A Marinha do Brasil (MB) deu início, na última sexta-feira (26), ao ciclo nacional de simpósios “Horizontes da Economia Azul”, iniciativa que reunirá especialistas, representantes do setor produtivo, autoridades e pesquisadores para discutir o potencial estratégico dos ambientes marítimo e fluvial brasileiros. O primeiro encontro, realizado na Escola de Guerra Naval (EGN), no Rio de Janeiro, teve como tema a Margem Equatorial brasileira, considerada uma das principais fronteiras para o desenvolvimento econômico e para o fortalecimento da Segurança Marítima do País.

Por meio da Diretoria de Portos e Costas (DPC), o simpósio reuniu representantes da administração pública, da academia, de empresas e de instituições ligadas aos setores marítimo, portuário, energético e ambiental. Gratuito e aberto ao público, o evento marcou o início de uma série de debates que serão realizados em diferentes regiões brasileiras até abril de 2027, culminando em um simpósio nacional, em Brasília.

Para o Diretor-Geral de Navegação, Almirante de Esquadra Sílvio Luís dos Santos, o propósito deste ciclo de fóruns é colocar as atividades marítimas em foco, para não só discutir as questões, como também, potencializá-las. “Nossa ideia é trazer todas as especificidades marítimas e fluviais, discutir os aspectos, identificar gargalos e de uma forma racional encontrar soluções para esses problemas. Nós queremos trazer luz para essas questões, discutir os problemas e achar soluções para explorar adequadamente as nossas potencialidades.” 

Primeiro eixo temático do ciclo, a Margem Equatorial foi escolhida por representar uma das regiões mais estratégicas para o desenvolvimento nacional. Em 2025, o Brasil garantiu o direito sobre essa área marítima de 360 mil km² entre o Amapá e o Rio Grande do Norte. Com potencial estimado em até 30 bilhões de barris de petróleo, a Margem Equatorial se consolida como a nova fronteira energética do País. 

Além do potencial para atividades ligadas à energia, à logística e à infraestrutura portuária, a área concentra desafios relacionados à proteção ambiental, à segurança da navegação, ao monitoramento marítimo e à presença do Estado em uma faixa de grande importância geopolítica.

Durante o evento, o Gerente Executivo da Segurança, Meio Ambiente e Saúde da Petrobras, Flaubert Matos Machado apresentou a Margem Equatorial no contexto da segurança e soberania energética. “A Margem Equatorial tem dimensões únicas inexploradas cujo potencial precisamos conhecer, como as Bacias de Santos, Campos e Espírito Santo. Nesse contexto é importante destacar que a segurança energética está diretamente ligada à soberania nacional, e é completamente possível conciliar o desenvolvimento socioeconômico com a sustentabilidade ambiental”, destacou. 

Ao longo do dia, representantes da MB, da Petrobras, da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), além de empresas e instituições ligadas aos setores marítimo, portuário e ambiental, compartilharam experiências e discutiram caminhos para conciliar desenvolvimento econômico, inovação, sustentabilidade e Segurança Marítima.

De acordo com a Superintendente de Promoção de Licitações da ANP, Marina Abelha, as fronteiras brasileiras são estratégicas por diversos motivos. “No nosso País temos diversificação geopolítica, somos atrativos para diferentes perfis de investidores dado que existem oportunidades tanto em áreas maduras quanto em fronteiras de alto potencial. Com responsabilidade ambiental, segurança e transparência o Brasil pode e deve explorar suas fronteiras.”

Ciclo nacional promoverá debates em diferentes regiões brasileiras

O ciclo “Horizontes da Economia Azul” foi concebido para valorizar as diferentes vocações econômicas e marítimo fluviais do Brasil. Entre junho de 2026 e abril de 2027, a iniciativa passará por diversas regiões do País, como Campo Grande (MS) e Cuiabá (MT) em julho, Belém (PA) em agosto, Recife (PE) em setembro, Salvador (BA) em novembro, Porto Alegre (RS) e Itajaí (SC) em fevereiro de 2027, São Paulo (SP) em março de 2027 e Brasília (DF) em abril de 2027. 

Os simpósios promovem debates alinhados às características locais e reúne representantes do poder público, da academia, do setor produtivo e da sociedade. Ao final do ciclo, as contribuições apresentadas nos simpósios regionais serão consolidadas em Brasília, com o objetivo de subsidiar propostas para o fortalecimento da Economia Azul, da Segurança Marítima e do desenvolvimento sustentável.

Segundo o CEO da CLS Brasil, Júlio Pellegrini que apresentou o painel “Aspectos do Monitoramento Ambiental na Perspectiva da Amazônia Azul” no Simpósio na EGN: “a Marinha é o ente estruturante desse debate de forma inequívoca, talvez seja o principal representante do Estado brasileiro de forma perene que consegue lidar com todas essas informações”, ressaltou. 

Debates continuam no Mato Grosso do Sul

A segunda etapa do ciclo será realizada em 10 de julho, no Bioparque Pantanal, em Campo Grande (MS). O simpósio terá como tema “O papel das hidrovias, do turismo e da formação profissional no desenvolvimento sustentável do Mato Grosso do Sul”. Os debates irão abordar o potencial das hidrovias na integração, logística, e sustentabilidade para o desenvolvimento regional, o turismo sustentável e a qualificação profissional para atender às demandas da Economia Azul.

A programação reunirá representantes da MB, do setor hidroviário, do turismo e de instituições de ensino, dando continuidade à proposta de construir, em diferentes regiões do País, um amplo debate sobre os recursos marítimos e fluviais brasileiros.
Saiba mais em: https://heazul.com.br/eventos/campo-grande

Economia Azul 

Mais do que um conceito, a Economia Azul representa uma estratégia de desenvolvimento que integra crescimento econômico, inovação e preservação ambiental. Ela reúne atividades como transporte marítimo, pesca, aquicultura, turismo, infraestrutura portuária, energias offshore, biotecnologia marinha e exploração sustentável dos recursos do mar.

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