A Marinha do Brasil (MB) concluiu a 44ª Operação Antártica (OPERANTAR XLIV), responsável por apoiar pesquisas científicas, garantir suporte logístico e reforçar a presença brasileira na Antártica. Durante o verão antártico, a operação reuniu 185 pesquisadores (97 homens e 88 mulheres), apoiou 26 projetos científicos e mobilizou meios navais, aéreos e estruturas especializadas do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR).
As atividades científicas foram realizadas nos 21 laboratórios existentes na Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), no Navio Polar “Almirante Maximiano” e no Navio de Apoio Oceanográfico “Ary Rongel”, além dos acampamentos lançados por helicópteros (UH-17).
Essa atuação integrada garantiu o apoio científico e logístico necessário ao pleno desenvolvimento da Operação no âmbito do PROANTAR. Durante o verão antártico, o revezamento dos participantes foi possibilitado por meio de oito voos, com as aeronaves KC-390 Millennium e C-105 Amazonas, ambas da Força Aérea Brasileira, em ação conjugada com os navios mencionados.

A Operação apoiou 26 projetos em áreas estratégicas, como: mudanças climáticas, oceanografia, biologia e saúde em ambientes extremos. As atividades de campo foram intensamente coordenadas, com destaque para as mais de 400 horas de coleta de dados e experimentos científicos, executados em diferentes pontos do entorno da Estação e em acampamentos avançados, contribuindo significativamente para a produção científica nacional e para o entendimento de fenômenos globais.

A execução da “OPERANTAR XLIV” evidenciou o desempenho transversal de diversos setores da MB na sustentação do PROANTAR. No campo técnico especializado, o Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ) e a Diretoria de Obras Civis da Marinha (DOCM) atuaram de forma complementar, assegurando a operacionalidade da Estação e dos meios navais. O AMRJ foi responsável pela gestão de manutenção dos navios polares e pelo envio de técnicos especializados à região austral, enquanto a DOCM colaborou com soluções técnicas para a correção e modernização dos sistemas das instalações.
A Diretoria de Abastecimento da Marinha (DABM) e suas organizações subordinadas atuaram na assistência à cadeia de suprimentos, ao tempo que as Comissões Navais Brasileiras na Europa e em Washington demandaram a aquisição de sobressalentes e suporte internacional junto ao Operador Logístico. Este último, por sua vez, atende as demandas do Programa, a partir de Punta Arenas, no Chile, e Ushuaia, na Argentina.

No campo da segurança operacional, o Centro de Adestramento Almirante Marques de Leão (CAAML) realizou diversos exercícios simulados e, sob a coordenação da Diretoria Geral de Navegação (DGN), foi conduzida a Vistoria e Assessoramento de Segurança e de Administração na EACF, com a execução de exercícios de emergência ambiental e controle de avarias, reforçando a proteção da vida humana e do meio ambiente.

Simultaneamente às atividades desenvolvidas na Antártica, ações de apoio ao Programa em território nacional permaneceram em andamento, refletindo o esforço coordenado necessário à execução da operação. Nesse contexto, o Comando do 5º Distrito Naval (Com5ºDN) apoiou as atividades da Estação de Apoio Antártico em Rio Grande (ESANTAR-RG), importante estrutura logística localizada no sul do País e responsável por dar suporte às ações do PROANTAR.

Na seleção dos integrantes do Grupo-Base, a Diretoria de Pessoal da Marinha (DPM) coordenou a triagem dos voluntários. Já o Serviço de Seleção do Pessoal da Marinha (SSPM), o Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (CEFAN) e o Centro de Avaliação da Ilha da Marambaia (CADIM) atuaram na capacitação dos participantes por meio da Seleção do Grupo-Base e do Treinamento Pré-Antártico.
Ao todo, cerca de 800 candidatos, entre militares e pesquisadores, receberam orientações específicas para atuar no continente antártico, a título de preparação diante das condições extremas da região. Além disso, o Serviço de Assistência Social da Marinha (SASM) prestou apoio aos familiares dos militares empregados em missões de longa duração no exterior, como a OPERANTAR.

Na área da saúde, a Diretoria de Saúde da Marinha (DSM), com o apoio do Hospital Naval Marcílio Dias (HNMD), assegurou o atendimento médico por telemedicina, modalidade que se consolidou como referência de assistência à saúde no continente antártico. Destacam-se, ainda, os atendimentos médicos e odontológicos de caráter emergencial realizados na enfermaria da EACF a integrantes de programas estrangeiros, contribuindo para o fortalecimento da cooperação internacional.

Como parte das ações de divulgação do PROANTAR, a Estação realizou 16 videoconferências com escolas e instituições, alcançando centenas de estudantes e profissionais de diferentes regiões do Brasil. A iniciativa contribuiu para ampliar o interesse pela ciência, além de promover a cultura oceânica e a mentalidade marítima no País.
Nesse contexto, o Centro de Comunicação Estratégica da Marinha (CCEM) ampliou a divulgação das atividades científicas, logísticas e operacionais desenvolvidas no âmbito do Programa. Por meio das mídias sociais da Marinha, as ações realizadas na Antártica ganharam visibilidade, aproximando a sociedade da relevância do PROANTAR para a pesquisa científica e para a presença brasileira no continente antártico.
A modernização da conectividade na EACF, por meio da implantação da tecnologia 5G, representou um avanço significativo para a infraestrutura brasileira no continente antártico. A substituição do sistema 4G ampliou a capacidade de transmissão de dados e aumentou a confiabilidade das comunicações, permitindo mais rapidez no envio de grandes volumes de informações para centros de pesquisa no Brasil e no exterior. O novo sistema também contribuiu para maior eficiência das operações diárias e para o reforço da segurança das equipes.

No campo logístico, a operação transportou aproximadamente 500 mil litros de combustível, essenciais para a manutenção das atividades na Antártica. Outro destaque foi o comissionamento da Lancha de Apoio Polar “Pinguim”, que ampliou a capacidade de apoio às pesquisas científicas. A operação contou ainda com a parceria da PETROBRAS e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, reforçando a integração entre instituições nacionais em apoio ao PROANTAR.

Durante a operação, foi realizada a cerimônia alusiva aos 40 anos da primeira invernada de brasileiros no continente antártico. O evento contou com a presença do Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen; da Secretária-Geral do Ministério da Defesa, Cinara Fredo; do Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante de Esquadra Arthur Fernando Bettega Corrêa; e do atual Secretário da Comissão de Promoções de Oficiais da Marinha, Contra-Almirante (Fuzileiro Naval - Reformado) José Henrique Salvi Elkfury, chefe do primeiro Grupo-Base a invernar na Casa do Brasil na Antártica em 1986. Também participaram representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e outras autoridades.
Conduzida pelo Secretário da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar, Contra-Almirante Robledo, a cerimônia destacou a importância histórica e estratégica do PROANTAR, construída ao longo de quatro décadas de atuação contínua no continente antártico.

A dimensão internacional da operação também se refletiu na interação com diversos programas antárticos. Durante a “OPERANTAR XLIV”, a EACF recebeu visitantes de Portugal, Chile, Peru, Colômbia, Polônia, Itália, França, Estados Unidos, Canadá, Espanha, Argentina, Equador e República Tcheca, todos interessados em conhecer a infraestrutura e as atividades desenvolvidas pelo Brasil no continente antártico.
Além das visitas de pesquisadores e integrantes de programas estrangeiros, a Estação recebeu representantes diplomáticos e autoridades militares de diferentes países. O intercâmbio reforçou o papel da EACF como ponto de encontro para a cooperação científica, técnica e diplomática na região e evidenciou o reconhecimento internacional da atuação brasileira na Antártica.
Ao término da “OPERANTAR XLIV”, destaca-se a contribuição de diversas instituições civis e militares para o sucesso da missão. Entre elas estão o MCTI, por meio do CNPq; o Estado-Maior da Armada (EMA); o Estado-Maior da Aeronáutica; a DGN; a Diretoria de Finanças da Marinha (DFM); a Fundação Espírito-santense de Tecnologia; além de outras organizações parceiras que contribuíram para o apoio logístico, científico e operacional do Programa Antártico Brasileiro.



Comentar