Dez anos se passaram desde que a Marinha do Brasil (MB) firmou parceria com uma das mais renomadas universidades de Londres, no Reino Unido. O King’s College London (KCL), fundado em 1829, promove, junto à Escola de Guerra Naval (EGN) e outras instituições de ensino da MB, como o Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha do Brasil (CEPE-MB) e o Instituto Naval de Pós-Graduação, inúmeras interações acadêmicas, enriquecendo tanto a formação militar profissional dos alunos quanto o Programa de Pós-graduação em Estudos Marítimos, esse último também aberto a civis.
Tal relacionamento tem possibilitado a realização de diversas atividades acadêmicas, como simpósios, seminários, colóquios, seções tutoriais, projetos de pesquisa, minicursos, visitas de pesquisa e intercâmbios. E, em novembro último, a MB e o King’s College renovaram essa parceria ao assinarem um memorando de entendimento.
O evento ocorreu na sede do KCL, no dia 10 de novembro, e na ocasião, a Vice-Reitora da Universidade, Funmi Olonisakin, classificou a cooperação como modelo de parceria acadêmica internacional em função dos resultados alcançados.
O Diretor da Escola de Guerra Naval, Contra-Almirante Gustavo Leite Cypriano Neves, representou o Chefe do Estado-Maior da Armada e avaliou que a renovação do memorando abrirá novos caminhos para a interação institucional, com múltiplas formas e oportunidades de intercâmbio acadêmico, cultural e pesquisa. Ele lembra que a parceria acadêmica foi formalmente instituída em 2015 e que, em 2020, foi renovada por mais cinco anos. Agora, o novo memorando estende a parceria até 2030.
“Mobilidade entre docentes e discentes, cursos de pós-graduação em nível de doutorado e mestrado, intercâmbios de professores visitantes, participação em projetos internacionais colaborativos e publicações em coautoria: tudo isso já acontece e, com a renovação, poderá se aperfeiçoar ainda mais”, garantiu Cypriano.
O professor doutor do Programa de Pós-Graduação em Estudos Marítimos, Capitão de Mar e Guerra (da Reserva) William Moreira, afirma que esse nível de cooperação permite a troca de experiências com uma universidade centenária, reconhecida pela excelência e pela liderança em estudos de defesa e de guerra. “O intercâmbio de ideias e a participação em eventos permitem identificar perspectivas etnocêntricas da literatura anglófona, além de contribuir para fazer frente à endogenia acadêmica. Os benefícios são recíprocos”, ressaltou.
Outras parcerias
Outro evento que marcou a intenção da Marinha do Brasil de seguir no aperfeiçoamento de sua atuação acadêmica e tecnológica foi a assinatura, em outubro, de um memorando de entendimento com o Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) da Universidade de Lisboa, que teve o propósito de fortalecer a cooperação acadêmica entre as instituições e promover o desenvolvimento de pesquisas e a construção de conhecimentos conjuntos em Estudos Estratégicos e Políticas Públicas.
Pela parte da MB, a abrangência contempla as participações do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha, da Escola de Guerra Naval e do Instituto Naval de Pós-Graduação, mas não exclusivamente, podendo outras Organizações Militares usufruírem desse instrumento para cooperação acadêmica de interesse.

Também em outubro, a Força participou de uma conferência realizada na Universidade de Maynooth, na Irlanda, em parceria com a EGN. O encontro reuniu acadêmicos, pesquisadores e profissionais da área de defesa de diferentes países para debater como diferentes culturas e nações desenvolvem suas políticas marítimas — um tema-chave para economias dependentes do mar, como a brasileira, que tem 95% do comércio exterior escoado por vias marítimas.
O projeto busca ampliar o estudo da estratégia marítima sob uma ótica mais diversificada, explorando perspectivas que vão além da visão anglófona tradicional. O objetivo é colocar diferentes países, inclusive o Brasil, na mesa de discussões sobre os fundamentos, desafios e particularidades das práticas marítimas e navais em contextos europeus, africanos, asiáticos e latino-americanos.



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