Voltada ao aprimoramento da capacidade de projeção e sustentação das Forças Armadas em ambientes operacionais de alta complexidade, a Operação “Atlas” configura-se como um exercício conjunto centrado no deslocamento estratégico das capacidades de defesa previamente distribuídas pelo território nacional para atuação na Amazônia.
Diante dos desafios logísticos impostos pela região, marcada por vastas distâncias, baixa infraestrutura e condições naturais adversas, a Marinha do Brasil intensificou sua preparação operacional. Nesse contexto, o Sistema de Abastecimento da Marinha (SAbM) assume papel central na sustentação do componente naval (navios, aeronaves, Fuzileiros Navais, pessoal de apoio logístico, entre outros) articulando o fornecimento de materiais, suprimentos e apoio técnico, os quais asseguram a permanência e a eficácia das tropas em campo.
O Diretor do Centro de Operações do Abastecimento (COpAb), Contra-Almirante (Intendente da Marinha) Ricardo Yukio Iamaguchi, destaca que a complexidade do emprego operacional exige planejamento detalhado e integração plena entre os elos da cadeia de suprimentos. “A Amazônia impõe desafios singulares para o apoio logístico, seja pela grande distância em relação aos nossos depósitos primários, no Rio de Janeiro, seja pelas limitações de infraestrutura portuária em algumas áreas de atracação. Nosso trabalho começa com o conhecimento aprofundado da área de operações, identificando previamente gargalos e reforçando a capacidade logística em locais que, usualmente, não estão acostumados a receber esse volume de meios navais e de pessoal.”

Entre as atribuições do SAbM estão o transporte de cargas, o envio de contêineres secos e frigorificados com gêneros perecíveis e materiais de uso comum, além do abastecimento de combustíveis, lubrificantes e graxas para os navios participantes. “Essas ações são parte do alicerce que sustenta os combatentes no teatro de operações. Sem a Intendência, não há capacidade de permanência. Nosso objetivo central é assegurar que cada navio, cada aeronave e cada militar tenham o suprimento necessário, no tempo e no local certo, para cumprir sua missão.”
Segundo o Contra-Almirante (Intendente da Marinha) Iamaguchi, a Operação “Atlas” também funciona como laboratório para testar e validar procedimentos de planejamento, reforçando a interoperabilidade entre as Forças Armadas. “A operação nos possibilita exercitar, em escala ampliada, a coordenação de fluxos logísticos complexos, que envolvem múltiplos modais e exigem sincronização fina entre transporte, armazenagem e distribuição. É uma oportunidade valiosa para demonstrar a importância do planejamento logístico e a contribuição decisiva do Setor do Abastecimento para o êxito das operações navais e conjuntas.”

O Diretor do COpAb acrescenta que o desempenho no terreno depende diretamente do rigor técnico e do profissionalismo das equipes envolvidas. “Em qualquer operação militar, a estratégia só se sustenta se a logística for sólida. Nosso compromisso é assegurar que o Sistema de Abastecimento da Marinha esteja sempre à altura desse desafio.”
A iniciativa contempla a manutenção da prontidão. Assim como a Esquadra, com seus meios navais, e as unidades operativas dos Fuzileiros Navais, que operam com mobilização rápida em todo o território nacional, a Intendência mantém capacidade equivalente para atender as operações de defesa e as emergências, como calamidades públicas, ações de Defesa Civil e operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). As atividades na Operação “Atlas” são conduzidas de forma conjunta pelo Corpo da Armada (CA), pelo Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) e pelo Corpo de Intendentes da Marinha (CIM), e incluem manutenção de capacidades, treinamento de procedimentos e suporte às missões.
Envio de suprimentos reforça a capacidade logística da Marinha na Região Norte
Entre os dias 8 e 11 de setembro, o Navio de Desembarque de Carros de Combate (NDCC) “Almirante Saboia” esteve atracado em Belém (PA), em uma operação de apoio de grande relevância para a preparação da “Atlas”. Nesse período, realizou abastecimento de óleo diesel marítimo no Terminal Petroquímico de Miramar e desembarcou cargas de gêneros secos, refrigerados e material comum, remetidos do Rio de Janeiro (RJ) ao Centro de Intendência da Marinha em Belém (CeIMBe).

Cumprida a missão em Belém, o NDCC “Almirante Saboia” seguiu para Manaus (AM), onde também transportou suprimentos destinados ao Centro de Intendência da Marinha em Manaus (CeIMMa), ampliando a capacidade de sustentação na Amazônia. O Diretor de Abastecimento da Marinha, Vice-Almirante (Intendente da Marinha) Artur Olavo Ferreira, ressalta que a presença permanente da Intendência nas fases preparatórias das comissões operativas é decisiva. “Cada operação logística realizada nesse contexto tem um significado estratégico. O envio de gêneros, materiais e combustíveis não se limita ao abastecimento imediato de um navio. Trata-se de estruturar as bases de sustentação que permitirão ao Sistema de Abastecimento da Marinha responder com prontidão e continuidade às demandas de um ambiente complexo como a Amazônia.”
O Diretor de Abastecimento enfatiza que o acompanhamento do Setor do Abastecimento em todas as etapas do planejamento é determinante para o êxito. “Estamos trabalhando de forma muito próxima aos Centros de Intendência da Marinha em Belém e em Manaus, garantindo que os meios recebam todo o apoio necessário, desde a fase inicial. Esse acompanhamento contínuo é fundamental para assegurar que, ao início da operação, todos os elos da cadeia logística estejam prontos e em plena capacidade para sustentar a tropa no Teatro de Operações.”

Ao sublinhar o caráter estratégico do Abastecimento, o Vice-Almirante (Intendente da Marinha) Olavo reforça a posição da Intendência como vetor essencial das operações navais. “A logística é o que dá permanência e eficácia à Força. O que realizamos nesse momento, com o envio de suprimentos para a Região Norte, é a materialização de meses de planejamento que garantirão que nossas operações conjuntas sejam sustentadas de forma sólida e ininterrupta. O Sistema de Abastecimento da Marinha está plenamente engajado para apoiar a Força Naval e, por consequência, servir à sociedade brasileira.”
CeIMBra coordena apoio logístico em etapa da Operação “Atlas” no Centro-Oeste
Com participação inédita na Operação, o Centro de Intendência da Marinha em Brasília (CelMBra), por estar localizado na área de jurisdição onde é realizado o exercício “Atlas Armas Combinadas”, em Formosa (GO), desempenha papel estratégico como facilitador e intermediário do suporte logístico, integrando o Sistema de Abastecimento da Marinha (SAbM).
O CelMBra presta apoio logístico às diversas frentes necessárias à eficiência da Operação, mais diretamente no fornecimento de caixas térmicas para armazenamento de refeições, viatura para transporte de carga, tanques móveis para armazenamento de combustível necessário aos geradores e reabastecimento contínuo de veículos militares, contêineres-banheiro, além de outras contribuições, inclusive voltadas à alimentação e hidratação.

Segundo o Diretor do CelMBra, Capitão de Mar e Guerra (Intendete da Marinha) Bruno Santa Rita Moreira, essa é uma oportunidade de reafirmar o compromisso do Centro de Intendência e do SAbM com a garantia do abastecimento e com a prontidão dos meios navais e de Fuzileiros Navais. "A participação no exercício demonstra nossa capacidade e comprova que estamos preparados para apoiar qualquer tipo de mobilização nacional, seja em operações de defesa, seja em situações de calamidade pública."
RACOPE aprimora cardápio e ganha destaque na Operação “Atlas”
A Refeição de Apoio Coletivo Operacional (RACOPE) conquistou papel de destaque na Operação “Atlas”, ao demonstrar eficiência logística e qualidade nutricional em campo. Cada kit, capaz de atender até seis militares, apresenta opções variadas de refeições balanceadas, prontas para consumo imediato.
Os alimentos são termoprocessados e acondicionados em embalagens laminadas, compostas por folha metálica e materiais resistentes ao processo de esterilização em autoclave — tecnologia que garante a eliminação de microrganismos e a conservação dos alimentos por longos períodos, sem necessidade de refrigeração. Além disso, o preparo é feito em apenas 10 minutos, oferecendo uma solução prática e segura para ambientes operacionais.
A RACOPE, projetada para uso em operações militares, Ações Cívico-Sociais (ACISO), situações de calamidade pública e Hospitais de Campanha, constitui um avanço estratégico na resposta logística. Ao padronizar porções, reduzir o tempo de preparo e garantir a segurança dos alimentos, o Sistema de Abastecimento da Marinha fortalece a autonomia das tropas e a eficácia das ações em campo, além de ampliar a capacidade de emprego a bordo dos meios navais.
Entenda a Operação “Atlas”
Exercício conjunto das Forças Armadas, a Operação “Atlas” concentra, na Amazônia, capacidades de defesa distribuídas pelo País para testar o deslocamento estratégico e a atuação integrada em terra, nos rios, no mar e no espaço aéreo. O objetivo é elevar a prontidão, padronizar procedimentos e validar a interoperabilidade entre Marinha, Exército e Força Aérea.
O ambiente amazônico impõe desafios logísticos, como cheias e vazantes dos rios, infraestrutura de transportes limitada e necessidade de múltiplos modais. Esses fatores exigem coordenação precisa para garantir mobilidade e suprimento contínuo das tropas, reforçando a presença permanente das Forças Armadas e a integração da região com o restante do País.
Embora voltada à defesa do Norte, uma das etapas da terceira fase da Operação “Atlas”, a “Atlas Armas Combinadas”, ocorre no Campo de Instrução de Formosa (GO), devido à impossibilidade de utilização de armamento de maior calibre da Marinha naquela região. No treinamento, os militares realizam o emprego integrado de capacidades distintas — infantaria, blindados, aviação, artilharia e guerra cibernética — com armamento real, em ambiente controlado.
A Operação “Atlas” foi estruturada em três fases:
Fase 1 – planejamento conjunto, com definição de estratégias, integração de ações e ambientação dos participantes;
Fase 2 – deslocamento estratégico de meios e efetivos para a Amazônia;
Fase 3 – execução de atividades táticas em ambientes terrestre, aquático e aéreo, exigindo elevada eficiência logística e capacidade de atuação a longas distâncias.



Comentários
Me desculpem o comentário, mas não vivem reclamando na mídia de falta de verbas, de corte de recursos, de falta de atenção do governo federal, de falta de reajuste do soldo da tropa. Então expliquem: de onde está vindo a dinheirama para sustentar essa operação? Alguém é capaz de dar a cara e responder?
Olha, você quer saber de onde vem a grana? Simples: vem de onde o governo quer que venha, quando a prioridade é a segurança do país. Treinamento militar não é gasto, é investimento. Se a operação tá rolando, é porque o Estado viu que precisa disso, mesmo que você só veja a 'falta de verba' na TV. Militar bem treinado custa, e custa caro, mas é pra garantir que, quando o bicho pegar, o Brasil não esteja despreparado.
Mas, Odair Rodrigues, que bom que você apareceu pra resolver o orçamento das Forças Armadas com uma pergunta nessa notícia, hein? Vamos rezar para o Ministério da Defesa te ouvir e cancelar tudo porque você ficou confuso?
Fica tranquilo, campeão. O dinheiro não brotou, ele foi alocado, porque operação militar séria custa caro, principalmente quando se quer evitar virar meme internacional. Agora, se a dúvida for sincera, dá pra pesquisar. Se for só pra pagar de fiscal de post alheio, aí talvez seja hora de guardar esse senso investigativo pra quando alguém prometer asfalto em troca de voto, né?
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