A Marinha do Brasil (MB), por meio do Centro de Operações de Paz e Humanitárias de Caráter Naval (COpPazNav), em parceria com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE), realizou, em 28 de agosto, o II Seminário Internacional de Operações Humanitárias e Resposta a Desastres Naturais. O evento reuniu mais de mil participantes, entre civis e militares, para discutir cooperação internacional, assistência humanitária e aprimoramento das capacidades de resposta a desastres.

Durante o seminário, os participantes conheceram as capacidades do Hospital de Campanha (HCamp) da MB, empregado no apoio às vítimas dos terremotos ocorridos na Venezuela, em junho deste ano. A unidade está em processo de solicitação de reconhecimento pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como Equipe Médica de Emergência de nível 2, classificação relacionada à capacidade de prestar atendimento ambulatorial, realizar cirurgias e manter pacientes internados.
Em função do excelente desempenho na resposta ao terremoto na Venezuela, estamos entregando hoje à Organização Pan-Americana de Saúde, que representa a OMS no Brasil, uma nota verbal para solicitar que o Hospital de Campanha da Marinha do Brasil seja reconhecido como de nível 2, com capacidades ambulatorial, de realizar cirurgias e internação. Isso irá conferir reconhecimento global para as suas atuações internacionais", disse o Ministro José Solla Vázquez Junior, Coordenador Geral de Assistência Humanitária do MRE.

O Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Almirante de Esquadra (Fuzileiro Naval) Carlos Chagas Vianna Braga, ao proferir as palavras da mesa de abertura do seminário, relembrou a atuação das Forças Armadas brasileiras no apoio às vítimas dos terremotos na Venezuela.
"Queria destacar a prontidão do Brasil para apoiar uma nação amiga em um momento de dor. O fato é que o Hospital de Campanha do Brasil, operado por militares brasileiros, foi o primeiro a chegar e o primeiro a iniciar o atendimento na Venezuela, transportado a bordo de aeronaves o KC-390 Millenium da Força Aérea Brasileira, fabricado no Brasil. Isso deve ser motivo de grande orgulho para o País e não deve ser esquecido.", afirmou o Almirante, ao lado do Tenente-Brigadeiro do Ar Mário Sérgio Rodrigues da Costa, Chefe de Logística e Mobilização do Ministério da Defesa. O Brigadeiro Mário Sérgio destacou a importância do aperfeiçoamento dos procedimentos e da coordenação interagências, de forma a obter eficiência cada vez maior no processo de assistência humanitária e resposta a desastres. O evento também contou com a presença do representante da OPAS/OMS no Brasil, Cristian Roberto Morales Fuhrimann.
Ainda na parte da manhã, foram abordados assuntos como a evolução da medicina operativa na MB, o engajamento das Forças Armadas brasileiras nos desastres, o gerenciamento de risco, a atuação da Força de Resposta Imediata a Desastres Ambientais (FRIDA), a Força Nacional do SUS e o papel do BNDES no enfrentamento de eventos extremos.
O Diretor do Departamento de Preparação e Socorro da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, Armin Augusto Braun, destacou o que considera fundamental nas operações humanitárias. "Temos quatro prioridades: a compreensão do risco, o reforço da governança, o investimento da resiliência e a melhora na preparação de desastres e sete metas, como diminuir a mortalidade global por desastres, o número de afetados, os danos em infraestrutura básica e as perdas econômicas, além de aumentar a cooperação internacional, as estratégias e a disponibilidade e o acesso a alertas precoces e informação.”
Além disso, a Chefe do Departamento de Enfrentamento de Eventos Extremos do BNDES, Bruna Pretti Casotti, mostrou quais são as ações do banco para as soluções emergenciais. "Revisamos nossa governança emergencial, estabelecemos uma matriz de tarefas e responsabilidades e elaboramos um regulamento para a Força Tarefa Emergencial. Também adquirimos bases de dados externas e firmamos acordos de cooperação com a Marinha do Brasil, o CEMADEN e a SEDEC", afirmou.

À tarde, os participantes acompanharam uma demonstração das capacidades do HCamp da Marinha e uma visita guiada à estrutura. O complexo médico-expedicionário conta com 30 leitos de enfermaria, quatro leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), centro cirúrgico e laboratório de análises clínicas, além de equipamentos de raios X e ultrassonografia e estruturas para atendimento odontológico, fisioterapia e assistência farmacêutica. A unidade também oferece atendimento em pediatria, ortopedia, obstetrícia, assistência social e acompanhamento psicológico. Para apoiar o funcionamento em cenários de desastre, o HCamp dispõe de estação própria de tratamento de água, cozinha de campanha e sistema de comunicação por satélite.

Segundo Pedro Paulo de Almeida, estudante de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense, o evento foi bem proveitoso. "O seminário nos ofereceu muitas perspectivas e eu pude entender melhor como são as estratégias de pronto-atendimento das grandes operações humanitárias. Achei também muito impressionante a velocidade de montagem e desmontagem do hospital, com um interesse muito bonito por trás, que é o interesse humanitário.”

A programação também abordou as lições aprendidas na resposta aos terremotos na Venezuela, com apresentações sobre a atuação das Equipes Médicas de Emergência (EMT) e da OPAS/OMS, a logística das operações, as atividades de busca e resgate e o emprego do HCamp brasileiro. Para Garielle Bessa, estudante de Medicina da Unigranrio, o seminário contribuiu para ampliar o conhecimento sobre a atuação em situações de emergência. "Conhecimento é poder e é essencial para salvar vidas. As vidas dependem do nosso conhecimento. Dessa forma, a gente pode levar o melhor para a população."
De acordo com a repórter da TV Record, Vivian Casanova, o seminário foi engrandecedor. “Encontro interessantíssimo. Diante da mudança climática que estamos enfrentando e a sequência de eventos devastadores, temos que estar cada vez mais preparados.”
O propósito do II Seminário Internacional de Operações Humanitárias e Resposta a Desastres Naturais foi promover o intercâmbio de conhecimentos e experiências e fomentar as diversas formas de aprimorar a capacidade do Brasil na resposta e mitigação de desastres ambientais, com destaque para a atuação da Força de Resposta Imediata a Desastres Ambientais (FRIDA) e do HCamp brasileiro no apoio às vítimas dos terremotos ocorridos na Venezuela, em junho de 2026, além das lições aprendidas em outras operações humanitárias e no processo de certificação do HCamp junto à OPAS/OMS.


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