse sentido, destacam-se iniciativas como a Escola de Drones, que iniciará suas atividades, já no início do próximo ano, no Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo (CIASC), e a Unidade Fabril Expedicionária (UFEx), do Centro Tecnológico do Corpo de Fuzileiros Navais (CTecCFN), capaz de fabricar componentes em campanha, prestando apoio industrial diretamente no campo de batalha.

O impacto estratégico também se estende às parcerias internacionais. Ao operar tecnologias de ponta, o País posiciona-se como ator relevante em fóruns multilaterais de defesa e inovação. A interoperabilidade com Forças aliadas e a troca de experiências sobre o emprego de sistemas não tripulados tornam-se iniciativas mais viáveis.

Além disso, abre-se espaço para acordos industriais que podem impulsionar o desenvolvimento tecnológico nacional, fomentando a Base Industrial de Defesa. Trata-se de um momento histórico, sobretudo pela compreensão institucional de que é preciso investir em meios capazes de responder às mudanças globais.

O Esquadrão de Drones Táticos de Esclarecimento e Ataque nasce, portanto, preparado para acompanhar o ritmo acelerado da evolução tecnológica. Com ele, abre-se um novo capítulo para os Fuzileiros Navais e para a MB, guiado pela tecnologia, pela inovação e pelo compromisso de proteger a nação.

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Comentários

Tiago Rodrigue… (não verificado) Qui, 18/12/2025 - 17:31

Aprenderam com a guerra na Ukrânia. Já era hora! Agora seria bom abrir espaço para veteranos de guerra com experiência real em missões de combate. Temos muito a contribuir para evolução tática e técnica das FFAA do nosso Brasil.

Claudio Corrêa (não verificado) Qui, 18/12/2025 - 21:59

Muito importante isso.. espero que analisem todas as armas pouco tradicionais que estão sendo usadas na Ucrânia pela Rússia e pela Ucrânia. Dones comandados por fibra ótica.. ataque de saturação. Difícil é desenvolver os mísseis de longo alcance.

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