A Marinha do Brasil promoveu uma homenagem à memória dos brasileiros que participaram da Segunda Guerra Mundial. A solenidade, realizada pela Capitania dos Portos de Sergipe (CPSE), aconteceu em junho, em Aracaju (SE), durante a exibição do documentário Vital: Memórias que não naufragaram.
Assim como no lançamento oficial do documentário, na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro (RJ), em maio deste ano, a cerimônia reuniu autoridades civis e militares, integrantes da comunidade marítima, familiares de veteranos e convidados para celebrar o legado daqueles que ajudaram a defender o País no maior conflito do século XX.
O grande homenageado da noite foi o Primeiro-Tenente (Reformado) Girgazes Agostinho de Brito, de 101 anos, um dos últimos sobreviventes do naufrágio do Navio-Auxiliar “Vital de Oliveira”. Mais de oito décadas após o ataque que marcou sua vida e a história da Marinha, o veterano segue como testemunha de um dos episódios mais dramáticos da participação brasileira na Segunda Guerra Mundial, inspirando novas gerações ao manter viva a memória dos companheiros que não retornaram.
A noite que passei na água foi terrível, mas estou aqui, bem, vivo, falando com vocês e com todos os presentes. Graças ao trabalho do Capitão dos Portos, pude assistir à minha própria história. Por isso, agradeço a tudo o que tem acontecido comigo em função da Capitania e da Marinha. Que sejamos muito felizes”, celebrou o Tenente Brito.

Sergipe guarda o “Agosto Sangrento”
A escolha de Aracaju para receber o lançamento do documentário possui um significado histórico especial. Foi no litoral de Sergipe e dos estados vizinhos que ocorreram alguns dos ataques mais violentos do chamado “Agosto Sangrento”, em 1942, quando submarinos alemães torpedearam embarcações brasileiras que navegavam pela costa nordestina.
A sucessão de ataques provocou centenas de mortes, gerou forte comoção nacional e levou o Brasil a declarar guerra às potências do Eixo, iniciando oficialmente sua participação na Segunda Guerra Mundial. O litoral sergipano tornou-se, desde então, um dos principais símbolos da Batalha do Atlântico e da defesa das águas jurisdicionais brasileiras.
Neste ano em que são lembrados os 81 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, iniciativas voltadas à preservação da memória reforçam o reconhecimento aos homens e mulheres que contribuíram para a defesa da soberania nacional e ajudam a aproximar a sociedade de um dos momentos mais importantes da história do Brasil.

A trajetória de um herói brasileiro
O Comandante do 2o Distrito Naval, Vice-Almirante Gustavo Calero Garriga Pires, destacou a qualidade estética e documental do vídeo e assegurou que todos que assistirem ao documentário “se emocionarão com essa grande história”.
Produzido pelo Centro de Comunicação Estratégica da Marinha (CCEM), o documentário Vital: Memórias que não naufragaram resgata a história do Navio-Auxiliar “Vital de Oliveira”, afundado em 19 de julho de 1944 após ser torpedeado pelo submarino alemão U-861, durante missão no litoral brasileiro. O ataque resultou na morte de 100 tripulantes e entrou para a história como o único afundamento de um navio militar brasileiro provocado diretamente por ação inimiga durante a Segunda Guerra Mundial.
Entre os sobreviventes estava o então Marinheiro Girgazes Agostinho de Brito. Seu testemunho tornou-se um dos principais registros sobre aquele episódio e integra a produção audiovisual, que reúne ainda imagens históricas, registros das pesquisas submarinas feitas pelo Navio de Pesquisa Hidroceanográfico “Vital de Oliveira” — responsáveis pela localização do naufrágio —, assim como depoimentos de pesquisadores e especialistas.
Mais do que contar a história de um navio, o documentário presta homenagem aos brasileiros que enfrentaram a guerra no mar e evidencia valores como coragem, resiliência, espírito de equipe e compromisso com a Pátria.
Homenagem aos veteranos
Durante a solenidade, a Marinha também prestou homenagem in memoriam ao Primeiro-Tenente Berilo Rodrigues Figueiredo, veterano da Segunda Guerra Mundial. A placa comemorativa foi entregue ao seu filho, o Capitão de Mar e Guerra (Reserva) Berivaldo Vieira Figueiredo, ex-Capitão dos Portos de Sergipe, em reconhecimento aos relevantes serviços prestados pelo militar ao Brasil.
“Houve quase 200 pessoas presentes, às quais conseguimos não somente apresentar o documentário, mas apresentar um veterano vivo e os desconhecidos que tombaram no conflito. A Marinha homenageia esses heróis na medida em que — como diz o documentário — lembramos que o mar é, em muitas ocasiões, o túmulo do marinheiro. E organizar esse evento é trazê-los à superfície das lembranças e do reconhecimento”, afirmou o Capitão dos Portos de Sergipe, Capitão de Fragata Felipe Lima.


Comentar