O conjunto de conhecimentos e competências acumulados ao longo do desenvolvimento do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (LABGENE) poderá representar uma importante contribuição brasileira para futuros projetos de reatores modulares de pequeno porte (SMRs, do inglês small modular reactors).
O potencial dessas capacidades esteve em destaque durante a visita realizada por representantes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Ministério de Minas e Energia (MME) ao Centro Industrial Nuclear de Aramar (CINA), em Iperó (SP), no dia 18 de junho.
Durante o encontro, foram apresentadas as atividades desenvolvidas pelo Programa Nuclear da Marinha (PNM), com foco no domínio do ciclo do combustível nuclear, na formação de recursos humanos especializados e no desenvolvimento de tecnologias estratégicas de interesse nacional.
A programação incluiu ainda visitas ao Laboratório de Enriquecimento Isotópico (LEI) e à Unidade de Produção de Hexafluoreto de Urânio (USEXA), onde são realizadas etapas críticas da tecnologia nuclear. Porém, as atenções concentraram-se no LABGENE, empreendimento estratégico destinado à construção, integração, qualificação, operação e validação do protótipo em terra do sistema de propulsão nuclear baseado em um reator de água pressurizada (PWR).
Desenvolvido para atender aos requisitos da propulsão nuclear naval brasileira, o laboratório reúne competências em áreas como engenharia nuclear, integração de sistemas complexos, automação, segurança nuclear, instrumentação, fabricação de equipamentos e operação de instalações nucleares.

Embora concebidas para atender às necessidades do Programa Nuclear da Marinha, essas capacidades possuem potencial de aplicação mais amplo. Em um cenário marcado pelo crescente interesse nos SMRs, o conhecimento acumulado no LABGENE poderá servir de base para futuras iniciativas nacionais voltadas ao desenvolvimento desses reatores, considerados uma das principais tendências da indústria nuclear mundial.
Os SMRs são projetados para fornecer energia elétrica de forma segura, confiável e com baixas emissões de carbono, podendo atender regiões remotas, centros de processamento de dados, instalações industriais, operações de mineração, plataformas offshore e projetos de produção de hidrogênio de baixo carbono.
As competências desenvolvidas pela Marinha ao longo de décadas passam a representar um ativo estratégico para o País, capaz de contribuir para desafios relacionados à segurança energética, à transição energética e ao desenvolvimento tecnológico nacional.
Segundo o Subsecretário de Governança do Ministério de Minas e Energia, Dênis de Moura Soares, os SMRs possuem potencial para atender a futuras demandas energéticas associadas a empreendimentos que exigem elevado grau de confiabilidade no fornecimento de energia, como as grandes instalações industriais e os centros de processamento de dados já citados.
As características de confiabilidade, modularidade e possibilidade de produção em série tornam os SMRs uma tecnologia promissora para o futuro energético do País. Nesse cenário, as capacidades desenvolvidas pela Marinha do Brasil, especialmente por meio do LABGENE, constituem uma importante base tecnológica nacional para apoiar futuras iniciativas nessa área”, afirmou o Subsecretário.

A proposta apresentada pela Marinha do Brasil vai além do aproveitamento das competências já desenvolvidas no âmbito do Programa Nuclear da Marinha. A posição institucional da Força é que o LABGENE seja considerado uma referência técnica nacional para o desenvolvimento de pequenos reatores modulares em terra e, futuramente, embarcados, contribuindo para as discussões conduzidas pelo governo federal e para outras iniciativas relacionadas ao tema.
A avaliação é que o aproveitamento da infraestrutura e do conhecimento já consolidados permitirá reduzir custos, otimizar recursos públicos e diminuir riscos associados às etapas iniciais de desenvolvimento de novos projetos nucleares.

Nesse contexto, o LABGENE poderá servir como plataforma para o desenvolvimento, teste e validação de tecnologias relacionadas aos SMRs, além de apoiar a formação e capacitação de recursos humanos especializados; o estabelecimento de referências nacionais para segurança, licenciamento e operação; e a integração entre instituições governamentais, acadêmicas e industriais em torno de um futuro programa nacional de reatores modulares.
De acordo com o Diretor-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, Almirante de Esquadra Alexandre Rabello de Faria, o aproveitamento das capacidades desenvolvidas ao longo de décadas no Programa Nuclear da Marinha representa uma oportunidade estratégica para o País, impulsionando a Base Industrial de Defesa e fortalecendo a autonomia tecnológica nacional.
As competências desenvolvidas nesse empreendimento constituem uma base tecnológica relevante para futuras iniciativas nacionais no campo dos reatores modulares de pequeno porte, ampliando as possibilidades de aplicação pacífica da energia nuclear”, avaliou.

Para o Diretor-Presidente do CNPq, Olival Freire Junior, a trajetória de desenvolvimento observada no Centro Industrial Nuclear Aramar evidencia a importância dos investimentos contínuos em ciência, tecnologia e formação de recursos humanos no País.
O estágio de desenvolvimento alcançado pelo Brasil em áreas estratégicas como a tecnologia nuclear é resultado do trabalho de gerações de cientistas, engenheiros e militares. O avanço de iniciativas como os reatores modulares de pequeno porte dependerá da continuidade dessa integração entre instituições de pesquisa, universidades, setor produtivo e órgãos governamentais, em um esforço conjunto voltado ao fortalecimento da soberania tecnológica nacional”, destacou.
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Comentários
É muito importante ver a Marinha do Brasil contribuindo não apenas para a Defesa, mas também para o desenvolvimento científico, tecnológico e energético do País. O LABGENE mostra a força do conhecimento nacional e o valor de investir em tecnologia estratégica para o futuro do Brasil.
Excelente matéria. É muito importante ver a Marinha do Brasil contribuindo não apenas para a Defesa, mas também para o desenvolvimento científico, tecnológico e energético do País. O LABGENE mostra a força do conhecimento nacional e o valor de investir em tecnologia estratégica para o futuro do Brasil.
Não vejo o nosso congresso discutir a importância do desenvolvimento dos SMRs para o Brasil.
Seriam necessárias mais ações de " lobby" nas casa legislativas?
O SMR não pode der um subproduto do reator do Prosub nem esse do SMR.
Ambos devem ser objetivo nacional estratégico.
Onde estão nossos senadores e deputados,?
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