Na Bacia do Rio Paraguai, na Fronteira Oeste do Brasil, o mês de agosto marcou o fortalecimento da amizade entre a Marinha do Brasil (MB) e a Armada Boliviana. As duas Forças tiveram, ao longo do mês, exercícios conjuntos e comissões para ampliar interoperabilidade, diálogo e troca de conhecimentos.
A primeira delas foi a “Comissão BrasBol 2026”. Envolvendo sete navios e mais de 400 militares, a operação – ocorrida entre 24 de agosto e 2 de setembro entre Ladário, no Mato Grosso do Sul, e Puerto Busch, na Bolívia – foi uma oportunidade de militares das duas forças trocarem experiências, conhecimentos e doutrinas, além de fortalecer as relações de amizade entre as Forças.
De acordo com o Comandante do 6º Distrito Naval, Contra-Almirante Emerson Augusto Serafim, a BrasBol “nos permite realizar planejamentos, execução de tarefas e aprender com os procedimentos e a experiência no terreno de cada uma das Forças”. Para ele, “é fundamental que tenhamos esse trabalho conduzido de forma homogênea, harmônica entre essas Forças. Obviamente, sem atentar contra a soberania de cada um dos estados."
O Capitão de Fragata Felipe Edwin Marin Para, Oficial da Armada Boliviana que, durante a BrasBol, comandou a Força-Tarefa 56, aponta que a operação é uma oportunidade de “atuarmos conjuntamente, poder nos relacionarmos, compartilhar doutrinas de pessoal e de meios”. Ele destaca que isso é especialmente importante para a Armada Boliviana, que conta com a Hidrovia Paraguai-Paraná como um importante canal para se conectar ao Oceano Atlântico.
Levantamento hidrográfico
Entre 10 e 31 de agosto, o Aviso Hidroceanográfico Fluvial “Caravelas” realizou a Comissão LH-Tramo Sul (LH-X), com levantamentos hidrográficos em áreas correspondentes a oito cartas náuticas do rio Paraguai, entre Ladário e Porto Murtinho (MS).
Dois militares da Armada Boliviana participaram da comissão e atuaram, junto aos militares brasileiros, em diferentes etapas do levantamento. Entre as atividades estiveram a operação da lancha de sondagem, o nivelamento de réguas fluviométricas, o rastreio de referências de nível, a coleta de dados sobre a velocidade do som na água e o processamento de dados batimétricos. As informações obtidas são utilizadas na atualização de documentos náuticos e contribuem para a segurança da navegação.

Na visão do Comandante do “Caravelas”, Capitão-Tenente Pedro Guilherme De Barros Hansen, a participação dos militares da Armada Boliviana em todas as etapas de um levantamento hidrográfico permitiu um intercâmbio valioso dos procedimentos empregados pela MB nas sondagens das águas do rio Paraguai, fortalecendo assim a cooperação técnica e a amizade entre as duas Nações.


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