Em sua primeira visita oficial à Índia, a Escola de Guerra Naval (EGN) levou a Nova Déli, de 17 a 19 de novembro, uma delegação de 40 militares do Curso de Políticas e Estratégias Marítimas, voltado para Capitães de Mar e Guerra da Marinha do Brasil (MB). A viagem internacional, que integra o currículo do Curso, incluiu encontros com autoridades da Marinha Indiana e visitas a instituições de defesa, ampliando o diálogo e fortalecendo a cooperação marítima entre os dois países.

Além da sede da Marinha Indiana, a delegação conheceu outras instituições estratégicas daquele país, como o Memorial Nacional de Guerra, o Ministério da Defesa, o Colégio de Defesa Nacional e a Embaixada do Brasil na Índia. Os alunos também visitaram o Centro de Fusão de Informações — Região do Oceano Índico, que atua para promover a segurança marítima e a proteção no Oceano Índico. A agenda abrangeu o Comando Naval Ocidental, o Arsenal da Marinha e o estaleiro Mazagon Dock, ampliando o conhecimento sobre a infraestrutura e os projetos navais indianos.

O Diretor da EGN e chefe da delegação brasileira, Contra-Almirante Gustavo Leite Cypriano Neves, contou que as visitas contribuíram para uma visão abrangente da estratégia marítima indiana e permitiram que “fosse verificado de forma concreta como a Índia integra tecnologia, cooperação e coordenação internacional para manter a consciência situacional marítima e a sua liderança geopolítica em área extensa e complexa”.

O Diretor da EGN também se reuniu com o Comandante-Adjunto de Recursos Humanos da Marinha Indiana, Contra-Almirante Sachin Sequeira. Os debates focaram nas ameaças enfrentadas pela Índia, incluindo pirataria, terrorismo marítimo e os impactos nas linhas de comunicação marítima da região, assim como os mecanismos de monitoramento e resposta adotados pelo país para enfrentá-las.

Nossas Marinhas têm ampliado a troca de informações na área de defesa, em especial na questão da manutenção de submarinos convencionais. As recentes visitas de diversas autoridades da MB à Índia vêm servindo de alicerce para o incremento dos laços de cooperação e confiança mútua. Por isso, a oportunidade de levar Oficiais de nossos Cursos de Altos Estudos para observar pessoalmente as capacidades da Índia ratifica a evolução dessa parceria e prepara os nossos futuros assessores com uma visão geopolítica mais global”, explica Cypriano.

 

A Escola de Guerra Naval tem investido em internacionalização com significativo apoio do Estado-Maior da Armada, órgão de direção-geral da MB.

Essas oportunidades de travar contato mais direto com outros Estados, especialmente aqueles que, como nós, dependem fortemente do mar, descortinam horizontes mais amplos para busca de soluções comuns. Avalio como oportuno observar toda e qualquer iniciativa de nações amigas no sentido de investir na conscientização da sociedade e dos tomadores de decisão sobre a importância da mentalidade marítima para o desenvolvimento de um Poder Naval crível, capaz de defender os interesses do Estado”, acredita o Diretor da EGN.

A atividade no exterior, realizada anualmente pelos Oficiais da MB que integram o Curso de Políticas e Estratégias Marítimas, se configura como estudo de campo e tem o propósito de proporcionar aos alunos a vivência direta e contextualizada das realidades relacionadas às políticas de defesa e às questões marítimas do país visitado. Por meio de observações, interações com as instituições locais e análise in loco, busca-se identificar os principais desafios enfrentados na segurança marítima e compreender os fatores que orientam a formulação de sua visão estratégica. Essa imersão permite avaliar as boas práticas e soluções adotadas, de modo a extrair lições e possíveis aplicações pertinentes ao contexto brasileiro.

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