A Marinha do Brasil (MB) assumiu, na terça-feira (27), pela quarta vez, o comando da Força-Tarefa Combinada 151 (Combined Task Force 151 – CTF-151), coalizão multinacional voltada à repressão direta à pirataria fora das águas territoriais dos estados costeiros. A CTF-151 é uma das cinco Forças-Tarefa que integram as Combined Maritime Forces (CMF), organização naval internacional sediada no Bahrein desde 2002.
A CMF é a maior coalizão militar naval existente, atualmente composta por 46 países, e tem como missão prover estabilidade regional e a segurança marítima em uma área de aproximadamente 8 milhões de km². A CTF-151 atua na maior parte dessa área, cobrindo uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, que abrange o Mar Vermelho, o Golfo de Aden, o Mar Arábico e o Golfo de Omã, além de três pontos de estrangulamento vitais para a economia global: o Canal de Suez, o Estreito de Bab al-Mandeb e o Estreito de Ormuz.
A cerimônia de assunção ocorreu na Base Naval dos Estados Unidos da América, no Bahrein, e contou com a presença do Comandante-em-Chefe da Esquadra, Vice-Almirante Antonio Carlos Cambra, que representou o Comandante de Operações Navais, Almirante de Esquadra Cláudio Henrique Mello de Almeida. A solenidade marcou o início de um período de seis meses sob a liderança do Contra-Almirante Marcelo Lancellotti, que sucede o Contra-Almirante Sohail Azmie, da Marinha do Paquistão.
O Estado-Maior da Força-Tarefa é formado por 12 brasileiros e 14 estrangeiros, representando marinhas da Arábia Saudita, Bahrein, Coreia do Sul, Espanha, Itália, Japão, Jordânia, Omã, Paquistão, Singapura, Tailândia e Turquia. As atividades da CTF-151 abrangem a coleta e análise de informações de inteligência, patrulhamento das rotas marítimas, engajamento com líderes regionais e o compartilhamento de dados para construção de um ambiente cooperativo e seguro no mar.

A CTF-151 atua promovendo a segurança marítima em corredores vitais para o comércio global. Os navios participantes podem exercer legítima defesa e proteger embarcações, conforme estabelecido pelo Direito Internacional.
Em seu discurso, o Contra-Almirante Lancellotti destacou que assumir o comando pela quarta vez é, acima de tudo, um termômetro de confiança e indica a continuidade do reconhecimento internacional da MB como uma liderança capaz e interoperável para gerir uma missão sensível e com alta visibilidade política. “Essa trajetória não é episódica: ela se traduz em entrega operacional, disciplina de comando e aderência doutrinária em ciclos de seis meses, nos quais transparência, coordenação com centros de informação marítima e respeito a procedimentos operativos comuns são requisitos inegociáveis”, afirmou.
Segundo ele, a liderança na CTF-151 contribui não apenas para a segurança das rotas, mas também para o fortalecimento de parcerias estratégicas, ampliando oportunidades nos setores de defesa, tecnologia e comércio.

Ainda de acordo com o Contra-Almirante, os principais focos da gestão brasileira serão a presença dissuasória, o monitoramento de rotas de risco e a coordenação com parceiros regionais e com a Força Naval europeia, a EUNAVFOR que, desde 2008, mantém uma operação na costa da Somália chamada de Atalanta, com navios da Itália, Espanha e Portugal operando permanentemente na região.
“Em suma, combinaremos presença dissuasória com coordenação multinacional e autoproteção da navegação. Quanto mais seguras são as rotas e mais aderentes às medidas de autoproteção estão as tripulações, menor a probabilidade de um ataque bem-sucedido e maior a eficácia do patrulhamento naval e da proteção marítima”, explicou.
A experiência adquirida pelo Brasil em forças-tarefa como a CTF-151 traz benefícios concretos para o País, reforçando a sua projeção internacional e fortalecendo a capacidade de atuação da Marinha em seu entorno estratégico. Além disso, a missão contribui para a segurança de fluxos mercantis brasileiros, como o transporte de petróleo, derivados e gás natural liquefeito pelo Estreito de Ormuz e o comércio com países da Ásia, que passa obrigatoriamente pelo Mar Arábico.
“A liderança brasileira na CTF-151 é um endosso prático à maturidade do nosso corpo de Oficiais e Praças. Reiterar o comando em teatros marítimos sensíveis sinaliza credibilidade, fortalece nosso capital humano e amplia a interoperabilidade com outras Marinhas”, concluiu o Contra-Almirante Lancellotti.
O comando brasileiro seguirá até 23 de fevereiro de 2026, mantendo a presença da MB em uma das Forças-Tarefa mais relevantes da Combined Maritime Forces, promovendo segurança, cooperação internacional e estabilidade em uma das regiões mais estratégicas do planeta.
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