Cerca de 3 mil pessoas acompanharam, no último sábado (25), o Concerto de Encerramento da 21ª Conferência Internacional da WASBE (World Association for Symphonic Bands and Ensembles), realizado na Fortaleza de São José, na Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro. A apresentação reuniu as Bandas Sinfônica e Marcial do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), por volta de 200 músicos militares e convidados, como o grupo de gaita escocesa Brazilian Piper e a bateria da Estação Primeira de Mangueira, marcando o encerramento da primeira edição da conferência realizada na América Latina.

O concerto, com duas horas de duração, foi dividido em quatro módulos: “O Chamado da Terra”, “Alma Brasileira”, “Heróis Nacionais” e “Cantando o Rio de Janeiro”. A apresentação foi conduzida por dois atores caracterizados como os maestros Antônio Carlos Gomes e Eleazar de Carvalho, que interligaram os diferentes momentos do espetáculo.

O espetáculo teve início com o módulo “O Chamado da Terra”, em que a Banda Marcial entrou em cena ao lado dos gaiteiros do grupo Brazilian Piper, enquanto a Banda Sinfônica permaneceu posicionada ao fundo. Após o apagamento das luzes da Fortaleza, a apresentação começou com as obras “O Fortuna” e “O Fantasma da Ópera”, seguidas da “Abertura 1812”, de Tchaikovsky, acompanhadas por projeções mapeadas em 3D. Na sequência, durante a execução de “Do Seu Lado”, motociclistas militares percorreram o pátio enquanto os músicos formaram uma clave de sol. Em seguida, a fachada do prédio histórico recebeu projeções que simulavam um amanhecer ao som da “Alvorada” da ópera Lo Schiavo, de Carlos Gomes, momento em que trompetistas se apresentaram nas janelas laterais da edificação. O módulo foi encerrado com a execução da obra Core'ngrato.

O módulo “Alma Brasileira” apresentou repertório inspirado em ritmos como o xote e o baião, acompanhado por projeções de festejos de São João e das dunas nordestinas. Durante a apresentação, crianças e adolescentes do Programa Forças no Esporte (PROFESP) entraram pelo portão principal da Fortaleza empunhando holofotes e simulando o movimento de uma locomotiva ao som de “O Trenzinho do Caipira”, de Villa-Lobos. O grupo também participou da execução de “Anunciação”, ocasião em que um dos alunos realizou um solo de saxofone. Em seguida, a Banda Marcial entrou no pátio formando a silhueta do Navio Doca Multipropósito “Oiapoque”, de onde o Pelotão de Ordem Unida Silenciosa (Pelotão Adsumus) iniciou sua apresentação.

O módulo Heróis Nacionais incluiu a execução da música “We Will Rock You”, da banda Queen. Durante a apresentação, as viaturas blindadas JLTV e Piranha entraram no pátio da Fortaleza e, das torres dos veículos, um guitarrista e um gaiteiro realizaram um duelo musical. Na sequência, a programação incluiu disparos da Bateria Histórica e projeções com efeitos visuais na fachada da Fortaleza.

O ato “Cantando o Rio de Janeiro” homenageou a cidade-sede com formações coreográficas da Banda Marcial que representaram a sigla WASBE, o Pão de Açúcar com o bondinho e o Cristo Redentor. A apresentação foi acompanhada pelas músicas “Asa Branca” e “Cidade Maravilhosa”.

O encerramento do concerto iniciou com a entrada da bateria da escola de samba Mangueira. Em seguida, orquestra, gaiteiros, ritmistas e crianças do PROFESP executaram um medley com as músicas “Exaltação à Mangueira”, “Isto Aqui o que é” e “Atrás da Verde e Rosa Só Não Vai Quem Já Morreu”, seguido de “Aquarela do Brasil”. A apresentação foi concluída com fogos de artifício ao som da canção “Cisne Branco”, hino da Marinha do Brasil.

O concerto de encerramento marcou o fim da 21ª Conferência Internacional da WASBE, realizada pela primeira vez na América Latina. O evento contou com recursos da Lei de Incentivo à Cultura. Para o presidente da WASBE, maestro Miguel Etchegoncelay, a realização da conferência no Rio de Janeiro representa um marco para a associação. 

Chegamos ao final de uma semana verdadeiramente inesquecível. O sonho de realizar uma conferência mundial da WASBE na América Latina tornou-se uma realidade extraordinária. O Rio de Janeiro ficará para sempre na história da nossa associação. Levamos conosco a inspiração destes dias e a certeza de que a música continuará a ser uma linguagem universal capaz de unir culturas, aproximar povos e construir pontes entre nós”, ressaltou.

O encerramento da conferência também destacou o intercâmbio cultural e a difusão da música instrumental entre os participantes. Segundo o Presidente Executivo do Comitê Organizador Local da WASBE, Marcelo Jardim, a realização da conferência contou com a participação de diferentes instituições. “O que foi possível ser feito nessa semana aqui só foi possível com a ajuda da Marinha do Brasil, que prontamente apoiou com todas as forças. Posso falar com toda sinceridade que a gente não teria alcançado a realização desse evento no Brasil não fosse a Marinha”, frisou.

Segundo o Comandante do Batalhão Naval, Capitão de Mar e Guerra (Fuzileiro Naval) Wagner Dias, a participação das Bandas Sinfônica e Marcial do CFN na conferência representou uma oportunidade de intercâmbio artístico e de apresentação do repertório desenvolvido pelos músicos da Marinha. “As nossas bandas na Marinha possuem uma tradição muito grande e relevante, com uma história datada de 1897. Ao longo dos anos, fomos evoluindo tecnicamente e musicalmente. A nossa Banda Sinfônica possui uma particularidade muito grande, que ela consegue executar da música erudita, clássica, até as músicas mais populares tocadas aqui no Rio de Janeiro, aproximando ainda mais o povo da música e da Marinha do Brasil”, explicou.

O Comandante-Geral do CFN, Almirante de Esquadra (Fuzileiro Naval) Carlos Chagas, destacou a importância da música como instrumento de aproximação entre povos e culturas. 

A diplomacia por meio da cultura e, em particular, da música, sempre foi um fator de aproximação e união entre os povos e nações. Assim, em um momento no qual o mundo passa por tantos conflitos, essa grande iniciativa musical é especialmente bem-vinda. Nenhum outro local poderia ser mais apropriado para o encerramento desta épica Conferência Internacional de Bandas, realizada pela primeira vez na América Latina, que a histórica Fortaleza de São José”, afirmou.

Semana intensa de intercâmbio e difusão cultural

A apoteose de sábado foi o ápice de uma semana de programação ininterrupta, na qual a Marinha do Brasil desempenhou papel central tanto na performance artística quanto na complexa missão logística, organizando transporte, hospedagem e estrutura para músicos do Brasil e do mundo.

A jornada dos Fuzileiros Navais na WASBE teve início na segunda-feira (20), na Ilha Fiscal, quando dez instrumentistas da Banda Sinfônica do CFN atuaram sob a regência do renomado maestro holandês Will Sanders, em conjunto com o Conjunto de Metais da Orquestra Petrobras Sinfônica.

Na terça-feira (21), as Bandas Sinfônica e Marcial do CFN realizaram uma apresentação aberta ao público no Palácio Gustavo Capanema. Após o concerto, os militares promoveram um desfile pelas ruas do Centro do Rio de Janeiro, conduzindo a plateia até as escadarias do Theatro Municipal.

Na quarta-feira (22), a Sala Cecília Meireles sediou o 1º Concurso Internacional de Regência da WASBE. A competição reuniu seis semifinalistas, selecionados entre 49 candidatos de 21 países. Na segunda etapa do concurso, os regentes conduziram a Banda Sinfônica do CFN em um programa dedicado ao repertório contemporâneo, executando obras de compositores consagrados diante de um júri internacional.

A emoção do público

As apresentações realizadas durante a conferência reuniram espectadores em diferentes espaços culturais do Rio de Janeiro. Ao longo da programação, o público acompanhou concertos, apresentações ao ar livre e o espetáculo de encerramento na Fortaleza de São José.

A empresária Renata Pacheco destacou a combinação entre música e recursos visuais durante o concerto de encerramento. “Achei o espetáculo lindo, muito bem encaixado, a orquestra sempre dinâmica. A gente até se assustava um pouco com o tanque, com um monte de entrada. Foi impressionante. A parte do tanque e, também, a orquestra fazendo todos os desenhos é muito bonito. E as cores, tudo muito lindo, estão de parabéns!”, relatou.

Para Márcio Costa, a valorização da cultura brasileira foi um dos destaques da apresentação. “A parte que mais gostei foi quando o músico anunciou a parte nordestina, bateu muito com a música. Mostrou as nossas raízes. Quero voltar mais vezes”, concluiu.

. . .

Comentar

O conteúdo deste campo é privado e não será exibido ao público.

Plain text

  • Nenhuma tag HTML permitida.
  • Quebras de linhas e parágrafos são feitos automaticamente.
  • Endereços de página da web e endereços de e-mail se tornam links automaticamente.