Um terço da população brasileira não conhece o mar. Por se sentirem geograficamente distantes do oceano, muitas dessas 70 milhões de pessoas ainda não compreendem plenamente que suas vidas dependem, direta ou indiretamente, dos mais de 5,7 milhões de km² de águas que compõem a chamada Amazônia Azul – área sob jurisdição do Estado brasileiro, protegida diuturnamente pela Marinha do Brasil (MB).

Com o objetivo de conscientizar o próprio brasileiro sobre o que é a Amazônia Azul, seus limites geográficos, sua importância e impacto para a economia nacional, bem como demonstrar a necessidade de preservar e valorizar tamanha riqueza, a Produtora Brasileira de Arte e Cultura lançou um documentário de média-metragem, disponível nas plataformas de streaming Globoplay (Globo) e Prime Video (Amazon).

Ao longo de 52 minutos, com riqueza de imagens e de entrevistas, o diretor Luciano Oreggia apresenta a Zona Econômica Exclusiva brasileira com uma área de elevado valor estratégico e com vasto potencial de exploração, aos olhos de vários entrevistados, entre eles, uma geóloga que trabalha embarcada na Bacia de Campos (RJ), um Oficial da MB e um biólogo que atua no Arquipélago de São Pedro e São Paulo (PE).

Um dos entrevistados, o Vice-Almirante Marco Antônio Linhares Soares, atual Diretor de Hidrografia e Navegação da Marinha – e, à época, Secretário da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM) –, lembrou, no documentário, que o termo Amazônia Azul foi cunhado pelo então Almirante de Esquadra Roberto de Guimarães Carvalho, quando exercia o cargo de Comandante da Marinha, em 2004.

Naquele ano, íamos submeter na ONU o pleito brasileiro da extensão da plataforma continental, ou seja, o ‘assoalho submarino’ que pertenceria somente ao Brasil. E era um tema muito importante porque, na verdade, era a nova fronteira a Leste que estávamos desenhando. O assunto estava com pouco conhecimento da sociedade como um todo, então trouxemos essa imensidão atlântica para as discussões da sociedade, das pessoas, para tornar público a nós, brasileiros, que aquele mar era tão importante quanto a Amazônia verde”, pontuou.

Hoje, esse potencial, que traduzido em números expressivos, reflete a significativa participação brasileira. São quase 160 mil Km² de mar territorial, em uma Zona Econômica Exclusiva de mais de 3,4 milhões de km². A essa área soma-se a Plataforma Continental estendida – faixa do fundo oceânico além das 200 milhas náuticas –, com 2,1 milhões de Km². Dessa forma, o conjunto dessas regiões configura um ativo nacional chamado Amazônia Azul, totalizando 5,7 milhões de km², onde são produzidos mais de 97% do petróleo nacional, 85% do gás natural e trafegam 95% do comércio exterior.

Cultura oceânica

O Diretor do Centro de Comunicação Estratégica da Marinha (CCEM), Contra-Almirante Alexandre Taumaturgo Pavoni, reconheceu a importância da iniciativa:

No CCEM, produzimos diariamente notícias e materiais audiovisuais que vão de documentários para o YouTube a reels para o Instagram. Nosso objetivo não é apenas atrair os jovens para a Força, mas também despertar, de forma mais ampla, o interesse dos brasileiros por tudo o que se relaciona ao seu próprio mar”, destacou o Contra-Almirante Pavoni.

O Almirante ressaltou, ainda, que o crescente interesse da indústria cinematográfica, das agências de fomento e das plataformas de streaming em produzir, financiar e exibir conteúdos sobre o Atlântico brasileiro é igualmente relevante. Para ele, esse movimento representa uma demonstração concreta de que a mensagem de soberania sobre as águas jurisdicionais vem alcançando a sociedade de maneira efetiva.

De um lado, temos a missão permanente de proteger as águas brasileiras e difundir os conhecimentos, valores e atitudes que compõem a Cultura Oceânica. De outro, iniciativas externas como essas ampliam nosso alcance e fortalecem ainda mais esse esforço. Ao final, todos saímos engrandecidos — como Força Naval e como Nação”, concluiu.

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