A Marinha do Brasil (MB) participa das reuniões de abertura dos Comitês de Planejamento de Resposta a Emergências Nucleares (COPREN) para o ano de 2026, realizadas em Angra dos Reis e Resende (RJ). A atuação, que ocorre durante o ano todo, integra o Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro (SIPRON), responsável por coordenar ações de prevenção e resposta a incidentes no setor nuclear.
Os encontros reunem representantes de órgãos federais, estaduais e municipais responsáveis pela preparação para possíveis emergências em regiões com instalações nucleares. As reuniões também marcaram o início do planejamento de exercícios integrados, que simulam cenários de emergência para testar a coordenação entre instituições e os mecanismos de proteção da população.
Para o Comandante de Proteção e Defesa Nuclear, Biológica, Química e Radiológica da Marinha, Contra-Almirante (Fuzileiro Naval) Roberto Lemos, a integração entre as estruturas civis e militares é essencial para fortalecer a capacidade nacional de resposta.
“A sinergia entre o Sistema de Defesa Nuclear, Biológica, Química e Radiológica da Marinha e o Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro contribui para integrar capacidades especializadas e aperfeiçoar o preparo das instituições responsáveis pela resposta a emergências. Essa atuação coordenada é fundamental para garantir a proteção da população e a segurança de infraestruturas estratégicas do País”, destacou o Almirante.

Planejamento em áreas com instalações nucleares
Em Angra dos Reis, as atividades do comitê estão relacionadas à Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, onde estão localizadas as usinas nucleares brasileiras em operação. O planejamento envolve a atualização e o acompanhamento do Plano de Emergência Externo da central — documento que define como os órgãos públicos devem atuar fora das instalações nucleares para proteger a população e o meio ambiente em caso de um eventual acidente.
Já em Resende, as discussões estão voltadas às instalações da Fábrica de Combustível Nuclear operadas pela Indústrias Nucleares do Brasil. Na região, o planejamento considera o Plano de Apoio Externo da unidade, que estabelece a atuação integrada de instituições federais, estaduais e municipais em situações de emergência envolvendo as atividades da fábrica.
Nos encontros, especialistas e representantes das instituições participantes analisaram cenários de risco, revisaram procedimentos e coordenaram medidas voltadas à preparação das equipes e à proteção da população. Essas reuniões também deram início ao planejamento de exercícios integrados que simulam situações de emergência, permitindo testar na prática a atuação conjunta dos órgãos envolvidos.

Contribuição da Marinha para o sistema nacional
A participação da MB ocorre por meio do Comando de Proteção e Defesa Nuclear, Biológica, Química e Radiológica da Marinha (CProtDefNBQRM) e dos Batalhões de Proteção e Defesa NBQR, unidades especializadas na detecção, monitoramento e resposta a incidentes envolvendo agentes nucleares, radiológicos, biológicos ou químicos. No âmbito do Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro (SIPRON), essas organizações contribuem com capacidades técnicas e operacionais voltadas ao apoio às autoridades civis e à integração das ações de resposta em cenários de emergência.
A atuação da Marinha nesse sistema está diretamente relacionada ao Programa Nuclear da Marinha, iniciativa estratégica voltada ao domínio do ciclo do combustível nuclear e ao desenvolvimento de tecnologias nucleares para aplicações navais. Como um dos pilares do programa nuclear brasileiro, o projeto reforça a importância da preparação e da coordenação entre instituições responsáveis pela segurança e pela proteção das instalações e atividades nucleares no País.

Além da participação nos comitês de planejamento, os militares da Marinha atuaram em exercícios interagências e em atividades de preparação conduzidas no âmbito do SIPRON. Essa cooperação contribui para integrar as capacidades militares aos esforços de diferentes instituições do Estado brasileiro, fortalecendo o sistema nacional de resposta a emergências nucleares e a proteção da população e de infraestruturas estratégicas.
Essa cooperação fortalece o sistema nacional de preparação para emergências nucleares e contribui para manter atualizados os planos e procedimentos voltados à proteção da população e à segurança de infraestruturas estratégicas do País.



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