A Fragata “Tamandaré” (F200), primeiro navio do Programa Fragatas Classe Tamandaré incorporado à Marinha do Brasil (MB), foi cenário, nesta quinta-feira (11), de um importante avanço para a economia do mar e para a governança da Amazônia Azul. Atracada na Base Naval de Mocanguê, em Niterói (RJ), a embarcação recebeu a cerimônia de anúncio de novos investimentos da iniciativa “BNDES Azul”, programa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) voltado ao desenvolvimento sustentável do ambiente costeiro e marinho brasileiro.

O evento reuniu representantes do Governo Federal, especialistas da área ambiental e autoridades da Marinha, consolidando uma parceria estratégica em torno da proteção dos recursos marinhos e do fortalecimento da chamada Economia Azul. 

Durante a cerimônia, foram formalizados apoios a projetos de conservação dos recifes de coral e anunciados novos avanços do Planejamento Espacial Marinho (PEM), iniciativa coordenada nacionalmente pela Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM) em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

Marinha e BNDES unidos pela Amazônia Azul

Lançada em 2024, a iniciativa “BNDES Azul” busca fomentar projetos ligados à conservação dos ecossistemas marinhos, ao desenvolvimento sustentável da zona costeira e à estruturação da economia do mar. Embora não seja uma linha de financiamento específica, o programa reúne instrumentos financeiros e técnicos destinados a apoiar projetos relacionados à pesquisa científica, inovação, infraestrutura sustentável, restauração ambiental e governança marítima.

“O impacto do ‘BNDES Azul’ está em demonstrar que é possível articular desenvolvimento, conservação, inovação e planejamento em uma mesma estratégia. Isso fortalece a economia do mar em bases sustentáveis e cria condições mais favoráveis para investimentos de longo prazo voltados ao futuro do oceano brasileiro”, destacou o Superintendente de Meio Ambiente do BNDES, Nabil Moura Kadri.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que o desenvolvimento sustentável da economia do mar também depende da proteção dos recursos estratégicos nacionais.

“É fundamental a presença dissuasória das Forças Armadas nessa agenda, para preservar os recursos da pesca, os recursos naturais e garantir a segurança. O Brasil é um País que não tem guerra com nenhum vizinho há 150 anos e tem uma diplomacia de paz. Ter uma Força Armada profissional e forte, além de uma indústria de defesa estruturada, é parte dessa estratégia”, afirmou.

Nesse contexto, a MB exerce um papel fundamental. Além de sua missão constitucional de defesa da soberania nacional, a Força atua na produção de conhecimento científico sobre o ambiente marinho, na segurança da navegação e na coordenação de iniciativas voltadas ao ordenamento dos espaços marítimos.

Planejamento Espacial Marinho: organizando o futuro da Amazônia Azul

Com cerca de 5,7 milhões de quilômetros quadrados sob jurisdição brasileira, a Amazônia Azul concentra atividades essenciais para o País, como navegação, pesca, exploração de petróleo e gás, geração de energia, turismo e conservação ambiental.

O crescimento dessas atividades tem ampliado a necessidade de instrumentos capazes de harmonizar diferentes interesses no ambiente marinho. É nesse contexto que se insere o PEM, compromisso assumido pelo Brasil perante a Organização das Nações Unidas (ONU) e instituído no País por decreto presidencial em 2025.

O PEM busca organizar os usos do mar de forma integrada, identificando áreas adequadas para cada atividade econômica, reduzindo conflitos, ampliando a segurança jurídica para investimentos e fortalecendo a proteção ambiental.

Com tais características, o PEM é um poderoso instrumento público, multissetorial, de cunho operacional e jurídico, indispensável para garantir a governança e a soberania da Amazônia Azul.

Como parte do evento, foi formalizado o apoio ao projeto do Consórcio PEM Norte Azul, responsável pela elaboração dos estudos técnicos necessários para implantação do PEM na Região Norte do Brasil.

A iniciativa abrangerá os estados do Maranhão, Pará e Amapá e terá como objetivo produzir diagnósticos, levantamentos e análises que subsidiarão a elaboração do Plano de Gestão do Espaço Marinho para a região, além de identificar gargalos e oportunidades de investimento nos diversos setores econômicos ligados ao mar.

O anúncio representa mais um passo para que o Brasil alcance a meta de concluir o PEM em todo o território marítimo nacional até 2030.

Economia do mar e desenvolvimento sustentável

O Diretor-Geral de Navegação, Almirante de Esquadra Sílvio Luís dos Santos, destacou que o fortalecimento da economia do mar está diretamente relacionado à capacidade do País de conhecer, proteger e utilizar de forma sustentável seus espaços marítimos.

“O mar é parte indissociável da identidade e do destino de nosso País. Hoje, por ele transitam mais de 95% do comércio exterior brasileiro e nele se encontram recursos estratégicos fundamentais para a transição e a segurança energética da Nação”, afirmou.

Além dos benefícios ambientais, o projeto tem potencial para estimular investimentos, gerar empregos e aumentar a participação da economia do mar no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

O Almirante de Esquadra Sílvio Luís ressaltou ainda que iniciativas como o PEM e os projetos apoiados pelo BNDES Azul reforçam a importância da cooperação entre instituições públicas para o desenvolvimento sustentável da Amazônia Azul.

“A cooperação entre o BNDES e a MB demonstra como a integração entre instituições públicas pode produzir resultados concretos para o País, ampliando o conhecimento sobre o ambiente marinho e estimulando investimentos alinhados aos princípios da sustentabilidade, da inovação e do desenvolvimento de longo prazo”, destacou.

Conservação dos recifes de coral

Outro destaque do evento foi a formalização do apoio a dois projetos selecionados na chamada pública BNDES Corais, voltada à proteção e recuperação dos recifes brasileiros.
Um dos projetos beneficiados será desenvolvido pela Conservação Internacional Brasil (CI Brasil) e atuará na região Abrolhos-Trindade, considerada uma das áreas mais importantes para a biodiversidade marinha do Atlântico Sul.

A iniciativa busca fortalecer o planejamento costeiro e marinho, ampliar o conhecimento científico sobre habitats ainda pouco estudados e aumentar a resiliência dos recifes diante das mudanças climáticas e das pressões decorrentes das atividades humanas.

Também recebeu apoio o projeto do Instituto Coral Vivo, que atuará entre a Bahia e o Ceará, promovendo a regeneração de populações de corais, a mitigação de impactos do turismo em áreas marinhas, o fortalecimento de alternativas econômicas para comunidades tradicionais e a conscientização sobre o uso sustentável dos recursos costeiros.

As iniciativas reforçam a importância dos recifes de coral não apenas para a conservação da biodiversidade, mas para atividades econômicas como turismo, pesca e proteção natural da costa contra eventos extremos.

Reconhecimento à parceria institucional

A cerimônia também foi marcada pela admissão do BNDES no Quadro Suplementar da Ordem do Mérito Naval.

Criada em 1934, a Ordem do Mérito Naval destina-se a reconhecer militares, instituições e personalidades que prestam relevantes serviços à MB. A admissão do BNDES foi oficializada por decreto presidencial de 3 de junho de 2026.

Representando a instituição, o Presidente do Banco, Aloizio Mercadante, recebeu a comenda das mãos do Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante de Esquadra Arthur Fernando Bettega Corrêa.

O reconhecimento simboliza a relevância da parceria entre o Banco e a Marinha em projetos voltados ao desenvolvimento sustentável da Amazônia Azul e à construção de uma economia do mar mais resiliente, inovadora e ambientalmente responsável.

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