Representantes da Marinha do Brasil (MB), do Exército Brasileiro, do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul e do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo/Ibama) reuniram-se em Ladário (MS), no dia 12 de agosto, para discutir medidas de prevenção, monitoramento e combate a incêndios florestais no Pantanal. Durante o encontro, as instituições apresentaram capacidades que podem ser empregadas de forma integrada em situações de emergência na região.

Para o Comandante do 6º Distrito Naval (Com6ºDN), Contra-Almirante Emerson Augusto Serafim, a integração entre as instituições permite antecipar procedimentos para uma eventual necessidade de atuação conjunta. 

Sob a possibilidade de sentirmos a influência de um El Niño mais severo, precisamos assegurar nossa prontidão. Por isso, desde já, é importante que construamos canais de diálogos e de interoperabilidade para o enfrentamento ao fogo na região”, declara.

O planejamento ocorre após anos de elevada incidência de incêndios no Pantanal. Em 2020, cerca de 4,1 milhões de hectares do bioma foram atingidos pelo fogo entre janeiro e outubro, segundo dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 2024, o Pantanal foi o bioma mais atingido pelo fogo em 40 anos, segundo o Relatório Anual do Fogo, do MapBiomas.

Em períodos anteriores de incêndios na região, as Forças Armadas atuaram por meio de operações conjuntas de apoio às ações de combate ao fogo.

O Ajudante da Seção de Operações do Com6ºDN, Capitão de Corveta (Auxiliar Fuzileiro Naval) Frank Oallans Rodrigues Ibrahim, explicou que militares do Comando e de Organizações Militares subordinadas participam regularmente de ações de capacitação voltadas ao enfrentamento de incêndios florestais. 

Com o legado da primeira Operação Pantanal, em 2020 e 2021, havíamos realizado a capacitação de militares, promovida pelo Ibama Prevfogo. Em 2024, foi feito um estudo de prognóstico meteorológico e de monitoramento do impacto da seca no Rio Paraguai. Simultaneamente, foi elaborada uma Carta de Instrução com procedimentos de combate a incêndios florestais, com o apoio do Ibama Prevfogo e dos Corpos de Bombeiros de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul”, explicou.

Esse esforço conjunto permitiu, segundo ele, a construção de uma doutrina consolidada para esse tipo de evento. “Isso foi importante para a Marinha do Brasil, que se capacitou para apoiar as ações do Estado. Agora, podemos compartilhar essa expertise, nucleada pelo 6º Distrito Naval, e compartilhá-la com outros órgãos."

Exercício testa atuação conjunta

Para fortalecer essa doutrina e a interoperabilidade com outras forças e agências, a Marinha deu início, no dia 13 de agosto, a um exercício por quadros envolvendo Marinha, Exército, Aeronáutica, Corpo de Bombeiros Militar do Mato Grosso do Sul e Ibama Prevfogo. Nesse tipo de treinamento, não há participação de tropa no terreno. Chefes, líderes e Oficiais de Estado-Maior simulam ordens, comunicações e decisões para testar planos e procedimentos de comando, permitindo verificar a prontidão para a tomada de decisão, o emprego de meios, a coordenação interagências, o planejamento logístico, a avaliação de riscos e a priorização de áreas ameaçadas.

"Esse exercício que fazemos agora de forma conjunta foi antecedido por um exercício da própria Marinha, onde já pudemos identificar gargalos na nossa coordenação, permitindo uma ação mais eficiente em um eventual cenário real. Agora, o objetivo é fazer o mesmo na atuação com outras forças e agência”, explica o Capitão-de-Corveta (Auxiliar Fuzileiro Naval) Ibrahim.

. . .

Comentar

O conteúdo deste campo é privado e não será exibido ao público.

Plain text

  • Nenhuma tag HTML permitida.
  • Quebras de linhas e parágrafos são feitos automaticamente.
  • Endereços de página da web e endereços de e-mail se tornam links automaticamente.