A Marinha do Brasil e o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN/CNEN) mantêm, há mais de quatro décadas, uma parceria voltada à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico na área nuclear. Iniciada em 1981, a cooperação envolve projetos relacionados ao ciclo do combustível nuclear, ao desenvolvimento de reatores e à formação de profissionais especializados.
A trajetória conjunta foi destacada durante a Sessão Solene Comemorativa dos 70 anos de fundação do IPEN, realizada em 31 de agosto, em São Paulo (SP). Na ocasião, a Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha (DGDNTM) e o Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP) receberam diplomas em reconhecimento à cooperação mantida com o Instituto.
A Diretora-Superintendente do IPEN, Isolda Costa, destacou a trajetória de sete décadas do Instituto e a importância das parcerias nacionais e internacionais para a continuidade das atividades de pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico.
É ao lado do Brasil e de nossos parceiros nacionais e internacionais que, ao completar 70 anos, o IPEN olha para frente sem esquecer de onde veio. O passado nos legou conhecimento, o presente nos desafia a inovar, e o futuro nos convoca a transformar conhecimento em desenvolvimento. Esse é o IPEN do futuro”, afirmou.

Ao abordar a trajetória conjunta das instituições, o Almirante de Esquadra Rabello destacou os resultados alcançados em diferentes áreas do setor nuclear brasileiro.
A relação entre a Marinha e o IPEN é longeva e motivo de orgulho para o País. Juntos, Marinha e IPEN, em parceria com a USP e institutos de pesquisa tecnológica, lograram êxito no domínio do ciclo do combustível nuclear, no projeto de reatores de teste e de potência. Símbolo dessa parceria é o Reator IPEN/MB-01, primeiro reator projetado e construído integralmente no Brasil, destinado a testes de metodologias de cálculos físicos de reatores e à validação de projetos nucleares, entre os quais os combustíveis nucleares. Nesse sentido, a relação da Marinha com o IPEN é estratégica para o País e está voltada para a capacitação técnico-científica”, afirmou.

O Vice-Almirante Newton de Almeida Costa Neto ressaltou a presença do IPEN em projetos desenvolvidos no âmbito dos programas nucleares brasileiros e a cooperação mantida com a Amazônia Azul Tecnologias de Defesa S.A. (AMAZUL).

Durante a programação, a DGDNTM e o Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP) receberam diplomas em reconhecimento à cooperação histórica com o IPEN. Também foram homenageados ex-superintendentes e pesquisadores eméritos do Instituto, entre eles o físico da AMAZUL, Laércio Antônio Vinhas, pesquisador emérito desde 2010.
Cooperação iniciada em 1981
A parceria entre a Marinha e o IPEN remonta a 1981, quando as instituições firmaram convênio para o desenvolvimento conjunto de projetos tecnológicos. Os trabalhos incluíram estudos relacionados à reconversão do urânio e à produção de pastilhas cerâmicas destinadas à fabricação de combustível nuclear.

A cooperação também esteve associada ao desenvolvimento de reatores de pesquisa. Entre eles está o IPEN/MB-01, cuja construção teve início em 1983 e que se tornou uma das referências da parceria entre as duas instituições.
Nas últimas décadas, essa relação passou a abranger também a capacitação de profissionais para operação e supervisão de reatores. Em 2023 e 2024, militares da Marinha participaram do processo de licenciamento para atuar como operadores do reator IEA-R1, no âmbito da cooperação entre o CTMSP e o IPEN/CNEN.
Em 2025, equipes da Marinha e do IPEN passaram a atuar em turnos de operação contínua do IEA-R1, viabilizando a produção nacional de Lutécio-177, radioisótopo utilizado em aplicações terapêuticas.
A cooperação entre as instituições reúne, atualmente, atividades de pesquisa, formação de recursos humanos e desenvolvimento tecnológico na área nuclear.


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