Após uma semana de programações intensas, a primeira edição da “ARAMUSS-2025” chegou ao seu último dia nesta sexta-feira (14), na Base Naval de Aratu, em Salvador, deixando como legado a proposta de continuidade dos debates e ações voltadas à integração de tecnologias não tripuladas ao setor marítimo da defesa brasileira.

Além dos ciclos de palestras com especialistas, da abertura dos portões ao público e das exposições estáticas, o evento inédito teve como destaque as demonstrações práticas de equipamentos. Drones marítimos, submarinos e aéreos foram deslocados dos estandes para a área do exercício, na Baía de Todos-os-Santos (BTS), com as operações realizadas de forma integrada a meios tripulados, a partir de navios e embarcações da Marinha do Brasil (MB).

O foco das demonstrações foram as simulações de guerra de minas e operações marítimas avançadas. No apoio, atuaram navios como a Corveta “Caboclo” e o Navio-Patrulha “Gravataí”, que embarcaram militares, pesquisadores e representantes da indústria nacional e internacional para acompanhar os exercícios.

Para o Comandante do 2º Distrito Naval, Vice-Almirante Gustavo Calero Garriga Pires, esse cenário representou o ponto alto do evento.

Hoje é a parte mais importante da ‘ARAMUSS’, porque estamos fazendo nossos testes embarcados nos navios da Marinha. Aqui vemos a conjunção de sistemas tripulados e não tripulados, o estado da arte dessas operações no mundo.”

Com sistemas operados de forma autônoma ou por centros de comando, participaram das demonstrações os seguintes meios não tripulados: Mero (USSV), Suppressor (Tidewise/EMGEPRON), LAUV Triton (Ocean Scan/IPqM), VSNT (CASNav), FlatFish (SENAI Cimatec) e NAURU (XMobots).

De acordo com o coordenador do evento e Comandante da Força de Minagem e Varredura da MB, Capitão de Fragata Rodrigo Bouças, a proposta é que a Marinha continue investindo e ampliando parcerias no campo das tecnologias de veículos marítimos não tripulados.

Pioneira, a ‘ARAMUSS-2025’ cumpriu o seu papel. Agora, ficam os ensinamentos importantes que esse projeto trouxe para a Marinha e para o País, ao aproximar a academia, a indústria, a ciência e a defesa nesse importante campo do conhecimento. Já projetamos que esse projeto se torne permanente, evoluindo ainda mais nos próximos anos.”

 
O que é a “ARAMUSS”?

A ARAMUSS (Aratu Maritime Unmanned Systems Simulation) contou com a participação de 24 expositores, reunindo instituições acadêmicas e empresas do Brasil e do exterior. Os envolvidos debateram e testaram tecnologias relacionadas a veículos não tripulados embarcados.

A integração promovida pelo evento contribui para a modernização dos meios navais e o fortalecimento da base tecnológica nacional. Com esse avanço, o Brasil se posiciona entre as Marinhas que já utilizam veículos submarinos autônomos em suas operações de segurança e defesa.

Presente na edição inédita da “ARAMUSS”, o Superintendente de Monitoramento e Desenvolvimento de Empreendimentos da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado da Bahia, Alisson Gonçalves, reforça a importância do evento, não apenas para o estado que o sediou, mas para todo o País. “É importante demais quando as instituições brasileiras conseguem dialogar. A Marinha demonstra mais uma vez que nós, enquanto Pátria, estamos protegidos nas áreas de divisas e fronteiras marítimas através da sua atuação e por essa integração.”

 
O Veículo Submarino Autônomo “Triton”

Entre os equipamentos que mais chamaram a atenção está o LAUV “Triton”, Veículo Submarino Autônomo (VSA) voltado, principalmente, para contramedidas de minagem. Trata-se de uma tecnologia considerada estratégica para o setor de defesa.

O teste demonstrou o avanço do País na aplicação de sistemas inteligentes voltados à segurança marítima. Durante a simulação, o “Triton” percorreu rotas programadas para detectar, classificar e identificar objetos submersos.

Um dos grandes diferenciais do equipamento é sua autonomia operacional: o submarino autônomo é capaz de seguir planos de missão complexos, navegar com precisão em águas rasas e gerenciar seus sensores sem intervenção direta de operadores.

Para o Encarregado do Grupo de Sistema de Armas do Instituto de Pesquisas da Marinha (IPQM), Capitão de Corveta (Engenheiro Naval) Emerson Coelho Mendonça, com autonomia, precisão e inteligência, o LAUV ‘Triton’ simboliza a evolução da guerra de minas e o compromisso da Marinha com a inovação tecnológica. A Marinha do futuro começa aqui”, ressaltou.

 

O futuro dos submersíveis com o Suppressor

Durante a “ARAMUSS-2025”, a Marinha e a Empresa Gerencial de Projetos Navais (EMGEPRON) assinaram um protocolo de intenções que pode garantir, em um futuro breve, a compra de quatro unidades do veículo submersível SUPPRESSOR-7.

Durante a demonstração, o equipamento não tripulado utilizou, pela primeira vez, um ROV (Veículo Remotamente Operado) capaz de ser lançado e recolhido automaticamente.

Esse ROV realizou a identificação visual positiva dos alvos classificados previamente pelo veículo principal — etapa essencial para confirmar a natureza de possíveis minas.

Segundo o integrante do Programa “Suppressor” da EMGEPRON, Capitão de Mar e Guerra (Engenheiro Naval da Reserva) Marcos André Westphalen Palma, o equipamento pode ser empregado de forma versátil.

Trata-se de um veículo não tripulado que possui sonar multifeixe e software de mapeamento para busca e classificação de alvos submersos, com processamento em tempo real, mas que também pode atuar em levantamentos hidrográficos.”


 

No teste, o modelo foi capaz de identificar uma mina simulada em apenas 45 minutos, demonstrando a eficácia do sistema.

 

Drone 100% brasileiro

Fabricado pela empresa Xmobots, o drone Nauru 500 C, demonstrado durante o evento, é o único modelo da categoria autorizado a operar no Brasil em voos noturnos e acima de 400 pés (cerca de 121 metros). Com grande projeção no setor de segurança, possui avançadas capacidades de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (ISR, na sigla em inglês).

O equipamento, que conta com autonomia de até quatro horas, emprega a tecnologia VTOL (decolagem e pouso vertical) e é considerado um dos mais potentes do mercado brasileiro.

Voltado para atuação em períodos e locais antes inacessíveis, seu emprego é considerado eficiente em missões de fronteira, portos, áreas marítimas e operações de busca e salvamento.


 

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