Da pesquisa acadêmica aos desafios tecnológicos da Força Naval, o conhecimento ganha força quando diferentes competências se encontram. É nesse caminho que a Marinha do Brasil (MB) e o Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ) firmaram um memorando de entendimento para formalizar interesses comuns nas áreas de ensino, pesquisa, cooperação acadêmica e intercâmbio cultural.

Assinado na sexta-feira (7), durante cerimônia realizada no Auditório 2 da Unidade Maracanã do Cefet/RJ, o acordo cria novas oportunidades para aproximar pesquisadores, profissionais e estudantes de demandas tecnológicas da Marinha. Entre as primeiras iniciativas está um projeto de acústica submarina, desenvolvido na unidade descentralizada (Uned) Itaguaí, com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O estudo reúne pesquisas voltadas à avaliação e à mitigação de ruídos e vibrações em veículos submarinos e sistemas navais e será elaborado tanto na unidade do Cefet/RJ quanto no Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM), no Rio de Janeiro.

Para o Diretor do Instituto Naval de Pós-Graduação (INPG), Contra-Almirante (Reserva) Marcio de Vasconcellos Rocha, que estava presente no evento, a parceria aproxima as necessidades tecnológicas da Marinha das competências do Cefet/RJ em engenharia, pesquisa aplicada e inovação.

A velocidade da evolução tecnológica impõe à Marinha o desafio permanente de acompanhar novos conhecimentos e incorporá-los ao desenvolvimento de suas capacidades. Nesse contexto, a parceria com o Cefet/RJ permite aproximar necessidades concretas da Força das competências de uma instituição com reconhecida atuação em engenharia, pesquisa aplicada e inovação tecnológica”, afirma.

Segundo o Almirante, essa aproximação abre novas possibilidades para estudos e projetos conjuntos em áreas como energia, engenharia elétrica e mecânica, materiais, computação, robótica, instrumentação e sistemas, complementando as competências existentes na Marinha e ampliando a capacidade da Força de buscar soluções para desafios tecnológicos atuais e futuros.

A parceria ainda deve ampliar oportunidades de qualificação de militares, inclusive com a formação de mestres e doutores em áreas de interesse da MB.

Além da formação acadêmica, a convivência com pesquisadores e ambientes de pesquisa aplicada favorece o intercâmbio de experiências, o acesso a novos conhecimentos e a formação de profissionais preparados para compreender, avaliar e aplicar tecnologias relevantes para a Marinha”, explica.

Tecnologia com impacto na sociedade

Os projetos desenvolvidos têm a possibilidade de gerar soluções de uso dual, com aplicações que ultrapassam o campo militar. Tecnologias relacionadas a energia, materiais, sistemas computacionais e engenharia, por exemplo, podem beneficiar diferentes setores da sociedade.

“Muitos dos desafios tecnológicos enfrentados pela Marinha envolvem conhecimentos e soluções que não se restringem ao emprego militar. Ao reunir pesquisadores, profissionais e estudantes em torno de projetos de interesse comum, a parceria contribui para formar recursos humanos qualificados, gerar conhecimento e desenvolver soluções com potencial de uso dual. Dessa forma, os resultados podem simultaneamente fortalecer as capacidades da Marinha, ampliar a base científica e tecnológica nacional e produzir conhecimentos e tecnologias capazes de beneficiar outros setores da sociedade”, destaca o diretor do INPG.

Para o Diretor-Geral do Cefet/RJ, Maurício Motta, a cooperação representa uma oportunidade de ampliar a produção de conhecimento e a formação de profissionais especializados. “Temos grandes expectativas com a parceria firmada. Seja na especialização do corpo de militares, bem como na geração de conhecimento em áreas de interesse do Cefet/RJ e da Marinha”, frisa.

Segundo Maurício, as instituições já identificaram áreas de interesse comum, como inteligência artificial, materiais, robótica e acústica submarina. “Atualmente, já estamos iniciando a construção de um laboratório de acústica, direcionado ao programa do submarino brasileiro, cujo financiamento foi obtido por projeto conjunto de nossa instituição com a Marinha do Brasil”, ressalta.

As instituições também mantêm tratativas para ampliar a cooperação com outras unidades da Força Naval, com o intuito de ampliar as possibilidades de cooperação em ensino e pesquisa.

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