Sistemas autônomos, soluções de geointeligência e experiências imersivas voltadas à Defesa Nacional marcaram a participação da Marinha do Brasil (MB) na DroneShow Robotics 2026, realizada de 16 a 18 de junho no Expo Center Norte, em São Paulo (SP). Por meio da Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha (DGDNTM), a Força apresentou projetos de ciência, tecnologia e inovação desenvolvidos para aplicações em monitoramento marítimo, proteção de infraestruturas estratégicas e apoio às operações navais.
Considerada a maior feira de drones e sistemas autônomos da América Latina e a segunda maior do mundo, a DroneShow atraiu cerca de 10 mil visitantes e reuniu especialistas, empresas, universidades, centros de pesquisa e órgãos governamentais para discutir tendências e apresentar soluções tecnológicas voltadas a áreas estratégicas como defesa, segurança, energia e infraestrutura.
Ao longo dos três dias de evento, a Marinha apresentou em seu estande sistemas autônomos, simuladores e experiências imersivas que permitiram aos visitantes conhecer de perto projetos e soluções tecnológicas desenvolvidos pela Força Naval. As demonstrações destacaram o emprego dessas capacidades em diferentes cenários operacionais, evidenciando o compromisso da Instituição com a inovação e a preparação para os desafios do futuro.
O Diretor-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, Almirante de Esquadra Alexandre Rabello de Faria, destacou a importância da participação da Força em eventos voltados à inovação e ao desenvolvimento tecnológico.
A DroneShow Robotics proporciona um ambiente privilegiado para a troca de conhecimentos e para a aproximação entre instituições, universidades, centros de pesquisa e empresas que atuam em áreas estratégicas para o País. A participação da Marinha neste evento evidencia o compromisso da Instituição com o desenvolvimento de tecnologias voltadas à Defesa Nacional e reforça a importância da ciência, da inovação e da transformação digital para o fortalecimento das capacidades operativas e da soberania brasileira”, afirmou o Almirante de Esquadra.

Em seu segundo ano consecutivo de participação no evento, a Marinha teve como principal destaque a Plataforma Remota de Interface para Sistemas Marítimos Autônomos (PRISMA), sistema brasileiro de controle e automação de veículos de superfície não tripulados desenvolvido pelo Centro de Análises de Sistemas Navais (CASNAV). A tecnologia permite converter embarcações convencionais em Veículos de Superfície Não Tripulados (VSNT), ampliando a consciência situacional dos operadores por meio do processamento de dados que apoiam a tomada de decisão em ambientes marítimos complexos.
O sistema utiliza cartas náuticas vetoriais de alta precisão e recursos avançados de planejamento de rotas, capazes de calcular trajetos seguros e adaptar a navegação às condições ambientais em tempo real. Sua arquitetura modular permite a integração de novas capacidades e o emprego da embarcação em diferentes tipos de missão, como vigilância, reconhecimento, inteligência, guerra de minas, busca e salvamento, patrulha naval e proteção de infraestruturas críticas.
Durante a DroneShow Robotics 2026, o público acompanhou uma demonstração na qual uma embarcação localizada no Rio de Janeiro foi controlada remotamente a partir do estande da Marinha em São Paulo. A apresentação evidenciou o potencial do PRISMA para ampliar a segurança, a eficiência e a flexibilidade das operações navais, reduzindo a exposição de pessoal em áreas de risco e expandindo o emprego de sistemas autônomos no ambiente marítimo.
O Diretor do CASNAV, Capitão de Mar e Guerra Hugo Leonardo Fernandes da Costa, ressaltou a importância do PRISMA para a evolução dos sistemas marítimos autônomos desenvolvidos pela Marinha.
“A demonstração realizada durante a DroneShow evidencia a maturidade tecnológica alcançada pelo PRISMA e sua capacidade de transformar embarcações convencionais em veículos de superfície não tripulados. Trata-se de uma solução nacional que amplia a consciência situacional, aumenta a segurança das operações e abre novas possibilidades para o emprego de meios autônomos no ambiente marítimo”, destacou o Comandante Hugo.

Além do PRISMA, foram apresentadas outras soluções voltadas ao emprego de sistemas não tripulados, como o Veículo Submarino Autônomo (VSA) utilizado em operações de contramedidas de minagem para varredura do fundo marinho e identificação de objetos submersos.
A participação da Marinha reuniu ainda projetos e experiências imersivas que evidenciam suas capacidades operativas. Entre os destaques estiveram o Robô Expedicionário, desenvolvido pelo Centro Tecnológico do Corpo de Fuzileiros Navais (CTecCFN) para atuação em ambientes com risco nuclear, biológico, químico e radiológico (NBQR) e o Simulador Virtual para Estudo Topotático do Terreno (SVETT), empregado na formação dos Fuzileiros Navais por meio da visualização tática de qualquer região do globo em ambiente virtual.

Para o visitante da feira Nicolas Matheus Paparotte, aluno do curso técnico de Agrimensura da Unicamp, a experiência proporcionada pelo SVETT foi uma das atrações mais marcantes do estande da Marinha. “O que mais me chamou a atenção foi o nível de imersão da tecnologia. A sensação de estar observando o terreno de forma realista ajuda a compreender melhor o ambiente e suas características. Eu também não conhecia esse tipo de aplicação desenvolvida pela Marinha, o que tornou a experiência ainda mais surpreendente. Foi muito interessante perceber como essa tecnologia pode ser utilizada de forma prática no planejamento e na execução de operações”, afirmou o estudante.

No último dia da programação, o Diretor de Gestão de Programas da Marinha (DGePM), Vice-Almirante Marcelo da Silva Gomes, participou do Fórum sobre Geointeligência na Segurança e Defesa, onde abordou o emprego de drones, satélites e sistemas integrados de monitoramento e proteção das águas jurisdicionais brasileiras. Durante a palestra, o Almirante apresentou o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz), iniciativa estratégica da Marinha voltada à ampliação da consciência situacional marítima por meio da integração de sensores, radares, sistemas de vigilância, meios navais e informações geoespaciais, contribuindo para o monitoramento, a proteção de infraestruturas críticas e o combate a ilícitos no mar.
Ao comentar a contribuição de tecnologias autônomas para esse cenário, o Vice-Almirante destacou a importância de soluções como o PRISMA para ampliar a capacidade de vigilância da Força Naval. “Sistemas autônomos como o PRISMA representam um importante multiplicador de capacidades para a Marinha. Integrados a iniciativas como o SisGAAz, eles permitem ampliar a coleta de dados, aumentar a presença em áreas de interesse e fortalecer o monitoramento da Amazônia Azul, contribuindo para uma consciência situacional mais abrangente e para a proteção dos recursos e das infraestruturas estratégicas do País”, afirmou o Vice-Almirante.

Ao participar da DroneShow Robotics 2026, a Marinha reafirmou seu compromisso com o desenvolvimento de tecnologias estratégicas para a Defesa Nacional, demonstrando como a pesquisa, a inovação e a transformação digital contribuem para o fortalecimento da soberania e das capacidades operativas do País.
Assista ao vídeo:



Comentar