A série documental “Paralelo 60: a ciência brasileira nos extremos do planeta” estreou neste mês, na Rede Minas e na plataforma de streaming Minasplay, com a missão de traduzir para o público o conhecimento científico produzido nos polos e como os resultados podem beneficiar a sociedade. Em 13 episódios de 26 minutos, a produção apresenta os bastidores da pesquisa durante expedições à Antártica e ao Ártico, com seus desafios técnicos e logísticos.
O episódio de estreia evoca a história dos primeiros desbravadores nos continentes gelados, ao mesmo tempo que revela o atual estágio de sua ocupação pela comunidade científica internacional. Além de acompanhar a chegada dos cientistas brasileiros à região, o capítulo mostra a cooperação institucional entre Marinha do Brasil, ministérios, universidades e centros de pesquisa para tornar viável o desenvolvimento da ciência nacional.
A ciência, muitas vezes, chega ao público cercada por uma linguagem muito técnica, como se estivesse confinada aos laboratórios e às universidades. Nós queríamos abrir essas portas e mostrar que, por trás de cada dado, de cada amostra e de cada descoberta, existem pessoas movidas pela curiosidade, pela coragem e pelo desejo de compreender melhor o planeta”, conta um dos diretores da série, Leandro Lopes.

Além do continente antártico, a série registra um marco para a ciência nacional: a primeira expedição científica oficial brasileira ao Ártico, em 2023, no arquipélago de Svalbard, na Noruega, e a continuação desse trabalho dentro dos laboratórios. “A pesquisa polar não termina quando o navio retorna ao Brasil. O gelo, a água, os microrganismos, as imagens e os dados continuam suas viagens dentro dos laboratórios”, explica o diretor.
Foram 150 dias de gravação, período em que a equipe esteve exposta a mares agitados, ventos fortes e temperaturas negativas. “No ambiente polar, quem determina o ritmo é a natureza. É preciso esperar o vento diminuir, o mar permitir a navegação ou a luz oferecer uma pequena janela de filmagem. Cada imagem conquistada carregava um pouco dessa espera. É justamente isso que torna esse material tão especial: cada cena contém a memória do caminho”, acredita.

O fio-condutor da narrativa é o trabalho de cientistas vinculados a universidades e instituições de pesquisa de todo o Brasil, que contribui para ampliar o entendimento sobre mudança climática, biodiversidade, oceano, geologia, microbiologia e biotecnologia. “À primeira vista, a Antártica pode parecer muito distante do Brasil. Mas essa distância é mais geográfica do que real. Os polos funcionam como grandes reguladores do clima do planeta”, afirma Lopes.
Para o diretor Leandro, além da relevância científica, a presença nessas regiões inóspitas também possui uma importante dimensão geopolítica. Apesar de aderir ao Tratado da Antártica em 1975, o Brasil tornou-se membro consultivo apenas em 1983, um ano após a criação do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR). Como membro, o País é um dos 29 estados-nação que podem participar dos processos decisórios relativos ao futuro do continente branco.
Presença na Antártica
O Programa Antártico Brasileiro é gerenciado no âmbito da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM). Ele tem como base o tripé meio ambiente, pesquisa e logística, coordenados respectivamente pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela MB. Essa articulação visa garantir que as atividades sejam conduzidas de maneira integrada.
As principais infraestruturas do PROANTAR são a Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF) – base permanente para as atividades dos militares e dos cientistas e onde ficam alojados, na Ilha Rei George –, o Navio de Apoio Oceanográfico “Ary Rongel” e o Navio Polar “Almirante Maximiano”, responsáveis pelo acesso à região e pelo transporte dos pesquisadores e equipamentos.

A presença brasileira não é apenas simbólica: ela tem peso político, científico e estratégico. É importante que a população saiba disso. O Brasil não está na Antártica como visitante. Está ali produzindo conhecimento, cooperando com outros países, defendendo a paz, a preservação ambiental e os interesses nacionais. Quando conhecemos essa presença, entendemos também que a Antártica é um pouco mais próxima de nós do que imaginávamos”, avalia Lopes.
Segundo o diretor Leandro, a produção da série tem como objetivo ampliar a divulgação dessa história e atestar que o Brasil contribui para algumas das discussões mais importantes da atualidade. “Mas existe também um desejo muito íntimo: que o ‘Paralelo 60’ chegue aos jovens. Que uma menina ou um menino, assistindo à série em uma cidade pequena, possa se reconhecer naqueles pesquisadores e pensar: ‘Talvez eu também possa fazer isso’. Às vezes, uma vocação começa assim.”
Assista ao trailer:



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