Pesquisadores do projeto “Sentinelas da Amazônia Azul”, vinculados às universidades federais do Rio Grande do Norte, do Ceará e do Rio de Janeiro, estiveram na Elevação do Rio Grande, a cerca de 1.200 quilômetros da costa de Rio Grande (RS), para monitorar a biodiversidade local e a influência das mudanças climáticas sobre ela. A atividade aconteceu na primeira quinzena de maio e foi viabilizada pelo Navio de Apoio Oceânico (NApOc) “Mearim”, da Marinha do Brasil (MB), que fez o transporte dos cientistas enquanto efetuava patrulha naval no local.

A Elevação do Rio Grande, uma área de mais de 900 mil km² localizada no fundo do Oceano Atlântico, abriga minerais e elementos químicos considerados essenciais para a indústria de alta tecnologia e para a transição energética global. Por seu potencial estratégico, a região está inserida na proposta submetida pelo Brasil à Organização das Nações Unidas (ONU), que pretende expandir as margens oriental e meridional de sua plataforma continental — o prolongamento natural da faixa de terra do litoral que se estende sob o mar.

Durante a travessia a bordo do NApOc “Mearim”, entre o Rio de Janeiro (RJ) e a Elevação do Rio Grande, os sete pesquisadores registraram diferentes cetáceos, como baleias e golfinhos, e gravaram os sons emitidos por eles com o uso de hidrofones lançados ao mar. O projeto visa a aumentar o conhecimento sobre essas espécies que circulam pela região, no que se refere à diversidade, distribuição espacial e ocorrência tanto no espaço (latitude e longitude) quanto no tempo (sazonal).

A expedição representou uma importante oportunidade para ampliar o conhecimento sobre os cetáceos em uma região oceânica ainda pouco estudada”, avaliou a oceanógrafa Manuela Bassoi, uma das coordenadoras do projeto, que faz parte do Programa de Desenvolvimento e Aproveitamento Sustentável da Amazônia Azul, coordenado pela Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM).

Segundo a pesquisadora, o apoio logístico da Marinha torna possíveis pesquisas como essa, que demandam grandes investimentos. “A utilização de navios da Marinha do Brasil como plataformas de oportunidade para pesquisas científicas em áreas oceânicas é considerada fundamental para ampliar o conhecimento sobre esses ecossistemas, especialmente devido aos altos custos envolvidos na realização de cruzeiros científicos dedicados exclusivamente a esse tipo de estudo.”

 

O Assessor Especial da Secretaria da CIRM (SECIRM), Capitão de Mar e Guerra (Reserva) Sidnei da Costa Abrantes, explica que, além desta pesquisa, a Força Naval brasileira também apoia diversos outros projetos científicos, em parceria com a Petrobras e selecionados por chamadas públicas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Somente a última edição da Operação Antártica, concluída pela Marinha em abril deste ano, foram 283 pesquisadores apoiados, envolvidos com 44 projetos científicos.

“O apoio prestado pela Marinha revela a capacidade de emprego dual de nossos navios que, além de realizarem ações de presença e patrulha naval em áreas remotas de nossa Amazônia Azul, contribuem para o desenvolvimento de atividades científicas que nos ajudam a melhor compreender o ecossistema marinho e identificar o potencial de recursos naturais existentes nas águas jurisdicionais brasileiras”, afirma o Oficial.

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