Capaz de “enxergar” o fundo de rios e mares mesmo em locais de baixa visibilidade, o sonar de varredura lateral — conhecido como sidescan — é uma das ferramentas utilizadas pela Marinha do Brasil (MB) em operações de busca e salvamento. Recentemente, o equipamento foi disponibilizado para auxiliar nas buscas por um adolescente desaparecido após o naufrágio de uma embarcação do tipo voadeira no Rio Xingu, em Altamira (PA).

Mas como essa tecnologia funciona?

Segundo o Chefe do Departamento de Operações Hidroceanográficas do Centro de Hidrografia e Navegação do Norte, Capitão-Tenente Alan Celso Prado, o sonar de varredura lateral (SVL) é um equipamento de busca ativa que utiliza ondas sonoras de alta frequência e a sua propagação no ambiente aquático para a geração de imagens como a representação do fundo do mar e do leito de rios.

Por meio do seu emprego, é possível identificar também outros tipos de objetos e pontos de interesse, tais como bancos de areia, presença de rochas, assim como permitir as buscas de embarcações naufragadas e suas possíveis vítimas”, explica.

À medida que a embarcação se desloca, o equipamento realiza uma varredura contínua da área pesquisada, permitindo visualizar características do relevo submerso e identificar diferentes tipos de objetos que não poderiam ser identificados visualmente. Bancos de areia, formações rochosas, troncos, aparelhos de fundeio, cardumes, embarcações naufragadas e até possíveis vítimas podem ser detectados por meio da tecnologia.

O equipamento empregado possui capacidade de distinção de alvos submersos de dimensões em escala centimétrica, quando empregado em profundidades rasas. A área a ser coberta varia diretamente com a profundidade, podendo alcançar valores de varredura de até 300 metros”, destaca o militar.

 

Vantagem em ambientes de baixa visibilidade

Em rios amazônicos, onde a turbidez da água frequentemente dificulta a observação direta, o sidescan se torna um importante aliado das equipes de busca.

O SVL tem extrema relevância nas buscas, pois permite uma varredura, em curto intervalo de tempo, principalmente nos trechos onde a visibilidade é reduzida, permitindo identificar com maior precisão a localização de possíveis alvos submersos”, frisa o Capitão-Tenente Prado.

Além de ampliar a capacidade de localização, o equipamento contribui para que as equipes de mergulhadores operem com maior eficiência e segurança. Antes da entrada das equipes na água, o sonar permite realizar um reconhecimento prévio do fundo do rio, identificando obstáculos e potenciais riscos.

Com a aplicação do SVL, é possível otimizar o emprego das equipes de mergulhadores, reduzindo consideravelmente a área de buscas submersas, além de permitir um reconhecimento preliminar da configuração do fundo do rio”, afirma.

O desempenho do equipamento pode ser influenciado por fatores como turbidez, temperatura, salinidade e profundidade da água, além das condições de navegação existentes na área da operação.

Histórico de emprego

A utilização do sidescan em operações de busca não é novidade para a Marinha. Nos últimos anos, o equipamento foi empregado em diversas ocorrências na área do 4º Distrito Naval.

Entre os casos de maior repercussão está a atuação nas buscas pelas vítimas do desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, entre os estados do Maranhão e Tocantins, em dezembro de 2024. Na ocasião, o sonar auxiliou o trabalho dos mergulhadores e contribuiu para o resgate de 14 vítimas submersas.

O equipamento também foi utilizado nas buscas por crianças desaparecidas no povoado Quilombo São Sebastião dos Pretos, em Bacabal (MA), em janeiro deste ano, e em uma operação para localização de um menor desaparecido em Eldorado dos Carajás (PA), em abril.

Operado por militares especializados em hidrografia, oceanografia e cartografia, o sonar de varredura lateral segue sendo uma importante ferramenta de apoio às operações de busca e salvamento, ampliando a capacidade da Marinha de atuar em cenários complexos e contribuir para a salvaguarda da vida humana nas águas.

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