A Câmara dos Deputados realizou, nesta terça-feira (2), Sessão Solene em homenagem aos 80 anos da participação dos militares brasileiros na Segunda Guerra Mundial. Durante o evento, que contou com a presença de parlamentares e representantes das três Forças Armadas, foi destacado o papel da Marinha do Brasil (MB) na proteção de comboios mercantes rumo à Europa, além dos decisivos confrontos travados na Batalha do Atlântico, com notável atuação na defesa das águas e do território brasileiro.
A abertura da sessão contou com a exibição de um vídeo institucional produzido pela própria Casa, que apresentou imagens reais da década de 1940, retratando a escolta de comboios rumo ao continente europeu, com o objetivo de abastecer o exército aliado. As cenas também mostraram o emprego de navios da MB no transporte de militares da Força Expedicionária Brasileira (FEB) até o front e o trabalho árduo dos marinheiros nas batalhas ocorridas na costa brasileira e contra submarinos alemães.
Com os torpedeamentos de navios mercantes no litoral brasileiro, em 1942, o Brasil abandonou a neutralidade e declarou guerra ao Eixo, posicionando-se com firmeza em defesa da liberdade, da soberania e da paz. A atuação da Marinha foi marcante naquela que se tornou a mais longa campanha naval do conflito.
“Marinheiros brasileiros dedicaram-se à proteção do Atlântico, engajados em um esforço hercúleo. Formaram-se 575 comboios navais, que garantiram a travessia segura de mais de 3.160 navios mercantes, sob constante ameaça de submarinos inimigos. Esse êxito operacional da Marinha do Brasil, com mais de 99% de sucesso nas escoltas, é um marco da nossa história militar. Mas teve um custo elevado: tombaram 486 militares e 970 civis, totalizando 1.456 brasileiros que perderam a vida no mar”, relembrou o Assessor de Relações Institucionais da MB, Contra-Almirante (Reserva) Pedro Lima Silva Filho.
A MB foi a primeira Força Armada nacional a entrar em combate e a última a deixar o conflito. Assim, a guerra não se restringiu às frentes de batalha terrestres, mas também ocorreu nos mares brasileiros, em águas que se regaram “com o sangue e a coragem dos Marinheiros”, como ressaltou o Contra-Almirante (Reserva) Silva Filho.

O Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Almirante de Esquadra Renato Rodrigues de Aguiar Freire, representou o Ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho. Ele destacou que o Brasil foi o único país sul-americano a enviar tropas para o conflito. “Ao homenagearmos os heróis da Segunda Guerra Mundial, também reconhecemos que o sacrifício deles transcendeu qualquer distinção de raça, classe social ou origem regional. Conviviam jovens do Recife, operários de São Paulo, fazendeiros do Rio Grande do Sul e ribeirinhos da Amazônia. Esse exemplo permanece um pedestal moral para a democracia brasileira.”
Para ele, o evento realizado naquela Casa de Leis – berço da democracia – reafirma o compromisso de manter viva a chama patriótica. “Educar as novas gerações sobre esses eventos é mais do que um dever cívico, é parte de nossa missão constitucional de preservar a memória nacional e fortalecer o sentimento de unidade e respeito à vida.”
O Deputado Federal Pedro Aihara (PATRIOTA-MG), proponente da sessão, afirmou que o sacrifício das Forças Armadas brasileiras jamais será esquecido. “Eles são faróis que iluminam o presente e apontam caminhos para o futuro. Que cada militar que hoje veste a farda lembre-se de que carrega, em seu uniforme, não apenas a defesa de um território, mas a herança de homens que provaram ao mundo que o Brasil sabe lutar pela paz”, reiterou.

Aihara destacou, ainda, que os militares enfrentaram não apenas o inimigo no campo de batalha, mas também o frio, a incerteza e a saudade. “Venceram porque acreditaram que o Brasil tinha um papel no mundo, porque compreenderam que a democracia e a justiça não são concessões, mas conquistas que devem ser defendidas, mesmo com o próprio sangue. Graças a eles, o Brasil saiu da guerra respeitado e fortalecido”, completou.
O Deputado Federal Luiz Carlos Hauly (PODEMOS-PR), outro proponente da sessão, ressaltou que o direito à democracia é inegociável e foi reafirmado com a criação da Organização das Nações Unidas (ONU), após o conflito. “Em pleno século XXI, presenciamos ainda lideranças que oprimem seus povos por meio de guerras internas e externas, com bombardeios e mutilações, utilizando tecnologia sofisticada para atacar civis e crianças em diferentes partes do mundo. Nossas Forças Armadas resistiram e continuam resistindo bravamente a essas ideologias falidas”, enfatizou. Para ele, é essencial reconhecer aqueles que colocam a Nação e a Pátria em primeiro lugar.
Em discurso emocionado, Maria do Socorro de Barros, filha da enfermeira combatente Aracy Arnaud Sampaio, afirmou que não poderia representar pessoalmente os heróis daquela época, pois muitos ainda estão vivos. Relatou que, em sua convivência com eles, aprendeu que lutaram movidos pelo amor à Nação e pela coragem que já possuíam, enfrentando inclusive o medo.
“Eles acreditavam na vitória. Que isso seja legado e comemorado, pois a terra, o ar e as águas jamais esquecerão dos heróis desta pátria”, completou.

Assista ao vídeo:
youtube[https://www.youtube.com/embed/mqzOooI45EU]



Comentários
Boa noite! recebam todo o meu respeito e admiração. gostaria de tirar uma dúvida, meu pai Manoel Silveira Martins era da marinha mercante ele foi um sobrevivente do navio Itagiba em 1942 que foi torpediado , a Pois a guerra em 1962 ele faleceu o coração parou, ele ainda estava nativa e tinha 47 anos de idade. eu tenho direito a pensão? minha mãe viúva faleceu em 1968. poderia me responder por favor. obrigada e tenham um ABENÇOADO NATAL
Comentar