O Brasil participou da 38ª Reunião Anual do Conselho de Gerentes dos Programas Antárticos Nacionais (COMNAP), realizada entre os dias 4 a 6 de agosto, em Tromsø, na Noruega. O encontro reuniu representantes de 30 dos 34 programas antárticos nacionais integrantes da organização, além de observadores e representantes de instituições que atuam no Sistema do Tratado da Antártica.
O COMNAP reúne programas antárticos nacionais para o intercâmbio de experiências e a coordenação de atividades relacionadas ao apoio logístico e operacional à pesquisa científica na Antártica. A participação do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR) permite o compartilhamento de informações e práticas com países que também desenvolvem atividades no continente.

Durante a reunião, os programas compartilharam informações sobre o planejamento da temporada 2026/2027, projetos de modernização de instalações e medidas para reduzir riscos operacionais associados às mudanças ambientais nas diferentes regiões da Antártica. Também foram discutidas formas de ampliar o apoio à coleta de informações científicas e o compartilhamento da infraestrutura entre programas que atuam na mesma região.
A segurança das operações esteve entre os temas da programação. Os grupos de especialistas do COMNAP abordaram operações aéreas e marítimas, medicina e biologia humana, proteção ambiental, tecnologias aplicadas às operações antárticas e apoio à ciência. Também foram discutidos o emprego de helicópteros a partir de navios, combustíveis alternativos, gerenciamento de bioincrustação, capacidades de navios de pesquisa e utilização de sistemas de aeronaves remotamente pilotadas.
Os temas estão relacionados ao planejamento das Operações Antárticas (OPERANTAR), que envolvem o funcionamento permanente da Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), a operação dos Navios de Apoio Oceanográfico “Ary Rongel” e Navio Polar “Almirante Maximiano” e seus helicópteros, o apoio de aeronaves da Força Aérea Brasileira, a realização de acampamentos científicos em locais de difícil acesso e a cooperação logística e científica com programas antárticos de outros países.
A prevenção da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade esteve entre os temas discutidos pelo COMNAP. Diante da presença confirmada da doença na fauna da Península Antártica, principal área de atuação do PROANTAR, os especialistas destacaram a necessidade de manter as medidas de biossegurança, revisar os procedimentos nacionais e incluir esses protocolos nos treinamentos realizados antes do deslocamento para a Antártica.
A reunião aprovou o Plano Estratégico do COMNAP para o período 2026–2033, que orientará as atividades da organização e prevê apoio à realização do 5º Ano Polar Internacional (IPY-5). A iniciativa reunirá pesquisas sobre as regiões polares, com o uso de ciência aberta, novas tecnologias e abordagens multidisciplinares para ampliar a compreensão sobre os impactos das transformações nessas regiões no sistema terrestre.
De acordo com a Coordenadora-Geral de Ciências para Oceano e Antártica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Andrea Cruz, “As transformações que ocorrem na Antártica e no Oceano Austral têm reflexos muito além das regiões polares, influenciando o clima, os oceanos e o nível do mar. Para a ciência brasileira, participar desse esforço significa não apenas ampliar o conhecimento sobre o continente antártico, mas também compreender melhor processos que afetam diretamente o Brasil e o Atlântico Sul. O próximo ano polar internacional permitirá fortalecer ainda mais a cooperação entre países, compartilhar dados e infraestrutura e desenvolver pesquisas que dificilmente poderiam ser realizadas de forma isolada.”
A Capitão de Mar e Guerra (Engenheira Naval) Haynnee Trad foi eleita para uma das Vice-Presidências do COMNAP, com mandato de três anos. Integrante da Assessoria Especializada de Relações Internacionais da SECIRM, a Oficial passa a compor o Comitê Executivo da Organização ao lado de representantes do Reino Unido, da Itália, da Turquia, da Índia e da Polônia. “A eleição de uma Oficial brasileira reforça a capacidade de interlocução e a presença do País nos mecanismos internacionais de coordenação das atividades antárticas e constitui um reconhecimento da participação do PROANTAR no COMNAP, além da sua contribuição para a cooperação logística, operacional e científica no continente Austral”, enfatizou o Contra-Almirante Robledo, Secretário da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar.
Na sessão sobre Educação e Divulgação, o PROANTAR apresentou o curso “Antártica ou Antártida?”, desenvolvido pela Universidade Federal do ABC (UFABC). A iniciativa tem como objetivo aproximar a ciência antártica das escolas e ampliar o conhecimento sobre a Antártica e suas conexões com o sistema climático global.
No grupo dedicado à proteção ambiental, o Brasil apresentou um curso desenvolvido em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Petrobras para capacitar o Grupo-Base da EACF em prevenção e resposta a derramamentos de óleo. Realizado antes do início da missão na Antártica, o treinamento aborda procedimentos relacionados à transferência de combustíveis, à contenção e resposta a eventuais derramamentos e ao gerenciamento de resíduos.

Paralelamente à programação, foram realizadas reuniões com o Instituto Polar Norueguês e a Universidade do Ártico para discutir possibilidades de cooperação científica entre Brasil e Noruega. Segundo a Coordenadora dos Programas de Pesquisa em Ciências Ambientais e do Mar do CNPq, Margareth Carvalho, a aproximação entre instituições dos dois países pode ampliar a participação de pesquisadores brasileiros em redes internacionais de pesquisa e favorecer investigações conjuntas e o intercâmbio de dados e conhecimentos. As discussões estão relacionadas às diretrizes da ciência antártica brasileira para a próxima década, que incluem a internacionalização da pesquisa e a realização de estudos integrados sobre as relações entre as regiões polares, o oceano e o clima global.”


Comentar