As Bandas Marcial e Sinfônica dos Fuzileiros Navais conduziram mais de 3 mil espectadores por uma viagem musical e visual da Marinha do Brasil (MB). Os concertos foram realizados em homenagem à Data Magna da Força nas noites de 14 e 15 de junho. Projeções em larga escala transformaram a fachada da histórica Fortaleza de São José, na Ilha das Cobras, em um grande palco multimídia, enquanto formações aéreas com drones, efeitos de iluminação e encenações militares retrataram momentos marcantes da história naval brasileira, os valores da Instituição e sua capacidade de atuação na defesa do País.

Dividido em sete módulos temáticos, o concerto teve como fio condutor a interação entre dois atores que interpretaram o Maestro Antônio Francisco Braga — Patrono das Bandas de Música da Marinha e compositor da melodia do Hino à Bandeira — e o jovem Henrique, que auxiliava o maestro na construção da melodia que conduziu a narrativa do espetáculo.
Ao longo de duas horas, foram abordados temas variados, como a Batalha Naval do Riachuelo, a defesa da soberania nacional, ações humanitárias, a participação feminina na Força e o compromisso da MB com as futuras gerações.

Sob a regência dos Capitães de Corveta (Fuzileiros Navais) Wagner Cardoso e Nerias Morel, bem como da Capitão-Tenente (Fuzileiro Naval) Gizelle Rebouças, as Bandas Sinfônica e Marcial do CFN deram vida à narrativa por meio de um repertório que transitou entre clássicos do cinema, sucessos da música internacional e obras consagradas da música brasileira.
A apresentação reuniu interpretações de peças como Olympic Fanfare and Theme, de John Williams, além de canções de artistas como Michael Jackson e da banda americana de metal alternativo Evanescence. O repertório também incluiu obras como Bachianas Brasileiras nº 5, de Heitor Villa-Lobos, Maria Maria, de Milton Nascimento, e Tempos Modernos, de Lulu Santos.
Para o Diretor da Companhia de Bandas do Corpo de Fuzileiros Navais, Capitão de Corveta (Fuzileiro Naval) Wagner Cardoso, o principal desafio foi integrar a execução musical aos elementos cênicos e tecnológicos previstos no roteiro do espetáculo para contar a história da Marinha de forma acessível ao público.
Para que as músicas se encaixassem na parte cênica, nas projeções e em todo o contexto da apresentação, tivemos grandes desafios. Houve um trabalho muito integrado da Companhia de Bandas, em que todos tiveram participação fundamental para que isso pudesse acontecer", destacou.

Entre as diversas performances da noite, destaque para a participação da Capitão-Tenente (Fuzileiro Naval) Gizelle Rebouças. Responsável pela regência de parte do concerto, a Oficial também assumiu os vocais em My Immortal, da banda Evanescence, conferindo ainda mais emoção ao segmento dedicado à memória dos heróis navais. A dupla atuação evidenciou a versatilidade exigida dos músicos militares e o papel da música como instrumento de aproximação entre a Marinha e a sociedade.
Atuar simultaneamente como regente e cantora exige concentração, sensibilidade artística e preparo técnico. Por meio da música, conseguimos traduzir em arte valores como patriotismo, disciplina, coragem, dedicação e espírito de corpo, que são pilares da Marinha do Brasil", destacou.

Prontidão operativa
Um dos momentos de maior impacto foi a demonstração da capacidade operativa da Marinha e dos Fuzileiros Navais. Ao som de Caiena, a fachada da Fortaleza se transformou em uma área de operações por meio de projeções mapeadas em tempo real. O público presenciou a simulação de um Assalto Anfíbio Coordenado com o emprego de drones de reconhecimento, tiros de festim, salvas de canhão e a movimentação estratégica de tropas apoiadas por viaturas blindadas de última geração, como o Piranha, o Joint Light Tactical Vehicle ou Veículo Tático Leve (JLTV) e o Carro Lagarta Anfíbio (CLAnf).

O Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Almirante de Esquadra (Fuzileiro Naval) Carlos Chagas Vianna Braga, afirmou que o espetáculo buscou apresentar ao público as múltiplas capacidades da Força, reunindo tradição, cultura e demonstrações operativas em uma única narrativa.
É um trabalho importante e ficamos felizes com o resultado, principalmente da interação com o público e com o carinho com que o público tratou nossos Marinheiros e Fuzileiros Navais”, disse.
Além da capacidade operativa, a programação ressaltou a presença da Marinha junto à sociedade. Imagens de operações humanitárias, apoio à Defesa Civil, missões de paz e assistência a populações em regiões remotas reforçaram o compromisso da Instituição com o atendimento às necessidades do povo brasileiro, onde quer que ele esteja.
A valorização das mulheres na Marinha também teve espaço de destaque. O bloco "Homens e Mulheres do Mar" prestou uma justa homenagem à presença feminina nas fileiras da Marinha, destacando o pioneirismo daquelas que enfrentaram as adversidades com coragem e contribuíram para a construção da história da Força, inspirando as novas gerações.
A Banda Marcial do CFN voltou a impressionar o público com suas evoluções coreografadas. Utilizando lanternas de LED, os músicos criaram, no pátio às escuras, desenhos de meios navais de diferentes épocas. As formações reproduziram a Fragata “Amazonas”, símbolo do passado, as modernas Fragatas Classe “Tamandaré”, representando o presente, e o Submarino Nuclear Convencionalmente Armado “Álvaro Alberto”, referência ao futuro da Força.

Após as evoluções da Banda Marcial, o Pelotão de Ordem Unida Silenciosa (Pelotão Adsumus) arrancou aplausos do público ao demonstrar precisão, disciplina e sincronismo em uma apresentação inspirada na trilha sonora do filme Transformers. De acordo com o Segundo-Sargento (Fuzileiro Naval) Silas Fraga de Paula, há quase sete anos exercendo funções de liderança no pelotão, um dos principais desafios foi adaptar os movimentos, inicialmente desenvolvidos com base na gravação original da música, à execução ao vivo da Banda Sinfônica do CFN.
O desafio foi significativo, mas pôde ser superado graças ao profissionalismo, dedicação e paciência dos músicos envolvidos, bem como ao apoio da maestrina Gizelle, cuja contribuição foi fundamental para o sucesso da apresentação", afirmou.
Além da complexidade técnica da evolução, a apresentação também evidenciou a crescente participação feminina nas fileiras do CFN. Atualmente, dez mulheres integram o Pelotão Adsumus e tiveram papel de destaque durante a exibição. Segundo o Sargento Fraga, a proposta foi transmitir ao público uma mensagem de valorização da competência e do profissionalismo das militares.
"A mulher militar possui plena capacidade de ocupar qualquer posição e desempenhar qualquer função nas fileiras do Corpo de Fuzileiros Navais, sempre pautada pela competência, dedicação e profissionalismo”, disse.

Público aprova espetáculo
O público acompanhou atentamente cada etapa da apresentação e se mostrou impressionado com a combinação entre tradição, inovação e demonstrações militares. Para o engenheiro Lucrécio Brasil, de 55 anos, a integração entre elementos históricos e recursos modernos tornou o espetáculo ainda mais interessante.
Adorei os desenhos formados pela Banda Marcial. Numa época em que estamos acostumados a ver formações de drones no céu, foi muito interessante resgatar essa questão das formações em pelotão”, afirmou.
A programadora Deise Borges, de 27 anos, assistiu ao concerto pela primeira vez e destacou a qualidade artística da apresentação. “Fiquei muito impressionada com todo o espetáculo e com as vozes singulares que se apresentaram. Para mim, o ponto alto foi a entrada da Banda Marcial tocando Anunciação. Foi uma performance incrível”, disse.
Frequentadora do evento pela segunda vez, a agente de saúde Adelaide Marta, de 56 anos, ressaltou a emoção proporcionada pela narrativa construída ao longo do concerto. “É sempre uma emoção ver os Fuzileiros Navais desfilando com a história sendo contada através do canto. Teve tiro de canhão, que dá um susto, mas é maravilhoso. E ver as mulheres incluídas nisso é muito bonito”, destacou.
Seguindo a mais estrita tradição naval, a cerimônia incluiu ainda o Cerimonial à Bandeira, com o público tendo acompanhado de pé o arriamento do Pavilhão Nacional ao som do Hino Nacional Brasileiro e do Hino à Bandeira.

Inclusão Social
Perto do encerramento, o futuro do País ocupou o centro do pátio com a participação das crianças e adolescentes do Programa Forças no Esporte (PROFESP) – vertente Música e Cidadania do Batalhão Naval. Ao lado dos militares, os jovens entoaram a canção Do Seu Lado, simbolizando a união e a responsabilidade social da MB e seu compromisso com a formação cidadã das novas gerações.

O concerto foi concluído ao som da canção Cisne Branco, considerada o hino da MB, e contou com um espetáculo de drones e fogos de artifício que celebrou a história, os valores e o futuro da Força Naval brasileira.



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